Terapia -

    David Lodge

    L&PM
    2016
    368 páginas
    12h 16m
    ISBN-13: 9788525434074
    Português Brasileiro

    “A questão é: não fui sempre infeliz. Lembro de uma época em que fui feliz. Razoavelmente contente, pelo menos. Ou, no mínimo, uma época em que eu não pensava que era infeliz, que talvez seja a mesma coisa que ser feliz. Ou razoavelmente contente. Mas em algum ponto, em algum momento, perdi aquele jeito de apenas viver, sem estar ansioso e deprimido. Como? Não sei.” O humor como terapia Laurence Passmore, ele próprio admite, tem tudo na vida: uma exitosa carreirade roteirista de séries para a televisão, um casamento estável e uma vida sexual ativa, filhos criados e bem encaminhados, uma bela casa e um carro fantástico, uma boa saúde e a possibilidade de tirar férias quando e onde quiser. Mas um incômodo descontentamento o acompanha a maior parte do tempo. Quando uma dor no joelho direito surge e se mostra uma companheira permanente, a existência de Passmore se desequilibra e ele mergulha no que parece ser uma crise existencial sem fim, que nem a fisioterapia, nem a terapia cognitivo-comportamental, nem a acupuntura ou a aromaterapia são capazes de resolver. Neste que é seu mais aclamado romance, David Lodge, premiado e festejado autor britânico, nos brinda com uma cativante e bem-humorada história sobre insatisfação e sobre a busca pelo bem mais intangível de todos: a paz de espírito. Impossível não se identificar com o protagonista, sua depressão e seu exasperante autocentramento, que o levam a uma hilária obsessão pelo filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard. Ao passo que a literatura cômica muitas vezes se mostra superficial, Lodge consegue aqui o feito admirável de abordar temas sérios e universais como a depressão e a crise existencial com iguais doses de graça e compaixão. Para este exímio mestre da narrativa, inteligência e humor andam de mãos dadas, e o caminho para a cura e a redenção passa por aprender a rir de si mesmo.

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    jota 1128/02/2026Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Dor no joelho inexplicável, crise existencial e Kierkegaard

    Terapia (1995), de David Lodge, se fosse adaptado para o cinema (o que não seria uma tarefa lá muito fácil, suponho) talvez resultasse numa comédia dramática temperada com humor britânico, em que raramente se gargalha, pois a maior parte do tempo de leitura se sorri muito mais com a mente do que com os lábios. Aqui e ali na imprensa se encontram menções de críticos (ingleses, é claro), de que o livro é uma sátira divertida e perspicaz sobre a crise de meia-idade, a busca pela felicidade e a obsessão por autoajuda. Também é isso, certamente, mas há vários lances dramáticos acontecendo com os personagens que impedem uma classificação exata do tipo de literatura que Terapia seja, se é que isso é necessário, mas não. O romance tem muita coisa misturada, curiosa, ao acompanhar a vida de Laurence "Tubby" Passmore, um roteirista de televisão de um sitcom de grande sucesso, que parece ter tudo, mas sente-se profundamente infeliz e angustiado quando está próximo de fazer 60 anos, isso lá nos finais do século passado. E tudo começa com uma inexplicável dor no joelho, passa por uma sucessão frenética de terapias: fisioterapia, aromaterapia, acupuntura e terapia cognitivo-comportamental, todas sem sucesso. Ao mesmo tempo, ele se torna obcecado pela filosofia do dinamarquês Søren Kierkegaard, tentando aplicar pensamentos profundos à sua vida superficial de roteirista. A situação piora quando sua esposa o abandona, ele enfrenta impotência sexual e corre o risco de perder seu emprego. E por aí vai, com “Tubby” (gordinho) indo ainda até Santiago de Compostela, em busca de seu amor de juventude. A quem agora ele quer pedir perdão pelo modo como deixou Maureen cerca de 40 anos passados... Lido entre 09 e 27 de fevereiro de 2026.

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