Como faço com absolutamente todos os livros que leio, pesquisei bastante antes de decidir ler Frostblood. Sempre faço questão de ler resenhas, principalmente as negativas. Elas já me deixaram esperando um livro extremamente parecido com todos os clichês de fantasia YA, e foi exatamente por isso que decidi ler. Não esperava nada diferente, único e incrível. Gosto muito de fantasia YA e, admito, muitas vezes o que quero é exatamente o clichê. Mas, infelizmente, não é esse o maior problema de Frostblood.
Em questão de enredo, se eu explicasse ponto por ponto o que acontece aqui, como faço no meu caderno de resumos dos livros que leio, este livro pareceria incrível! Sim, tem bastante reviravolta previsível, nenhum personagem inesperado ou único e só conseguiria surpreender quem nunca leu outro livro nesse gênero. Mas o enredo, as cenas e os acontecimentos são todos interessantes. O problema mesmo foi a escrita.
Acho que nunca encontrei uma escrita tão seca e sem emoções — o que fica ainda mais gritante no meio de um enredo bastante movimentado e cheio de cenas que deveriam ser emocionantes! Foram tantas coisas importantes e pesadas acontecendo de um jeito leve e banal, que senti que lia um resumo às vezes. Tem autores que conseguem te fazer se sentir na pele do personagem nas histórias mais comuns e simples, e aí tem autores como Elly Blake, que não conseguem te fazer sentir nada, nem em cenas que deveriam ser devastadoras!
Ainda estou abismada por ter passado por tanta coisa com a protagonista sem ter sentido absolutamente nada. Nada. Sério, nada! Talvez essa seja a única característica surpreendente do livro.
O final é, na minha opinião, a pior parte. Além de continuar sem emoções em cenas dramáticas, a autora correu tanto com os acontecimentos e fez tanta coisa louca acontecer — coisa que, até então, a falta de cuidado na criação do mundo e dos poderes não tinha dado a menor noção sobre ser possível ou não, — que ficou difícil de levar muita coisa a sério. Não tenho ideia do que ela planeja fazer para o resto da trilogia, que admito talvez ainda querer ler.
O fato é que ficou tudo bem corrido e passado por cima. A criação do mundo é batida e simples, e os personagens são todos muito parecidos. No máximo, Ruby e Arcus se destacam, mas eles estão longe de serem marcantes. Essa falta de emoção da escrita aparece também nos diálogos e nas coisas mais fáceis, o que deixa claro que não tinha mesmo como salvar. Até entendo que deve ser difícil descrever uma cena de batalha e fazer o leitor se sentir na pele da personagem. Mas não conseguir deixar nem um diálogo simples crível é sinal de que tem coisa bem errada aí.
Se eu fosse a editora desse livro, faria a autora trabalhar em cima de cada cena com mais cuidado e mais significado. Quando a história fica superficial, é porque o autor ainda não deu significado o suficiente para ela. Mais do que isso, queria que todo esse enredo tivesse sido estendido até no mínimo quinhentas páginas bem trabalhadas e que o final deste livro fosse definitivo. Teria sido bem melhor se a autora tivesse preferido caprichar só nesse do que tentar criar uma história superficial e batida para durar três livros.
Imaginar esse enredo, com todas suas características clichês, escrito por uma autora competente — me frustra e — me prova que ser previsível não está nem perto de ser seu maior defeito! Teria sido incrível se a escrita fosse melhor!
E a única razão para eu ainda estar disposta a ler os próximos foi este livro não ter sido ofensivamente ruim. Não me fez sentir nada, mas foi uma leitura rápida e aceitável. Sim, dá para ficar bem pior. Bem pior.