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    Ser evangélico sem deixar de ser brasileiro -

    Gerson Borges

    Ultimato
    2016
    104 páginas
    3h 28m
    ISBN-13: 9788577791491
    Português Brasileiro
    4.3
    104 avaliações
    Leram144Lendo12Querem193Relendo1Abandonos2Resenhas17
    Favoritos16Desejados193Avaliaram104

    Para alguns, entrar na igreja é sair do Brasil... Nossos pastores não conhecem arte e nossos artistas não ligam para teologia. É como se dissessem: “Feijoada, sim; samba, não”. Ser Evangélico sem Deixar de Ser Brasileiro quer responder às seguintes perguntas: O que faz do brasileiro, brasileiro? O que faz do evangélico, evangélico? E como ser o segundo sem deixar de ser o primeiro? Temos dificuldade de aceitar as manifestações culturais. Ao mesmo tempo, criamos versões “cristãs” de quase tudo e batizamos de “gospel”. Para não sermos mundanos, copiamos – e mal – em nossos guetos o mundo. Gerson Borges convida o leitor para um bate-papo sobre cultura e graça. Para ele, ser evangélico não é romper com a identidade nacional, mas redescobrir a música, a poesia e a literatura nacional. E, mais do que abrasileirar nossa adoração, é preciso também redescobrir o que a Bíblia diz sobre arte e cultura.

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    Rafael Noronha Reis picture
    Rafael Noronha Reis27/12/2016Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Continuando a conversa sugerida pelo autor

    Gerson Borges, obrigado por esse refrigério. Eu entendo completamente o seu desabafo e vou pegar uma carona. Me deixem ser brasileiro! Não, não é uma fala pra todo mundo ouvir. É de crente para crente, direcionado a todos os influenciadores cristãos e seus seguidores que demonizaram a cultura brasileira, principalmente nossos ritmos. Miriam dançou com o tamborim, mas eu não sou hebreu, sou brasileiro e a gente samba. Eu não tô falando de ralar na boquinha da garrafa, eu sei que você pensou na forma mais sexualizada do samba porque você quer problematizar, mas eu tô falando de mexer os pés e o quadril sem ritual de acasalamento, daquela forma que só o samba sugere. E aqui se encaixa a batida do funk (eu queria muito saber jogar o passinho, mas nasci na Bahia e meus movimentos são marcados na batida do tambor), como toda e qualquer expressão musical de matriz africana que deu origem a nossa música. A música na liturgia da igreja brasileira está completamente aprisionada na cultura europeia e americana, porque como bons brasileiros, enaltecemos mais a arte do primeiro mundo que a nossa. Há quem diga, e são muitos, que o jeito que se faz hoje é a forma Bíblica, como se a Bíblia dissesse que existe o ritmo sagrado de expressar a arte humana e louvores a Deus. Chega de Hillsong, gente. É legal, eu gosto também, mas já enjoei. Não é nosso, sabe? E eles se multiplicam, eles estão gravando em português, nem são necessários mais artistas tupiniquins pra traduzir suas versões. Daqui a pouco eles vão se mudar pra cá...esqueci, já chegaram. Por outro lado tem gente que não tem problema com ritmos, porém exige a necessidade de uma justificativa, “se for gospel, eu canto e danço”. Eu tô cansado de explicar pra galera que curte a bolha gospel que a música secular não é um plano do diabo pra desviar as pessoas de Deus, muito menos que todas as músicas passam por rituais mágicos pra alcançar o sucesso. Os artistas são vários serumaninhos que cantam o que sentem e o que enxergam do mundo. E adivinha quem está em todo lugar no mundo? Deus Onipresente! Então, queridos, é impossível que todos os artistas o ignorem, acredite se quiser, Ele vai estar lá. E mesmo quando não falem sobre Ele, qual é o mal dessa arte? Onde está o pecado numa música que conta sobre o passeio numa praia, o nascimento de um filho, a denúncia das mazelas da sociedade, a luta por justiça, o amor de um casal e tantas outras coisas que se passam por aqui? Você já leu os Salmos, Eclesiastes e Cantares de Salomão? “Se nem tudo o que é sagrado é religioso, nem tudo que é secular é profano” Ed René Kivitz. Mas e todas aquelas músicas imorais que vão de encontro a minha cosmovisão? Lute contra o seu 1% safadinho e não ouça lixo. Isso não é sobre libertinagem, mas é sobre reter o que é bom, como diz as Escrituras Sagradas. Não aproveite da liberdade para se lambuzar no pecado só porque vai ter graça para te absolver posteriormente. Apenas seja livre e não dê chiliques quando ver minha playlist de MPB no Spotify. Como relembra o autor nesse pequeno grande livro, o evangélico é conhecido pela população por aquele ser que “não pode”. O cidadão que não pode tanta coisa, que parece que não há vida nele. O cristão deveria ser reconhecido como aquele que mais pode, pois foi alcançado com a liberdade da escravidão do pecado. E aí, vamos mudar? Vamos viver essa liberdade que tanto cantamos? Vamos parar de paranoia e espiritualizar tudo, quando dizemos que a música tem um poder sobrenatural de colocar um demônio na vida de alguém? Vamos realmente experimentar essa graça comum que está manifestada na criação, que alcança o médico e também o artista? Vamos ler a Bíblia? Vamos ser brasileiros? Vamos ser evangélicos brasileiros?

    13 curtidas

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