Creio que esse seja um livro que normalmente é lido apenas por aqueles que compartilham das mesmas crenças do autor, um cristão protestante, e por isso tem uma nota elevada aqui no skoob.
A mim, porém, pareceu um livro bem ruim.
Primeiramente, o aspecto material: edição econômica, capa mole sem orelhas, papel branco. O design da capa me pareceu amador (inclusive, não sei se havia alguma intenção artística nisso, mas dá pra ver os pixels da imagem). Alguns erros de digitação, mas não tantos.
Quanto ao conteúdo, até que há alguns trechos interessantes, mas o problema é que isso está no meio de muita coisa repetitiva e clichê (sei que não é um livro de entretenimento literário, mas um livro em que se pretende narrar histórias reais sempre focadas no mesmo tema, a conversão, a mudança repentina de mentalidade e da vida de algumas pessoas), mas ainda assim, devo dizer que ficar um pouco chato e repetitivo.
Mas esse não é o principal problema. Algumas narrativas me pareceram francamente desagradáveis e nada emocionantes como se pretendia. Por exemplo, o último capítulo é dedicado a contar a história, tão clichê em nossa sociedade contemporânea, de um filhinho de papai que inicialmente não se interessa por seguir os passos do pai numa carreira bem sucedida (no caso, carreira de evangelista), mas em vez disso prefere curtir a vida adoidado. Até que chegando a uma certa idade passa por uma crise existencial e resolve seguir a mesma carreira do pai. Não é um narrativa diferente da que vemos com tanta frequência com atores ou cantores que com seu renome garantem a entrada bem sucedida de de seus filhos no seu ramo (mesmo que por vezes esses filhos sejam artistas medíocres). Sinceramente, nada tocante.
Outra história narra sobre uma esposa que foi traída por seu marido pastor, mas se mantém firme no casamento porque, afinal de contas, tendo sido revelado o escândalo do adultério, o pastor perdera o emprego e, assim, a renda da família "caíra em 90% e era melhor não arriscar piorar a situação" e então, com o tempo, ela esquece a traição do marido e sua vida segue como se nada houvesse acontecido. Honestamente, nada exemplar, nada emocionante.
Num capítulo ainda pior, conta-se a história de um assassino e torturador do alto escalão do regime cruel de Pol Pot no Camboja: derrubado o regime, esse torturador se converte e vira pastor, até ser encontrado e preso. Lee Strobel e seu entrevistado terminam o capítulo com uma infame reflexão: "é cruel pensar que, por ter se convertido e aceitado cristo, esse assassino e torturador vai para o céu, ao passo que muitas de suas vítimas inocentes que morreram depois de muito sofrimento em seu matadouro vão para o inferno por serem budistas (o budismo é majoritário no Cambodja). É cruel mesmo, e é isso que me motiva a pregar o evangelho". Fala sério!
A única história que me pareceu cativante foi a do capítulo seis, sobre um "sem-teto" que, depois de ter chegado ao fundo do poço consegue retomar a dignidade de sua vida a partir de um gesto inesperado de uma outra pessoa.