Princesa - Mais lágrimas para chorar (Quadrilogia da Princesa Sultana #4) -

    Jean Sasson

    Best Seller
    2016
    384 páginas
    12h 48m
    ISBN-13: 9788576849766
    Português Brasileiro

    Uma história comovente sobre a luta das mulheres árabes pelos direitos humanos básicos Princesa Mais lágrimas para chorar é o retorno de Sultana, nobre saudita que se esconde atrás de um pseudônimo para relatar a condição precária das mulheres de seu país. Apesar de terem conquistando o acesso à educação e de estarem se integrando ao mercado de trabalho, as mulheres sauditas ainda são oprimidas por rigorosas instituições familiares, religiosas e sociais. Engajada na luta pela emancipação feminina, Sultana retrata, a partir de uma perspectiva privilegiada, os abusos físicos e psicológicos aos quais suas compatriotas ainda são submetidas diariamente. Além de comovente, esse livro é um manifesto em prol de direitos e igualdades para a mulher árabe.

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    Driely Meira Nunes de Almeida09/07/2016Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    As histórias mais tristes que eu já conheci

    Quão infeliz é a mulher que nunca conheceu a liberdade? – página 164 Sultana Al-Saud sempre lutou para ajudar meninas e mulheres que sofriam abuso físico e psicológico na Arábia Saudita, seu país de origem, mas as leis são rígidas quando se trata de proteger as mulheres de seus maridos, pais e irmãos. Na Arábia, o homem tem o direito de matar sua esposa se lhe convém, mas a mulher é decapitada se resolver se livrar de seu marido. Filha caçula de uma família real extensa, Sultana sempre foi a favorita da mãe, mas seu pai sempre dera total atenção ao único filho: Ali, que ganhava tudo o que desejava pelo simples fato de ser um homem. Desde pequena, Sultana era obrigada a ceder aos caprichos do irmão, mas isso nunca a abalou. Revoltada com a situação feminina em seu país, ela junta-se a uma médica e a outras mulheres, inclusive sua filha mais nova, Amani, para tentar salvar vítimas de abusos que precisavam de ajuda. Mas nem sempre tais tentativas obtém sucesso. Meus parentes começaram a aplaudir e a se animar, pois haviam visto algo que nenhum de nós jamais sonhara possível. Meu pai dera sua atenção total e admiração franca para uma menina. – página 73 Na Arábia, a lei não interfere no que acontece dentro de uma casa, ou seja, se a mulher é espancada e a vizinhança toda sabe disso, ninguém faz nada, pois o ambiente familiar é privado. Sendo assim, Sultana não podia simplesmente tirar mulheres de suas casas abusivas como desejava, ela não podia simplesmente estalar os dedos e fazer tais leis desaparecerem (a política religiosa do país fala mais alto que os direitos humanos), e, o pior, não podia salvar a todas. Neste livro (o quarto da série, mas não há problema em lê-lo sem ter lido os anteriores), a princesa Sultana conta os motivos pelos quais ainda tem lágrimas para chorar. A situação feminina na Arábia deu uma melhorada de alguns anos para cá; algumas mulheres conseguiram ocupar cargos altos na política e na defesa feminina, várias meninas vão para a escola, muitas se formam e vão para a universidade, os crimes contra as mulheres estão sendo punidos... Mas não é o suficiente. Não se mulheres ainda são proibidas de dirigir, de andar sem o véu, de opinar, de recusar um casamento, de pedir o divórcio, de ter uma voz, de ter suas intimidades intocadas, de não serem maltratadas. A repressão sofrida pelas mulheres sauditas é inacreditável, eu sentia como se estivesse lendo um livro sobre a Idade Média, porque simplesmente não podia crer que, em pleno século XXI, alguém ainda poderia ser executada por “praticar bruxaria”. Bruxaria essa era olhar para outra mulher e elogiar sua beleza. Não podia acreditar que um pai poderia estuprar, torturar e matar sua filha de 5 anos e ser defendido pelos clérigos, recebendo uma pena tão pequena por seu crime com a desculpa de que “ele era o tutor da menina, sendo assim, poderia fazer o que quisesse com ela”. Se eu não tiver liberdade para salvar uma única vida, então, viver não significa nada para mim. – página 169 É difícil imaginar que milhões de mulheres vivem em condições tão abusivas quanto às que Sultana nos apresenta neste livro, mas sei que muitas têm vidas piores. Até mesmo a vida da princesa é difícil, ela não foge dos costumes e das regras que são impostas em seu país; Sultana também tem um tutor, alguém que cuida de seu dinheiro, de seus bens; ela não pode andar sozinha na rua, não pode deixar de usar o véu e, em certas ocasiões, o traje preto completo. Sultana também é oprimida, também sofre com o machismo que acomete seu povo desde o nascimento de um bebê (alegria quando é menino, tristeza quando menina), e luta com tudo o que pode para mudar essa situação. Este foi um dos livros mais cheios de sentimento que eu já li na vida, é impossível não sentir a dor dessas mulheres ao virar as páginas, e, mesmo quando há um final feliz, ainda assim, a história continua sendo triste, porque certas cicatrizes nunca vão embora. A autora, Jean Sasson, é uma grande amiga da princesa Sultana, e escreveu este livro em conjunto com ela, e, mesmo colocando sua segurança e vida em risco, a princesa Sultana se sentiu no dever de compartilhar sua história e de seu povo. "Princesa – mais lágrimas para chorar" me trouxe muitos sentimentos, e o mais forte deles foi a revolta. Revolta por ver que as mulheres ainda são tratadas como inferiores não só no Oriente, mas no Ocidente também (por motivos que eu ainda não entendo e nunca entenderei); revolta por ver que muitas mulheres acreditam que este é o melhor e único jeito de viver que existe, que devem sim ser submissas e fazerem o possível e o impossível para satisfazerem seus maridos; revolta por saber que, não importa se morrem uma ou mil mulheres por dia, vítimas de violência física e sexual, as coisas continuarão iguais, pois a opressão é muito grande, e nada pode ser mudado até que todos se voltem para o que está acontecendo, e façam algo a respeito, juntos. Este é um livro triste, revoltante e muito pesado, apesar de ter alguns momentos divertidos (como quando a princesa relata o nascimento de sua filha mais velha). As histórias deixam o leitor com um aperto no coração, desejoso que tudo seja ficção, mas, infelizmente, não é. As histórias são reais, assim com o sofrimento de todas as mulheres que foram retratadas e apresentadas em Princesa. A única coisa negativa do livro é a revisão, encontrei vários erros, tanto nos nomes dos personagens (depois de um tempo você aprende o nome de cada um) quanto em concordância, mas isso não atrapalha muito a leitura, só incomoda, né? Mas, tirando isso, o livro é incrível, e, mais uma vez, triste. Eu não sei bem para quem recomendar este livro, muitas pessoas podem não ter coragem de lê-lo por conta de seu conteúdo, mas acreditem em mim quando digo que vale muito a pena.

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