Por que não viajar sozinho e na dureza? Por que deixar de ver o que acontece lá fora quando tudo no país está mais desordenado do que o aeroporto do Galeão, e a conta bancária mais magra do que modelo de calcinha? Definido pelo autor como o (anti)guia menos prático da seção de viagens, este bem-humorado Como viajar sozinho em tempos de crise financeira é um diário de bordo para o leitor embarcar numa turbulência literária sem escalas com dicas práticas (ou não) para driblar a excursão e os turistas sem noção, de brasileiros a orientais. Baseado em fatos reais e experiências pessoais, este livro diverte e entretém ao mesmo tempo em que traz dicas valiosas para viajantes desacompanhados – mas não necessariamente solitários.
Como Viajar Sozinho em Tempos de Crise Financeira e Existencial -
Hermes Galvão
Edições (1)
Ver maisnão foi o que eu esperava...
Como viajar sozinho em tempos de crise no mínimo é um livro inusitado, comecei a leitura achando uma coisa e terminei achando outra. Não posso deixar de comentar que me diverti muito lendo este livro, porém também fiquei indignada com a maneira que o autor se refere aos brasileiros em geral, as famílias e as mães que necessitam amamentar seus filhos. Claro que Hermes Galvão tem bagagens para falar sobre viagens e suas discrepâncias, mas a maneira que ele aborda diversas situações me deixaram incomodada. "Na fila de raios X, corra das pessoas mais velhas, das famílias e das mulheres, que ainda fazem questão de viajar com brincos, anéis, pulseiras, a fivela da bota, o broche da calcinha, o DIU... Nelas tudo apita, portanto nada de ficar atrás. Elas podem levar o tempo que você levaria para tomar um banho entre um lado e outro do detector de metais. Homens em viagem de negócios, asiáticos desacompanhados, casais de jovens mochileiros costumam ser velozes e furiosos. Siga-os." "(...) Mães acham que têm licença (poética?) para dar de mamar e deixar seu filho berrar. Não, não. Numa boa, eu estou ali, na minha, quieto, lendo ou tentando ler um livro em português de Portugal e lá vem ela de peito aberto. Aí, dona índia, numa boa?" "Conversa fiada é um produto 100% nacional - os internacionais acreditam, e estão certos, que papo furado é perda de tempo. Ok, um passatempo. Prefira ler um livro, sei lá; se não tiver um à mão, ensaie uma dança, abra um espacate, mas não fale comigo - nem somente o indispensável." Este livro tem um apanhado geral sobre as vantagens de viajar sozinho, algumas situações embaraçosas em aeroportos, dicas para escolher o hotel, o que levar na mala, entre outras coisas. Como o autor mesmo expressou, este é um (anti)guia, mas eu desconhecia este fato até iniciar a leitura e acho que por isso mesmo pode causa um certo desconforto para aqueles que amam viajar, fazer novos amigos, porque a filosofia do autor é contrária ao que eu um dia poderia imaginar ao fazer viagens. Claro que algumas dicas podem ser válidas, não é um livro que vá agradar a todos, talvez uma mãe se sinta ofendia, ou uma família, ou um asiático, ao ler certas passagens. "É óbvio, mas sempre bom reforçar: evite qualquer lugar orientado para casais em lua de mel e famílias, assim como viajar em período de férias escolares. Fuja de qualquer cidade ou praia europeia em agosto, por exemplo, época do turismo predatório e do calor de matar. Junho e julho são meses de altíssima temporada e a chance de você encontrar aquela turma que levanta a gola da camisa polo e respira Instagram é enorme. Quer gastar menos, ver mais e viver como os locais? Vá no fim de maio ou no fim de setembro, quando a temperatura já está mais amena, os preços mais realistas e os ânimos menos exaltados - e os brasileiros de que você tanto procura fugir, de volta ao lar."
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