O livro aborda questões importantes, hora criticando as "filosofias Nova Era" com o Psico Pop, hora fazendo observações importantes sobre nossa cultura, em especial desfazendo o mito de "o que é novo é sempre melhor". Outros temas são trabalhados de maneira superficial, caso do comunismo e liberalismo, com os personagens Karl e Adam.
Infelizmente, porém, não sei se recomendo o livro. A premissa é que Sócrates "voltou" depois de milhares de anos e anda pela Universidade do Estado de Desespero oferecendo conselhos para estudantes. O primeiro é Peter Pragma, que não sabe que carreira seguir, e depois Felicia Flake, com diálogos sobre sexo, música e ideologias.
A ideia era usar o famoso método Socrático para ajudar ambos a alcançar a summum bonum (o Bem Maior), só que Sócrates aqui é um Sócrates com uma "agenda". Um "Sócrates cristão", o que não seria um problema se isso estivesse explicitado desde o início, ainda que seja algo fácil de depreender considerando que o autor é Peter Kreeft. Isso é algo que está no próprio livro, como na página 230, onde Felícia infere que Sócrates acredita em Deus e este não nega, reforçando este ponto na página 233. Algo curioso, se considerarmos que Dante colocou Sócrates no primeiro círculo do Inferno, o Limbo.
Isso torna algumas partes enfadonhas, como a conclusão de que Rock é "música do capeta", e frequentemente Sócrates leva a linha de argumentação para o lado religioso. No final do livro, coincidentemente, tanto Peter quanto Felícia terminam juntos e passam a estudar religião. Ou seja, não é um "Sócrates puro", não sendo apenas filosofia, como o livro se propõe a ser, ainda que trabalhe alguns temas de forma interessante.