Em Whitechapel, em 1888, pelo menos cinco mulheres foram brutalmente assassinadas e mutiladas. O assassino tornou-se conhecido como Jack, o Estripador. Houve muitos suspeitos, porém ninguém foi preso pelos crimes. Este livro apresenta um novo suspeito a partir de um manuscrito redigido nos anos 1920 por James Willoughby Carnac. O texto abrange desde a sua infância até a sua morte, e contém informações que nunca foram divulgadas. Além disso, os acontecimentos da época e a geografia de Whitechapel, em 1888, são descritos com total precisão, tornando James um convincente Jack, o Estripador. Para completar, o motivo oferecido por ele, para ter se tornado um assassino, nos faz crer que seu relato é puramente genuíno. Seria este livro a verdadeira confissão de Jack, o Estripador, ou um extraordinário romance muito bem escrito?
Eu Sou Jack, O Estripador - A autobiografia do mais famoso assassino da história
James Carnac
Quem nunca ouviu falar de Jack, o Estripador? Com horror, espanto e, até, um quê de curiosidade: "onde viveu? Onde morou? Morreu? O que fazia? O que comia? Hoje, no Caverna Literária". Começamos o livro não diretamente com a autobiografia, mas com algumas explicações sobre 3 pessoas que tiveram a oportunidade de ter um primeiro contato com o livro. Alan Hicken, do Mantacute TV, Radio and Toy Museum; Paul Begg, historiador de crimes e, além: Sydney George Hulme Beaman, que teria sido o tutor do testamento de Carnac, nosso Jack. Antes da breve introdução dos três que possibilitaram que os livros chegassem às mãos do público, temos um mapa da região de Whitechapel, onde ocorreram os assassinatos para que o leitor possa se situar durante as passagens que citam nomes de ruas, etc. O livro começa, então, com a narração de James Willoughby Carnac, assumindo a autoridade dos crimes e contando sua história de vida. O livro é dividido em III partes: o antes, o momento Jack e o depois. Contando sua história como criança, apesar dos problemas familiares, é possível identificar em Carnac alguns pensamentos que seriam considerados desvios para uma sociedade de bem, como ele gosta de chamar. Na adolescência, esses desejos estranhos e atração pelo macabro de James pioram e aumentam: ele cria um fascínio por facas, o que o faz ingressar na faculdade de medicina, puramente pelo desejo de dissecar carne humana. Apesar do livro possuir poucos diálogos, a sensação que nos é passada, é que ele tinha contato com poucas pessoas e era bastante introvertido. Chegou a quase noivar, mas foi quando as coisas apertaram um pouco: James começou a ter alucinações e desejos malucos por gargantas pulsantes. Mais especificamente, cortá-las. Não achem que isso é um spoiler, por favor, porque é meio óbvio considerando tudo que ele fez com suas vítimas. Mas o que me chamou a atenção foi a lucidez da mente de James, mesmo quando sentia um desejo incontrolável de cortar gargantas e enquanto tinha suas alucinações. Ele sabia que não era real, ele conversa com o leitor, o tempo todo, falando sobre como a "sociedade de bem" o julgaria e o que você, leitor, uma pessoa sensata, acharia do pensamento dele. Ou seja, não é alguém simplesmente maluco que acha que está certo: ele sabe tudo o que há de errado, mas encontra sua justificativa dentro disso. Aqui eis um ponto que muito me chama a atenção: o porquê de ele assassinar prostitutas. Que, em sua concepção, são uma vergonha para a sociedade e para si mesmas, e só podem contribuir espalhando DSTs. Sendo assim, James assassina sua primeira vítima tentando se livrar um pouco de seu desejo insano de cortar gargantas, para tentar não matar "acidentalmente" um membro verdadeiramente útil da sociedade. Além, a moral dele é tão conturbada ao ponto de quando a polícia prendeu o primeiro suspeito, ele ficou apreensivo porque não queria que um inocente fosse preso em seu lugar. Os assassinatos, entretanto, não são tão descritos quanto eu achei que seriam. Em partes, talvez, porque o tal Beaman, do testamento, disse ter tirado as partes horrendas. Mas fica aquela dúvida "se ele tirou, por que ainda tudo se encaixa tão bem? Não ficou aquela lacuna?" O motivo dos assassinatos terem parado me surpreendeu, foi realmente algo que nunca pensei. Achei interessante, mas considerando que não há provas de que James Carnac foi de fato Jack, ou que sequer existiu, tudo deve ser colocado na balança. Na balança do livro, por fim, de toda a sua história, até a terceira parte, após os assassinatos e já durante sua velhice, fiquei pensando... Existe, também, no final do livro fala dos historiadores para nos ajudar a refletir. Por fim, não sei. James pode muito bem ter sido Jack, como também pode ter sido que Beaman escreveu o livro a partir das memórias de Jack, o seu conhecido. Por que não? É bem interessante a análise sobre o livro ter sido datilografado em máquinas diferentes, e gostei muito da editora ter usado uma letra que imitasse a datilografia. Mas, no fim, só quem lê pode, sozinho, opinar. Eu marquei um número de quotes absurdo nesse livro, desde frases absurdas à frases que eu ficava "nossa!" Aliás, no meio do livro há fotos de algumas localidades e fotografias mortuárias (tenso!) das assassinadas. É difícil para mim, associar o livro à algo que aconteceu de verdade, talvez por ter sido há tanto tempo. Porém, Jack ou não Jack, ele aterrorizou Whitechapel durante o ano de 1888 e fez suas vítimas: Martha Tabram, Mary Ann Nichols, Annie Chapman, Elizabeth Stride, Catherine Eddowes, Mary Jane Kelly. Independente da vida que levaram à época, tiveram um fim perturbadoramente trágico e, para trás, restaram apenas memórias e a tristeza da família. Parabéns à Seoman pela edição gráfica. A capa do livro é SENSACIONAL, eu não consigo parar de olhar pra ela! As páginas amareladas e a escolha da fonte foi sensacional. Poucos erros de digitação foram encontrados, mas a leitura com certeza não foi prejudicada. Posso apenas indicar a leitura para quem gosta de livros policiais/criminais, já avisando que esse livro é muito mais para tentarmos analisar uma mente perturbada e pesar se James existiu, ou não.
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