O Rodrigo é uma pessoa muito inteligente, e essa inteligência transparece no texto através das piadas com o nível certo de sarcasmo e crítica, além de se expressar também no enredo cheio de pequenas metáforas. O que é incrível, porque a história (assim como Brasil Cyperpunk 2115, o primeiro volume) é extremamente bem humorada, de fazer a gente rir alto enquanto lê (alerta pra você vai ler a novela no transporte público).
As referências usadas são super bem dosadas. Apesar da ambientação ser super verossimilhante - acredito que é muito plausível que nosso 2115 seja muito similar ao que é apresentado na novela -, há um grande toque de non sense que deixa tudo ainda melhor.
Achei legal também que o autor não subestima os leitores. A narrativa é bem ágil (tem pancadaria e ação o tempo todo), mas é construída de tal modo que nada é entregue de mão beijada. Talvez seja uma leitura até desafiadora, mas no fim todas as coisas se encaixam e ainda deixam o terreno preparado pra continuação.
Embora faça parte de uma série em quatro partes, é uma novela que pode ser lida sozinha (sob o risco de perder apenas um ou outro background apresentado no volume um), mas recomendo bastante ler na sequência pra capturar todo o passado dos personagens e aproveitar todas as piadas.
O non sense me lembraram muito Snow Crash, a ambientação Cyberpunk remete diretamente a Neuromancer - em versão tupiniquim, já que tudo se passa em São Paulo e Jundia-e (rsrs) - e o humor e as notas de rodapé lembrar os textos de Pratchett e Douglas Adams.
É uma leitura muito, MUITO divertida mesmo, cheia de pequenos tapas na nossa cara. O fim é foda. E o timing do livro é bem legal também, mas vou deixar pra você o prazer de capturar as referências aos acontecimentos atuais