Alexandrias
Eu ainda acho o Douglas Adams a pessoa mais legal que já existiu. Quem leva uma revista de computadores para uma expedição para ver gorilas ou tenta esconder um desodorante num trem chinês? Simplesmente tudo que ele escreve é fascinante. Na verdade não sei porque um livro sobre zoologia, que eu gosto tanto, eu ignorei por tanto tempo. O livro fala sobre animais ameaçados e a última chance de vê-los. Assim como este livro, às vezes ignoramos por tempo demais. Eu, como biólogo, fiquei severamente abalado pelos relatos. Se eu tivesse lido no ensino médio talvez eu estaria em algum lugar tentando salvar uma espécie da extinção. Um tempo se passou desde o livro e temos muitos sucessos, mas dois animais vistos aqui já foram extintos, a espécie de rinoceronte e o Baiji. Já não poderemos vê-los. Assim como Adams q nos deixou precocemente, o livro encerra com sua importância: o mundo fica mais triste com estas perdas. O livro é muito bem escrito. Me fez gargalhar e logo em seguida encher meus olhos de lágrimas. É bizarro como estava rindo deles em uma cena colocando uma camisinha num microfone e poucas linhas depois eu estava chorando. Uma metáfora no fim me fez pensar em como a extinção de espécies é cruel. Além de não sabermos até onde os ecossistemas aguentam, estamos queimando livros sem poder ler. Eu como taxonomista posso apenas nomear novos títulos de livros que o fogo vai consumir. A extinção de espécies é como diversas bibliotecas de Alexandria pegando fogo. Imagino o que ele não sentiria vendo a atual situação no Brasil onde o fogo é literal. Estamos queimando histórias, mas ainda bem que eu pude ler esta aqui.



