Entrar
    Book cover
    Compartilhar
    Editar
    • Sinopse
    • Edições1
    • Vídeos0
    • Grupos0
    • Resenhas4
    • Leitores148
    • Similares0
    Skoob logo

    Saiba mais

    Quem somosTermos de usoFale conoscoCentral de ajudaPrivacidade

    Fique por dentro

    Livros em destaque

    Explore

    LivrosAutoresEditorasLeitoresCortesias

    Siga nas redes sociais

    Baixe o app

    Google PlayApp Store

    Morte Súbita -

    Álvaro Enrigue

    Companhia das Letras
    2016
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9788535927153
    Português Brasileiro
    3.3
    32 avaliações
    Leram39Lendo1Querem105Relendo0Abandonos3Resenhas4
    Favoritos4Desejados105Avaliaram32

    Caravaggio e Quevedo se enfrentando numa partida de pallacorda é mesmo uma senhora fantasia. Se a Europa seiscentista é como uma grande quadra onde se confrontam a Reforma Protestante e a Contrarreforma Católica, o pintor italiano e o poeta espanhol também encarnam o embate entre duas maneiras de viver e de fazer arte: Caravaggio, o artista apesar das circunstâncias, com sua sexualidade fluida, flertando com a marginália e o crime, reinventor da pintura para além de seus limites; Quevedo, o nobre cioso de sua honra, abraçado à mais reacionária e hipócrita moral católica que logo envolverá o mundo em censura e fogueiras, mestre genial dos sonetos, da homofobia e do antissemitismo. Tendo como eixo esse conflito, Enrigue expande seu jogo em várias direções, farejando rastros de sangue, sêmen e ouro. Com a liberdade dos melhores romances, o autor segue atalhos que nos levam a tempos passados e futuros, ora cruzando o Atlântico, ora transitando dentro dos reinos europeus num bate e rebate estonteante. Os lances de Caravaggio abrem caminho a um desfile que inclui um curioso Galileu Galilei, um finório Pio IV e um são Carlos Borromeu tão fanático quanto obtuso, a par de banqueiros, prostitutas e mendigos, todos às voltas com pequenas intrigas paroquiais e grandes negociações que marcarão o destino do mundo. Os golpes de Quevedo carregam a decadente corte espanhola de Filipe III e dos duques de Osuna, e por meio da duquesa, neta de Hernán Cortés, nos levam ao México arrasado pelo conquistador de braço dado com uma surpreendente Malinche muito dona do seu nariz; ao martírio do imperador Moctezuma e de seu grande general Cuauhtémoc. E daí, ao princípio de nação construída sobre as ruínas astecas, abrigo das utópicas experiências de um padre que leu a Utopia de Thomas Morus ao pé da letra, amigo e protetor de um gênio da arte plumária indígena, grande apreciador de cogumelos alucinógenos que espalhou suas obras-primas pela Europa e encheu os olhos de quem as soube olhar. Mas engana-se quem vir em Morte súbita um romance histórico. Ele é muito mais do que isso: uma obra em que o passado factual é pretexto para especular sobre grandes questões dolorosamente presentes.

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (4)Ver mais
    Aguinaldo Medici Severino picture
    Aguinaldo Medici Severino20/11/2016Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    morte súbita

    A ideia do livro é amalucada e parecia promissora, mas o resultado obtido por mexicano Álvaro Enrigue neste seu "Morte súbita" não funcionou comigo. Somos apresentados a uma improvável partida de tênis entre o poeta espanhol Francisco de Quevedo e o pintor italiano Michelangelo Caravaggio (que acontece na Piazza Navonna de Roma, em 1599). Os marcadores de pontos dos dois jogadores não são menos ilustres: Galileu Galilei marca os de seu compatriota italiano, enquanto que o terceiro Duque de Osuna, don Pedro Téllez-Girón, marca os de seu amigo Quevedo. A bem da verdade a partida de tênis é apenas um artifício utilizado por Enrigue para falar dos embates entre a reforma protestante e a contrarreforma católica no século XVI e seus desdobramentos, nas artes, na política e na sociedade, que eventualmente culminarão naquilo que pode ser entendido como o início da modernidade. Enrigue nos faz acompanhar o destino de alguns objetos icônicos: de uma bola de tênis feita em parte com os cabelos de Ana Bolena (uma das mulheres do rei inglês Henrique VIII); de um escapulário que teria sido dado ao explorador Cortés por sua mulher asteca, Malinche; de um manto real do imperador asteca Montezuma, joia da arte plumária asteca, que acaba se tornando parte das vestes cerimoniais de um importante bispo católico; dos quadros produzidos por Caravaggio e sua revolucionária técnica. Além de contar algo dos muitos jogos dos astecas que inspiraram as regras do tênis moderno, ele detalha as regras do bizarro jogo quinhentista (conhecido como pallacorda) em que ele colocou Caravaggio e Quevedo (o resultado do jogo o título já antecipa, só se decide por morte súbita, um ponto final). Seu livro é fragmentado em dezenas de pequenas histórias, algumas curiosas, outras irrelevantes, outras ainda certamente inventadas por ele para adaptar os destinos cruzados dos personagens que aparecem nas demais. Todas estão de alguma forma estão relacionadas a uma mais importante, a trágica história da destruição das civilizações pré-colombianas pelos europeus. Lembrei dos bons ensaios de Carlos Fuentes, que li no início dos anos 1990, reunidos em "O espelho enterrado" e, claro, do bom livro de Andrea Camilleri em que ele fala dos sucessos da vida de Caravaggio, "El color del sol". Interessante esse livro do Álvaro Enrigue, mas artificial demais para o meu gosto. Vale. [início: 09/10/2016 - 21/20/2016] "Morte súbita", Álvaro Enrigue, tradução de Sérgio Molina, São Paulo: editora Schwarcz (Companhia das Letras), 1a. edição (2016), brochura 14x21 cm., 296 págs., ISBN: 978-85-359-2715-3

    2 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.3 / 32
    • 5 estrelas9%
    • 4 estrelas34%
    • 3 estrelas31%
    • 2 estrelas22%
    • 1 estrelas3%
    Álvaro Enrigue profile picture

    Álvaro Enrigue

    Álvaro Enrigue (Guadalajara,1969) ganhou destaque nas letras mexicanas com seu livro de estreia, La muerte de un instalador (1996). Firmou-seno primeiro plano da ficção latino-americana contemporânea com Hipotermía (2005) e Vidas perpendiculares (2008), que, entre o romance e a narrativa breve, combinam elementos pop a referências da cultura erudita. Ex-editor da tradicional editora Fondo de Cultura Económica e da revista literária Letras Libres, atualmente é colaborador do New York Times e dá aulas de literatura. Lança na Flip o seu primeiro romance publicado no Brasil, Morte súbita (Companhia das Letras,2016), que imagina uma partida de tênis entre o poeta Quevedo e o pintor Caravaggio, e que ganhou o importante Prêmio Herralde em 2013.

    4 Livros
    2 Seguidores

    Álvaro Enrigue