Em Menos teu nome, Lucas dos Passos é implicado, pelo efeito de seu trabalho poético, no percurso que T. S. Elliot aconselha tão acertadamente, apesar de passados cerca de 50 anos desde que ele o expôs em seu clássico ensaio sobre tradição e talento individual: o fundamental consiste em insistir que o poeta deva desenvolver ou buscar a consciência do passado e que possa continuar a desenvolvê-la ao longo de toda a sua carreira, equilibrando, entretanto, talento e domínio do ofício por meio do conhecimento da tradição literária (não apenas autores e obras, mas poéticas). Sabe-se que não há bom poeta, popular, letrado ou erudito, sem o conhecimento e o apuro individual, explícito ou não, da tradição literária escrita ou oral que o passado guarda. A faísca, a que resulta em luminosidade criativa, é a que aparece no cotejo e no atrito entre o que foi e o que está sendo escrito (ou digitado). Por essa razão, dos Passos faz poemas como quem, sabedor da tradição e da agonia de sua influência, dela dispõe para travar, com a correnteza da inspiração, o enfrentamento capaz de lhe garantir o ritmo, a rima, o verso e a estrofe mais adequados para seu poema. Um poeta sensível à tradição, e de indisfarçável talento individual. Paulo Roberto Sodré, Vitória, 10 de março de 2012.
Menos teu nome -
Lucas dos Passos
Editora Cousa
2016
106 páginas
3h 32m
ISBN-13: 9788563746641
Português Brasileiro
Edições (1)
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