Elizabeth I - Uma biografia

    Lisa Hilton

    Zahar
    2016
    416 páginas
    13h 52m
    ISBN-13: 9788537815595
    Português Brasileiro

    Um retrato original e definitivo da Rainha Virgem narrado com todos os elementos de um impressionante romance Filha de Henrique VIII e Ana Bolena, Elizabeth I foi a quinta e última monarca da dinastia Tudor e a maior governante da história da Inglaterra, que sob seu comando se tornou a grande potência política, econômica e cultural do Ocidente no século XVI. Seu reinado durou 45 anos e sua trajetória, lendária, está envolta em drama, escândalos e intrigas. Escrita pela jornalista e romancista inglesa Lisa Hilton, essa biografia apresenta um novo olhar sobre a Rainha Virgem e é uma das mais relevantes contribuições ao estudo do tema nos últimos dez anos. Apoiada em novas pesquisas, oferece uma perspectiva inédita e original da vida pessoal da monarca e de como ela governou para transformar a Inglaterra de reino em "Estado". Aliando prosa envolvente e rigor acadêmico, a autora recria com vivacidade não só o cenário da era elisabetana como também o complexo caráter da soberana, mapeando sua jornada desde suas origens e infância - rebaixada de bebê real à filha ilegítima após a decapitação da mãe até seus últimos dias.

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    Isis Ravanhani 21/04/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O Príncipe Mulher de Maquiavel

    “Astute pectoris virilisque constantiae feminina” O livro é dividido em 28 capítulos e abre totalmente a vida da segunda rainha a governar a Inglaterra e todas as aventuras que ela passou até finalmente chegar ao trono – assim passando na imagem de bastarda até esfinge da autoridade inglesa, no qual construiu uma das monarquias mais fortes de poderosas do mundo, trazendo a Inglaterra a sua Era de Ouro. Uma das poucas rainhas inglesas e provavelmente uma das caricaturas mais conhecidas no mundo. Qualquer pessoa pode reconhecer a maquiagem ofensivamente branca, os cabelos vermelhos e os vestidos e joias extravagantes ao extremo, para não dizer exuberantes. Filha de nada mais do que Henrique VIII e Ana Bolena. Seu pai terminou um casamento de 15 anos para estar ao lado de sua mãe afim de produzir um varão para governar o Rino Unido e como consequência disso rompeu com a Igreja Católica, já a sua mãe foi decapitada ao falar na sua missão, sendo acusada por alta traição, adultério e incesto, por mais que a mesma negasse a até o seu último minuto. A princesa nasceu no Palacio de Placentia em Greenwich, recebendo o nome em homenagem a sua avó paterna – Elizabeth de York, a princesa branca e matriarca da dinastia Tudor). Apesar de todas as reviravoltas da corte, Bess teve uma infância tranquila ao lado das suas criadas e governanta, Margarida Bryan, e em alguns momentos, a sua meia irmã Maria I e seu meio irmão Eduardo VI. “Mas o rei e uma mulher?” – grito de uma súdita quando finalmente viu Elizabeth caminhando entre o publico no dia da sua coroação. Existem ligações com outras personalidades históricas que até então são pouco faladas como o czar Ivan IV. Entretanto a ligação mais curiosa seria da personalidade da própria Elizabeth com os conceitos de Maquiavel, presentes em uma de suas obras mais notórias: O Príncipe. Aqui aprendemos que Elizabeth possuía uma inteligência extremamente calculista e aguçada, o que permitiu que a mesma pudesse avançar com êxito nos jogas diplomáticos entre das monarquias europeias; reis, rainhas, embaixadores, diplomatas. Elizabeth era a encarnação de O Príncipe de Maquiavel. É afirmado que ela possuía uma cópia da obra entre os diversos livros de sua coleção, mas é impossível saber se ela chegou a degustar a obra e aplicá-la em seu jogo de guerra. Uma mulher de natureza política. “Não sou mais que um corpo, considerado natural, embora com sua permissão, um corpo político para governar.” O livro mostra como o reinado da segunda rainha inglesa seguiu os farelos deixados pela primeira: Maria I (filha do primeiro casamento de Henrique VIII com Catarina de Aragão – infanta espanhola). O reinado de Bess foi meticulosamente calculado, o que provavelmente tem como consequência a sua vitória em construir um governo solido e prospero. “Como rainha sua tendencia constante era evitar agir até o último momento possivel recosendo-se a intervir até que fosse obrigada a fazer.” Bess viveu em um século no qual as mulheres reais reivindicavam os seus direitos em um período no qual o governo feminino ainda é extremamente abominado. Assim podemos acompanhar a crise gerada na dinastia francesa: Os Valois. Existem diversas outras brechas no qual o leitor que não é familiarizado com história vai deixar passar, como o caso de Elizabeth com Thomas Seymour, , as participações de Shakespeare, Christopher Marlowe e Cecil (o escuro de Elizabeth). Fora os ‘casos amorosos’ de Bess com Robert Dudley e os seus pretendentes reais – existe um cuidado extremo para não se romantizar coisas que era apenas fruto do amor cortes. Fruto de sua época, Bess gostava de esportes que hoje seriam considerados cruéis, preferia liberdade a ser confinada nos aposentos escuros e poeirentos dos palácios – a rainha amava tudo aquilo que a sua posição não lhe permitia. “Quando não podia montar, Elizabeth gostava de dançar, especialmente nos primeiros anos como rainha, a escandalosa ‘volta’, na qual o par masculino ergue a dama segurando-a por entre as saias, frequentemente expondo as pernas. Dançar e caçar eram atividades muito atinentes à corte, mas Elizabeth foi uma criatura de sua época em outros aspectos, divertindo-se não só em brigas de galo, como também em ‘espancamento de ursos’.” Entretanto, apesar de todas as desavenças a vida, morte de seus entes queridos, execução de Mary da Escócia, diversas tramas contra o seu reinado, tentativas de assassinato e entre outros acontecimentos – Elizabeth I governou por 45 anos e transformou a Inglaterra em um país poderoso e temido, sendo o primeiro a derrotar a grande Armada Espanhola. A Rainha Virgem. Gloriana. “Se uma mulher se torna máscula e forte de acordo com a vontade de Deus, ela será contada entre os homens que se sentam à mesa de Deus.”

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