A minha primeira impressão desde livro, foi a de total decepção. Primeiro porque eu tinha certeza que ele era uma estória de suspense/policial; mas na verdade ele é um drama.
"Onde está Elizabeth?" me apresentou uma narrativa totalmente nova. A personagem principal é uma senhora de 82 anos que tem alzheimer. E é através de suas memórias confusas que vamos acompanhar o desenrolar do livro.
A linha temporal se intercala entre o presente e o passado, e vamos acompanhar dois mini-mistérios. O desaparecimento da irmã mais velha da protagonista (narrativa no passado) e o suposto desaparecimento de sua melhor amiga (narrativa no presente). Esses mistérios não são os pontos principais da narrativa, e servem apenas como um alicerce para que a estória da personagem principal seja contada.
Não é um livro super fluído (apesar de que pra mim até que foi) exatamente porque ele é muito repetitivo. Esta repetição não acontece porque a autora escreve mal, mas sim porque é algo necessário tendo em vista a doença que assola a protagonista. Maud é uma senhora muito fofa e determinada e durante todo o desenvolvimento que Emma Healey vai apresentando para nós leitores, vamos nos deparando com diálogos que se repetem em praticamente todos os capítulos. A protagonista também fica muito confusa e várias vezes ela mistura o passado com o presente.
O livro não tem nenhuma grande reviravolta, e eu achei a escrita da autora excelente e a maneira que ela desenvolve e aborda o alzheimer é muito real. Eu me conectei demais com os personagens e achei tudo muito palpável. Eu tenho uma tia e um tio-avô que sofrem desta doença e acredito que por conviver com eles, eu acabei gostando mais do livro exatamente por me ver nas situações apresentadas.
Mas eu entendo os milhares de leitores que acharam este livro maçante e arrastado. Ele de fato é tudo isso. Mas pra mim foi uma leitura bem tocante e gostosa!
É muito triste a situação da protagonista e eu me emocionei bastante com a relação dela com a filha e com a neta. Eu conseguia sentir todo o amor que envolvia estas relações. É ainda mais emocionante acompanharmos a narrativa conforme a doença vai piorando, chegando o momento que a personagem central não conseguia mais reconhecer ninguém.
A determinação da Maud (a nossa querida protagonista) em tentar desvendar o que aconteceu com a amigona idosa dela, também é muito fofa. O reflexo de uma verdadeira amizade, escrita com muita sutileza que fazia os meus olhos encherem de lágrimas.
As diversas situações em que a personagem se via como um estorvo para as demais pessoas e sentia muito medo de ir para um asilo e ser esquecida pela filha, faziam eu sentir uma dor no coração. E todas as vezes que algum personagem era irônico ou demonstrava a falta de paciência com ela, eu também achava muito triste.
Emma Healey escreveu um livro emocionante, mas que infelizmente acabou não agradando a maioria dos leitores, devido ao estilo "cansativo" e necessário da narrativa.
É um livro muito bom, apesar das opiniões contrárias de quem o leu. Leiam já tendo noção de que é um drama e que a narrativa é peculiar! E lembrem-se: a velhice chega pra todo mundo e os idosos não devem ser tratados como estorvos.