Metropolis -

    Thea von Harbou

    Nihil
    2000
    260 páginas
    8h 40m
    ISBN-13: 9781434103338
    Português Brasileiro

    Metropolis (O livro) talvez seja o maior clássico não celebrado da ficção científica. Apesar de todos reconhecerem a importância do filme de Fritz Lang, de 1927, poucos sabem que o roteiro do filme foi escrito em conjunto com sua esposa, Thea Von Harbou, que era uma escritora famosa da República Alemã que precedeu a Alemanha Nazista, e que esse roteiro originou-se de um romance escrito por Harbou com o único propósito de ser adaptado futuramente para o cinema. O romance apoiou-se fortemente na campanha de marketing do filme, e foi serializado para ser publicado no jornal Illustriertes Blatt em conjunto com o lançamento do filme. Harbou e Lang trabalharam juntos em um roteiro derivado desse romance, e vários pontos importantes e elementos temáticos – incluindo a maioria das referências à magia e ocultismo presentes no romance – foram descartados. Recentemente, em julho de 2008, foi descoberta uma versão do filme com vários minutos que tinham sido cortados, e após muita restauração foi lançada uma nova versão do filme em fevereiro de 2010. Metropolis se passa em 2026, a população está dividida em duas classes: a elite dominante e a classe operária, que vive num mundo subterrâneo, escravizadas pelas monstruosas máquinas que fazem funcionar a todo vapor a cidade. Uma revolução operária é planejada, mas sempre impedida pela líder Maria. O chefe da cidade pede a um cientista maligno que construa um robô à imagem e semelhança dela, para que possa incitar os trabalhadores à revolta.

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    Héliton picture
    Héliton21/09/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O cérebro, as mãos, o coração. A inolvidável Metrópolis

    Sendo um apreciador de ficção, já conhecia Metrópolis por nome, a partir de obras como Batman e Superman, que foram influenciadas por ela em alguns pontos, ambas pelas cidades apresentadas, e ao ler, algumas outras me vieram a mente; por mais ínfimo que seja, ela está presente em muitas outras obras nesse seguimento do mundo ficcional científico, mantendo e elevando ainda mais a importância dela com o passar dos anos. A história começa a partir de uma cena onde Freder, o único filho do Senhor de Metrópolis, percebe o quão distorcida e privilegiada é a sua vida em comparação aos "trabalhadores", mas isso foi apenas uma centelha acionada dentro dele no momento em que seus olhos se encontram com os de Maria, uma profetisa e a voz dos operários, que se torna um fascínio para ele e que o faz mudar sua perspectiva de vida. Freder se vê em uma cidade onde muitos vivem bem sobre ela com suas riquezas, seus hobbies e felicidades intocáveis, porém muitos mais vivem no subsolo sem qualquer ilusão de convalescença, pois onde se vê beleza estonteante por fora, uma cidade de tanta luz e dinheiro, há uma outra abaixo dela, obscura e com sua população condenada ao trabalho extensivo para o funcionamento de Metrópolis. Nesse romance de Thea Von Harbour que se passa em uma cidade de milhões de habitantes, os personagens centrais não são exatamente os que são apresentados a nós; as pessoas, os que surgem na narrativa, servem como uma ponte para explorar justamente O Verdadeiro personagem principal, que é a própria cidade de Metrópolis. Do início ao fim se usa uma linguagem personificada em relação as máquinas, a cidade e a A Nova Torre de Babel, exaltando a magnitude do poder e a beleza dela, um lugar que enche os olhos de quem a vislumbra pela primeira vez com fascínio e encanto. Pessoalmente falando, achei a narrativa boa, apenas, pois a forma que é contada glorificando a cidade de Metrópolis é bem exagerada, confusa até; no geral, essa edição da editora Aleph faz com que o livro se torne algo bem completo tendo como o prefácio e posfácio para esclarecer os temas abordados em "Metrópolis" e sobre as suas influências no meio. Nessas informações extras é abordado um dos pontos mais sensíveis do livro, que é a relação da autora com o regime nazista, assim como sua vida com seu marido Fritz Lang, bastidores do filme, comparações entre o roteiro do filme com a narrativa original de Thea, entre outras coisas mais além de ilustrações ao fim de cada capítulo. Vale ressaltar essa questão polêmica da relação da escritora com o nazismo, algo que nos faz questionar sobre a mudança de percepção de uma obra ao conhecer seu criador, e que nos leva a uma pergunta inevitável: Se pode desmerecer uma obra pelo seu autor? "Metrópolis" faz parte daquelas Obras geniais com autores com princípios diferentes dos nossos ideais. Eu li por curiosidade (ok, leio muita ficção, gosto, mas a curiosidade também foi um incentivo para ler ele antes de outros mais) e ainda relerei ele futuramente, porque querendo ou não, é interessante de várias formas pelo que gerou e pelo que ainda gera no meio fictício.

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