Leitura e Cognição - uma abordagem transdisciplinar

    Alba Olmi, Norberto Perkoski

    Edunisc
    2005
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-10: 8575780948
    Português Brasileiro

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    Felipe Novaes10/04/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Resume clara e detalhadamente as principais posições filosóficas sobre a relação mente e cérebro. E ainda traz um plus que é a posição de Dennett, uma das mais atuais -- ok, para parâmetros filosóficos anos 80 é algo atualíssimo -- e sofisticadas. Alguns diriam que não precisamos de uma abordagem conceitual do problema mente-cérebro, que ele pode ser resolvido empiricamente pelo método científico. Bom, Teixeira explica muito claramente que na verdade problemas científicos só podem ser esclarecidos quando os problemas e as variáveis envolvidas têm boas definições. Não é o caso das áreas psi. Temos uma salada promíscua de definições sobre o que é mente, consciência, sobre se ambos são a mesma coisa ou não, de que forma mente se relaciona com cérebro, se um é expressão do outro, e mesmo se na verdade criamos pseudoproblemas conceituais por causa da nossa linguagem intencional, mentalista, que faz a gente achar que existe algo mental e algo essencialmente cerebral. Só para sumarizar, o livro trata das principais concepções sobre o problema da relação entre mente e cérebro. Existem várias possibilidades conceituais de se tratar esse problema. Por exemplo, o que chamamos de mente pode ser nada mais que uma abstração linguística. Na verdade, estados mentais seriam ficções úteis da mesma forma que a física tem as suas, como "centro de gravidade" ou "inércia". Ficções úteis são importantes porque são atalhos funcionais na comunicação. Seria muito mais complicado descrever o comportamento em termos fisicalistas ("eu não estou com medo, na realidade as áreas tais e tais estão ativadas" e etc). Do mesmo modo, a física emprega termos como energia para propósitos úteis, matemáticos. São basicamente heurísticas, não necessariamente entes que existem na realidade. Essa seria uma postura mais associada ao chamado eliminativismo. Ou seja, em tese, o fenômeno real em questão são os descritos pela neurobiologia, não aqueles descritos pela psicologia. A mente também pode ser vista como uma função do cérebro. Na verdade, como uma função de algo que se comporta como um cérebro. É como um jogo de xadrez. O que caracteriza o jogo não é o material do qual as peças e o tabuleiro são feitos, mas a função que cada peça desempenha. Vc pode ter peças e tabuleiros constituídos de marfim, acrílico ou madeira, mas ainda assim com elas você poderá jogar xadrez. Essa argumentação funcionalista dá origem a algo chamado na filosofia de múltipla instanciação. É a ideia de que a mente é algo que emerge de qualquer coisa que funcione como um cérebro, seja um cérebro biológico ou qualquer outra coisa feita de silício, por exemplo, mas que desempenhe as mesmas funções. É essa argumentação que apoia o projeto da inteligência artificial. Só assim faz sentido construir máquinas inspiradas na cognição humana. Enfim, existem ainda muitas argumentações básicas, que Teixeira vai construindo até chegar em visões mais refinadas mais para o fim do livro. É um livro extremamente estarrecedor principalmente para quem se defronta com o assunto pela primeira vez. Garante que a convivência com a tecnologia nunca mais seja a mesma.

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