Nesta edição dedicamos nada menos do que dezesseis páginas da Roadie Crew para a matéria "1987 - O Ano da Consolidação do Metal Brasileiro", pois seu conteúdo é por demais valioso, e rico em informações sobre o que aconteceu no cenário do Metal, há exatos 20 anos, em todas as regiões do país. A Roadie Crew #107 merece ser guardada com carinho e em local de fácil acesso, pois servirá como referência para pesquisa sobre álbuns e bandas que protagonizaram a transição para a fase da maturidade e profissionalismo da música pesada no Brasil, e que viria a atingir o reconhecimento internacional. O trabalho foi idealizado e desenvolvido pelo Ricardo Batalha, que contou com a significativa contribuição de várias pessoas do circuito underground em suas diversas áreas de atuação, entre colaboradores da Roadie Crew, músicos, produtores, jornalistas, lojistas, radialistas, empresários e amigos. A leitura deste texto é deliciosa, apresenta alguns fatos engraçados e também relatos dramáticos, mas principalmente mostra com emoção um período vivido com muita intensidade e paixão. Grande parte dessa história é contada nas palavras dos próprios artistas, ou de personagens que mesmo não sendo músicos, fizeram as coisas acontecerem nesse território árido e pobre econômica, social e culturalmente. E isso com mais 20 anos de atraso em relação aos dias de hoje. Tomar conhecimento dessa imensa batalha (sem trocadilho com o nome do nosso Redator Chefe), em nome da arte musical, nos faz pensar em tentar descobrir o sentido para uma definição simplória: o que significa o termo "música brasileira"? Como é que se caracteriza se uma música é brasileira ou estrangeira? Pois bem, o Samba é brasileiro? Não, nada disso. Essa vinculação do Brasil com gênero musical popularmente conhecido como aquele com o qual se faz a trilha sonora do carnaval do Rio de Janeiro, foi desmascarada por pesquisa conduzida pela Universidade de Essex (Inglaterra), publicada no jornal inglês The Guardian, onde a ligação do Samba com o país do futebol se deu por causa da grande exposição na mídia norte-americana da imagem de Carmen Miranda (portuguesa de nascimento, que morava nos EUA) cantando (muitas vezes em inglês) e dançando Samba em filmes de Hollywood. E o Heavy Metal, é brasileiro? Talvez alguém até pudesse encarar assim, pois, 50 anos depois de Carmen Miranda, o Sepultura nos anos 90 tornava-se conhecido no mundo todo, e por um número de pessoas significativamente maior que Carmen, fazendo com que o Brasil fosse reconhecido no exterior pelo seu trabalho, criando e tocando Heavy Metal. Considerando coisas assim, é muito mais sensato evitar a atribuição de vínculo da música, ou de qualquer forma de manifestação artística, com um determinado país, pois a arte não pode ter nacionalidade. Afinal, países são instituições que podem deixar de existir de uma hora para outra, dependendo do jogo de forças políticas, e a arte é eterna, e não tem pátria. Airton Diniz
Roadie Crew #107 - Heavy Metal & Classic Rock
não informado
Roadie Crew
2007
100 páginas
3h 20m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
Edições (1)
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