"A beleza e seus mistérios" é o segundo livro de uma trilogia policial muito bem escrita. Os personagens são basicamente os mesmos, o que muda é o caso de assassinato que o investigador Nicolas Bartole precisa desvendar. Apesar dos livros poderem ser lidos individualmente, este tem um grande spoiler do primeiro volume.
No primeiro volume, ocorreram diversos assassinatos com crianças de uma mesma escola e mesma faixa etária; o assassino era um doido que achava que a idade da criança assassinada diminuiria na sua própria idade, o deixando mais jovem.
Já neste segundo livro, a primeira morte foi de uma jovem de vinte e seis anos, em uma academia. Em dois dias ocorreu outro assassinato: um rapaz, da mesma idade, em um clube da cidade. Mais dois dias e um garoto de programa, em uma boate e da mesma idade das vítimas anteriores. Em comum, as vítimas tinham a mesma idade, o corpo muito bem cuidado, foram colegas no ensino fundamental e a forma como eram mortos: primeiro dopados e após tinham as cabeças esmagadas com alteres de academia.
Com cada vítima, o assassino deixava uma pomba branca, esculpida na madeira, e em seu interior um bilhetinho com um poema, dizendo quem era a vítima e pistas de onde seria a próxima morte.
Com o marceneiro da cidade, que fez as pombas, Nicolas descobriu que foram seis encomendadas, então seriam pelo menos seis mortes, e como estavam ocorrendo com o intervalo de um dia, a polícia precisa correr contra o tempo para pegar o assassino.
Neste volume, continuou o romance entre Nicolas e Miah Fiorentino, a repórter enxerida, e ficou ainda mais evidente um segredo do passado que a moça guarda que, segundo ela, se Nicolas descobrir, além de não querer mais ela, ainda pode colocá-la na prisão.
Outro fato que acontecia no livro um e ficou mais intenso no dois, eram os pesadelos que Nicolas tinha quase todas noites e pareciam acontecer na sequência. Era um inquisidor que torturava e matava hereges e caçava desesperadamente uma bruxa com a intenção de queimá-la viva. Os pesadelos eram tão reais que Nicolas já estava achando que era ele o próprio inquisidor. Como Marian, sua irmã, é espirita, ela confirmou que podia ser lembranças de uma outra existência de Nicolas.
"O passado não tem força e não afeta nossa vida atual. Mantenha o foco no presente e deixe para trás aquilo que já passou."
Com o cerco se fechando em torno do suspeito, e já tendo minhas desconfianças de quem era o assassino (e desta vez eu acertei), o leitor pode descobrir um caso de bullying extremamente grave e refletir o quanto ações infantis podem interferir na vida de uma pessoa. Quem pratica este ato, cresce e esquece o mal que causou, mas quem é vitima pode nunca se recuperar.
"Trabalhe sua consciência para tentar suavizar o que lhe fizeram, pois sei que você nunca as esquecerá. Mas, se puder suavizar sua dor, você viverá melhor."
Confesso que terminei o livro em lágrimas e orando a Deus para que meus filhos nunca passem por isso e nem pratiquem esse mal ao próximo...