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    Onde os velhos não têm vez -

    Cormac McCarthy

    Alfaguara
    2006
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-10: 8573027665
    Português Brasileiro
    4.2
    1059 avaliações
    Leram1379Lendo75Querem1650Relendo1Abandonos33Resenhas158
    Favoritos82Desejados1650Avaliaram1059

    Escritor elogiado pela crítica, com os prêmios Faulkner Award, National Book Award e National Book Critics Circle Award no currículo, Cormac McCarthy apresenta em Onde os velhos não têm vez um ''faroeste sem compaixão'', que lembra os filmes de Quentin Tarantino, como bem comparou o jornal The New York Times. O livro mistura ação, suspense e violência numa prosa ágil e enxuta. Ambientado nos anos 80, na fronteira do Texas com o México, a trama tem três personagens centrais: Llwelyn Moss, um caçador que acidentalmente encontra um carro com corpos crivados de bala, um carregamento de heroína e mais de dois milhões de dólares abandonados no meio do deserto; o xerife Bell, encarregado de investigar o caso; e o psicopata Anton Chigurh, contratado por um cartel para reaver o dinheiro. Quando decide pegar o dinheiro e fugir, Moss passa de caçador a caça. A narrativa se transforma, então, em uma eletrizante história de suspense e perseguição, em que cada personagem parece determinado a encontrar a resposta à pergunta que um deles faz: como se decide o que sacrificar na vida? Cormac McCarthy conta a história em duas vozes narrativas distintas. A maior parte do texto é narrada em terceira pessoa, intercalada com as reminiscências do xerife Bell, em primeira pessoa. O personagem é porta-voz das reflexões de McCarthy sobre temas sempre presentes em sua obra, como niilismo e existencialismo. O xerife vocifera sobre como o país muda para pior, fala das pessoas que não têm mais boas maneiras, do aumento de crimes horríveis e de como ninguém "respeita mais a lei". Para a revista Publishers Weekly, ''a ação do romance é arrebatadora, mas é a sabedoria do xerife Bell que faz do livro uma meditação profunda sobre a batalha do bem e do mal''.

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    Flávia picture
    Flávia03/02/2024Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    NADA NA VIDA É MAIS CRUEL QUE UM COVARDE.

    “Onde os velhos não têm vez” é um romance western e policial de um dos maiores escritores norte-americano contemporâneos, Cormac McCarthy, que ficou conhecido “por suas representações gráficas de violência e seu estilo de escrita único, reconhecível por um uso esparso de pontuação e atribuição”. Publicado em 19 de setembro de 2006, o romance tem como cenário o impiedoso deserto da fronteira do Texas com o México nos anos 1980. A trama inicia quando Llewelyn Moss, um jovem veterano da guerra do Vietnã, está à caça de antílopes próximo ao Rio Grande, e se depara com uma cena violenta de corpos cravejados de balas, um carregamento de heroína e mais de 2 milhões de dólares. Quando decide pegar o dinheiro, Llewelyn sabe que aquele é o exato instante em que sua vida mudará para sempre, tendo ali iniciado uma verdadeira caça de homens. No encalço de Llewelyn está o psicopata Anton Chigurh, contratado por um cartel para reaver o dinheiro, que por sua vez será perseguido por um ex-agente das forças especiais americanas. E atrás de todos eles, está o Xerife Bell, um homem atormentado por um segredo do passado, que segue sua vida tendo por base seus mais fortes valores morais. Nesta caçada sanguinária, o destino de cada um deles dependerá do quanto estarão dispostos a sacrificar tudo em suas vidas. A narrativa de Cormac muito embora seja econômica, possui uma agilidade e fôlego tão impressionantes que nos sentimos apreensivos em várias partes da leitura. E toda essa angústia e apreensão serão os elementos fundamentais para abrir caminho ao impacto que sofreremos com cada uma das tragédias que acompanham essa história do seu começo até o fim. Apesar de toda a violência, acompanhar a cada início de capítulo os pensamentos, divagações e confidências pessoais do Xerife Bell, nos faz refletir sobre importantes temas, tais como os laços de amor, de sangue e os deveres que assumimos com cada pessoa que cruza o nosso caminho, cujas escolhas que tomamos serão responsáveis por moldar a nossa vida, tanto quanto poderão ser aquelas capazes de mudar completamente o nosso destino. A cada livro que leio do McCarthy, eu confesso que me apaixono ainda mais pela sua escrita e por esse irresistível universo de faroeste que ele nos apresenta. E muito embora, neste romance específico, eu preciso dizer que seu final foi tão abrupto, a ponto de dar aquela sensação de que algo ficou faltando, não há como encerrar essa resenha sem dizer que McCarthy é um verdadeiro mago das palavras, que ao descrever seus cenários e nos fazer mergulhar na vida dos seus personagens, ele é capaz de nos transportar para esse universo árido e brutal, que mesmo sendo repleto de tragédia, também é repleto por essa moral que rege a nossa humanidade. “Meu pai sempre me disse para apenas fazer o melhor que puder e dizer a verdade. Dizia que não havia nada capaz de deixar um homem com a mente mais tranquila do que acordar pela manhã e não ter que tentar decidir quem você é. E se você fez alguma coisa errada apenas se levante e diga que fez e que sente muito e siga em frente. Não arraste as coisas junto com você.”

    108 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.2 / 1059
    • 5 estrelas35%
    • 4 estrelas46%
    • 3 estrelas16%
    • 2 estrelas3%
    • 1 estrelas1%
    Charles McCarthy, Jr. profile picture

    Charles McCarthy, Jr.

    Cormac McCarthy (Rhode Island, 20 de julho de 1933) é um escritor norte-americano. Na juventude serviu na Força Aérea dos Estados Unidos durante quatro anos, e estudou Artes na Universidade do Tennessee. É vencedor do National Book Award, do National Book Critics Circle Award e do Prémio Pulitzer de Ficção 2007. Em 40 anos de carreira literária, produziu nove romances, entre eles Todos os Belos Cavalos, A Travessia e Cidade das Planícies, que o autor batizou de Trilogia da Fronteira. Onde os Velhos Não Têm Vez, lançado nos Estados Unidos em 2005, foi adaptado para o cinema pelos irmãos Joel e Ethan Coen, em seu filme No Country for Old Men, lançado em 2007 e vencedor do prêmio Oscar de melhor filme, em 2008. Avesso a entrevistas, Cormac McCarthy gosta de manter sua privacidade. O escritor tem sido comparado nos últimos anos a outros grandes nomes do romance contemporâneo norte-americano, como Don Delillo, Philip Roth ou Thomas Pynchon. No Brasil, McCarthy já foi publicado pela Editora Objetiva, pelo selo Alfaguara e pela Cia. das Letras, com os títulos Onde os Velhos Não Tem Vez, A Estrada, Meridiano de Sangue, Todos os Belos Cavalos, A Travessia e Cidade das Planícies.

    34 Livros
    197 Seguidores
    Rhode Island, Estados Unidos

    Charles McCarthy, Jr.