Esse livro foi, literalmente, um achado. Em um terminal de ônibus esperando minha última viagem para casa encontrei-o na estante da biblioteca comunitária, em meio a tantos outros livros sobre administração, empreendedorismo e outras fábulas. Relutei para iniciar a leitura. Não sei porquê. Seu processo foi muito tenso, prazerosamente denso. O autor é muito bom em descrever o percurso esquizo do personagem. Vivemos em constante dúvida, ao mesmo tempo mergulhados nas memórias. A Psicologia e suas derivações possuem olhares viciados: queremos, logo em um primeiro momento, diagnosticá-lo. Ele refugia-se ao longe, para observar? É um manicômio? Onde ele está? Um corpo nômade, constantemente em movimento, invadindo casas, passagens secretas, velórios de estranhos. Prazerosamente denso. Pois acompanhamos o trajeto do personagem que de diferentes formas apresenta o que Deleuze e Guattari pensavam como não viável ao capitalismo: o esquizofrênico. Não, o livro não é uma apologia aos transtornos mentais, nem sequer um diagnóstico é feito pelo livro. Talvez ele incite a pensar que se deixar guiar pelos afetos no espaço urbano e social, encontrar com diferentes produções de vida-potência pode nos levar à prisão. Ou salvar nossas vidas.

