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    Obra Poética Completa - "Eu e outras poesias" e a obra imatura

    Augusto dos Anjos

    Editora dC
    2015
    442 páginas
    14h 44m
    ISBN-10: B00ZBLDW12
    Português Brasileiro
    4.1
    21 avaliações
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    Favoritos2Desejados16Avaliaram21

    A obra poética completa de Augusto dos Anjos em um só volume, revisada de acordo com o novo acordo ortográfico e organizada com índice ativo NCX, de fácil navegação. O volume reúne a coletânea “Eu e outras poesias” (1920) e a obra imatura de Augusto dos Anjos publicada entre 1900 e 1910, inclusive seu primeiro poema, “Saudade”. O leitor encontrará também um perfil biográfico assinado pelo próprio autor em 1914.

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    Caio Lobo11/09/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Almoça a podridão das drupas agras

    Estando entre o simbolismo, parnasianismo, naturalismo e pré-modernismo, a poesia de Augusto dos Anjos traz tanto o misticismo, a estrutura formal poética, a degradação humana e a linguagem informal, que são temas contrastantes que o poeta consegue harmonizar. Sua linguagem rebuscada, ao mesmo tempo em que utiliza termos complexos da química e medicina, traz uma novidade ao lirismo ao utilizar de palavras não-líricas, como “cuspe”, “podre” e muitos outros que remetem à putrefação e degradação cadavérica. O tema principal da obra madura de Augusto dos Anjos é justamente a morte e as transformações do corpo que traz consigo o vazio existencial. O pessimismo é muito presente, e a figura e filosofia de Schopenhauer são constantes na obra, além do próprio Buda e o Nirvana são temas recorrentes. A morte também traz certo panteísmo para Augusto dos Anjos, pois o corpo se dissolvendo alcança libertação em sua matéria primordial, fazendo parte dos vermes e bichos que lhe comem. Esse panteísmo se resume nesta frase “Confundir-me com aquela coisa porca!”. Tudo é inconstante e tudo muda, como dizia Buda e Heráclito, e para Augusto dos Anjos é o verme o “fator universal do transformismo”, e chamando este verme de Deus-Verme, pois livra o corpo humano da forma humana. A carne podre, imprestável para nós, é a riqueza do verme e delicioso banquete. Já a poesia imatura do autor tem outra cara, é muito mais parnasiana, com toques de romantismo, sem os temas niilistas da obra madura, mas ainda assim contém temas filosóficos. A maioria são sonetos, muito dedicados a amigos, mas os mais bonitinhos são para os irmãos. Estes são poemas de talento, mas sem o tom inventivo da obra madura. Acho até que essa coletânea deveria ter começado pelas obras imaturas para acompanharmos a evolução do poeta. Dois pontos marcantes que encontrei na poesia dele falam, claro, sobre morte, mas um era a poesia sobre a morte de um filho prematuro, e ele fala da desprezível putrefação da matéria, além de ter sido antes humano, e ser humano é um agregado de órgãos, neurônios e tecidos. Mais forte é pensar naquilo que geralmente não pensamos com a morte de um ente querido, mas que é realidade imediata: o corpo vai feder! Mas logo e regozija no descanso atemporal e mística negativa do nada, retornando ao seu panteísmo: “Ah! Possas tu dormir, feto esquecido, / Panteísticamente dissolvido / Na noumenalidade do NÃO SER!” A outra morte que gera poesia é a do pai, retratada desde a agonia dos instantes finais até o estado cadavérico. Isso é retratado em três poemas: “A meu pai doente”, “A meu pai morto” e “A meu pai depois de morto”. O interessante dessa série é que passa de uma poesia mais clássica/romântica nos dois primeiros poemas para uma brutalmente moderna no último. No primeiro poema há a esperança em Deus: “Deus não havia de magoar-te assim!”. No segundo poema há a crença num céu: “Ver a alma de meu Pai subindo ao Céu!”. Já no último poema a realidade crua: “Podre meu Pai! E a mão que enchi de beijos / Roída toda de bichos, como os queijos / Sobre a mesa de orgíacos festins!...” Com isso, se pode ver que Augusto dos Anjos é a transição entre dois mundos e zeitgeist opostos: clássico e moderno.

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    Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

    Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu em 28 de abril de 1884, no Engenho do Pau d’Arco (PB). Seus pais eram proprietários de engenhos, os quais seriam perdidos alguns anos mais tarde, em razão do fim da monarquia, da abolição e da implantação da república. Foi educado pelo próprio pai até ao período antecedente à faculdade. Formou-se em Direito no Recife, contudo, nunca exerceu a profissão. Criado envolto aos livros da biblioteca do pai, era dedicado às letras desde muito cedo. Ainda adolescente, o poeta publicava poesias para o jornal “O Comércio”, as quais causavam muita polêmica, por causa dos poemas era tido como louco para alguns e era elogiado por outros. Na Paraíba, foi chamado de “Doutor Tristeza” por causa de suas temáticas poéticas. Em 1910, casa-se com Ester Fialho, com quem tem três filhos. O primeiro filho morre prematuramente. Quando a situação financeira da família se agrava, com o advento da industrialização e a queda do preço da cana-de-açúcar, o autor muda-se para o Rio de Janeiro. Nesta cidade, enfrenta o desemprego até conseguir o cargo de professor substituto na Escola Normal e no Colégio Pedro II, complementando-o com a renda das aulas particulares. Em 1914, transfere-se para Minas Gerais, por causa de uma nomeação como diretor do Grupo Escolar de Leopoldina, a qual conseguiu com ajuda de um cunhado. Após alguns meses da mudança, o poeta morre aos 12 de novembro do mesmo ano, vitimado por pneumonia. Augusto dos Anjos vivenciou a época do parnasianismo e simbolismo e das influências destas escolas literárias através de seus escritores, como: Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Cruz e Souza, Graça Aranha, dentre outros. Porém, o único livro do escritor, intitulado “Eu”, trouxe inovação no modo de escrever, com idéias modernas, termos científicos e temáticas influenciadas por sua multiplicidade intelectual. Pela divergência dos assuntos tratados pelo autor em seus poemas em relação aos dos autores da época, Augusto dos Anjos se encaixa na fase de transição para o modernismo, chamada de pré-modernismo. O poeta tinha como tema uma profunda obsessão pela morte e teve como base a idéia de negação da vida material e um estranho interesse pela decomposição do corpo e do papel do verme nesta questão. Por este motivo foi conhecido também como o “Poeta da morte”. Sua única obra marca a literatura brasileira pela linguagem e temática diferenciadas.

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    Paraíba, Brasil

    Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos