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    A rainha dos cárceres da Grécia -

    Osman Lins

    Comapanhia das Letras
    2005
    232 páginas
    7h 44m
    ISBN-10: 8535906827
    Português Brasileiro
    4.1
    80 avaliações
    Leram137Lendo12Querem169Relendo0Abandonos4Resenhas4
    Favoritos11Desejados169Avaliaram80

    Reedição do último livro de ficção escrito por Osman Lins. O narrador-personagem descreve um romance dentro do romance na forma de um diário, em um grande exercício de experimentação da escrita. Osman Lins segue a trilha de inovações formais de Nove, novena (1966) e Avalovara (1973) nesta que foi a última obra de ficção do autor. Nele, "um obscuro professor secundário" de biologia tenta, dia após dia, interpretar o único romance escrito por sua falecida amante, Julia Marquezim Enone, chamado A rainha dos cárceres da Grécia. Durante a leitura, a voz do professor se mistura com a de sua musa, e ambas se dissolvem na trajetória da personagem-narradora criada por Julia, a delirante Maria de França, que empreende uma jornada kafkiana pelos labirintos do INPS em busca da aprovação de sua aposentadoria por invalidez. Ao desvendar as desventuras e delírios de Maria de França, o professor contamina a narrativa com suas lembranças. A leitura do livro dentro do livro torna-se uma forma de o professor entender as suas angústias e as de sua amada. Através da memória, as histórias e seus relatos transcendem o tempo, num grande exercício de experimentação da escrita.

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    Resenhas (4)Ver mais
    Paulo Santoro picture
    Paulo Santoro25/04/2010Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Anotação de 1998

    É claro que o fantasma de Borges assoprou a pena de Lins. Mas Osman Lins manuseou intelectualmente suas idéias brilhantes e construiu um romance absolutamente espetacular, seguramente mais revolucionário que o seu contemporâneo "Zero", sem as invencionices gráficas de Loyola. Ele conseguiu operar em diversos níveis da realidade, da citação literal de jornais da época com notícias verídicas às elucubrações verbais de Maria de França, personagem fictícia criada pela romancista Julia Enone, por sua vez personagem fictícia criada pela análise do professor, por sua vez personagem fictícia que, criada por Osman Lins, vem a identificar-se com Maria de França, num inspiradíssimo final em que rompem o livro que lemos as características marcantes descritas e explicadas pelo professor, que integrariam, na verdade, o romance "A rainha dos cárceres da Grécia", de Julia Enone. Romance total. Repleto de histórias e repleto de teorias sobre o fazer do romance, o que o irmana ao contemporâneo "A hora da estrela", sem, contudo, o seu lirismo: apesar da paixão ocasional, "A rainha dos cárceres da Grécia" é um edifício do intelecto, que finge estar jogando às claras quando na verdade está dando estranhas cartas marcadas. O mais curioso é que o analista apressado eu, digamos sente que o simples ato de alinhar frases sobre o volume vai resultando involuntariamente num espelhamento do ato do narrador do livro. Osman Lins, apenas com esta obra, está entre os principais autores de ficção de nosso século.

    9 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.1 / 80
    • 5 estrelas41%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas20%
    • 2 estrelas3%
    • 1 estrelas4%
    Osman da Costa Lins profile picture

    Osman da Costa Lins

    Aos 16 dias de nascimento, Osman Lins perdeu a mãe. Sem lembrança visual da mãe ou fotografia dela, sua obra - de algum modo - traz esse traço biográfico: o de tentar reconstituir o rosto de alguém muito amado, porém desconhecido. A educação primária foi feita entre 1932 e 1935, no Colégio Santo Antão. O ginásio foi feito entre 1936 e 1940 no Colégio Vitória. Em 1941 transfere-se para Recife e inicia sua atividade profissional como escriturário na secretaria do colégio. É dessa mesma época - nos jornais da capital - que aparecem as primeiras histórias do escritor ("Menino Mau","Fantasmas", etc.). Em 1943, por concurso, vai trabalhar no Banco do Brasil e, entre 1944 - 1946, realiza o curso de Finanças pela Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Recife. Entre 1947 e 1953 casa-se e tem 3 filhas: Litânia, Letícia e Ângela. Seu reconhecimento público veio com o livro "O Visitante" (1955). Em 1957 publica "Os Gestos" (contos) e "O Vale sem Sol"(teatro). Em 1960 conclui o curso de Dramaturgia na Universidade do Recife e, em seguida, vai para a Europa, através de uma bolsa de estudos oferecida pela Aliança Francesa. Nesse período (1961) sua peça teatral "Lisbela e o Prisioneiro" estreia no Rio de Janeiro e o romance "O Fiel e a Pedra" é publicado. Em 1963 publica "Marinheiro de Primeira Viagem" e, em 1966 publica os contos de "Nove, Novena" (livro considerado seu divisor de águas, quanto a sua poética) e, em 1973 aparece o exuberante "Avalovara". Seu último livro, "A Rainha dos Cárceres da Grécia", é publicado em 1976. O escritor falece dois anos depois, em 1978.

    31 Livros
    39 Seguidores
    Pernambuco, Brasil

    Osman da Costa Lins