Esse livro é uma verdadeira saga. Digo isso, porque acompanhamos diversas gerações, diversas famílias, com reviravoltas constantes em um núcleo enorme de personagens.
Seria impossível falar sobre uma história apenas. Essa obra nas mãos de George R. R. Martin teria 5 volumes de 1200 páginas cada. Graças a Deus não é dele! (rs)
A autora foi muito feliz no desenvolvimento todo. Não tem um capítulo que não seja importante e é daquele tipo que, se você pula uma página ou se distraí, perde algo primordial. A narrativa é rápida. Rápida mesmo. Impossível perder o foco e só notei a quantidade de personagens no livro quando parei para escrever essa resenha, mas os fatos vão rolando de forma tão fluida que não dá para se perder.
Ps: Isso pode ser um problema para alguns leitores. A quantidade de personagens requer atenção ou algo se perde no caminho. Eu achei fluída a leitura, mas conheço pessoas que não apreciariam tal velocidade.
Alguns personagens são deliciosos e isso ajuda muito. A construção de cada um, como já disse, é rápida, mas não perde a profundidade. Digo isso, porque em determinadas situações eu já sabia, exatamente, como alguns reagiriam. Não é que foi previsível, é que eu consegui conhecer o personagem de verdade.
Tudo começa com Helène, uma garota francesa que sonha em ser modelo. Mas não é qualquer sonho, esse. Helène persegue sua vontade com afinco e, por conta de sua beleza, as oportunidades chegam rápido para ela. Com menos de 14 anos, se envolveu com um fotógrafo e acabou fazendo um ensaio sensual, além de começar um caso romântico com ele. Resultado: Ficou grávida.
Bem, para acelerar um pouco as coisas, Helène foi expulsa de casa e acabou em um bordel. Mais uma vez, recorreu a sua beleza para crescer na profissão e acabou encontrando ali, muito mais do que um trabalho e sim uma família.
Pausa para um detalhe: O bordel, por incrível que pareça, foi o ponto alto do livro para mim. Dominique, a dona, me conquistou com sua franqueza e seu carinho por Helène e pude ver outro lado da profissão mais antiga do mundo (rs). Estamos falando dos anos 50/60, época em que as prostitutas viviam às margens da sociedade, mas possuíam certo glamour.
Por conta disso, Helène teve outras oportunidades e conheceu outras pessoas, influentes ou não. O fato é que ficou grávida novamente, dessa vez de gêmeos, mas não foi simplesmente abandonada. Sandro Montserrat, um brasileiro de família rica, resolveu assumir as crianças e aí começa outra fase do livro.
Isso tudo que eu falei, não chega ao meio do livro. Eu disse que o ritmo era rápido, então você já imagina o quanto de história vem por aí.
Acompanharemos o casal, Helène e Sandro, assim como conheceremos melhor seus três filhos, suas namoradas, suas profissões e muitos, MUITOS, problemas.
A obra é feita de reviravoltas. Estamos, na maior parte do tempo, com os filhos adolescentes de Helène, nessa segunda parte do livro, portanto imagine as idas e vindas dessa turma. Suas personalidades e seus impulsos.
Mas a própria Helène não para de aprontar. É uma mulher forte e, por diversas vezes, parece não se colocar muito no lugar dos outros. Vou confessar a achei o máximo. Sua determinação e até as besteiras que ela faz é simplesmente refrescante. Queria ser um pouco como ela.
Por fim, gostei muito da obra de estréia da M. H. Datria e percebi que essa historia, tem uma continuação. TEM QUE TER.
Eu recomendo a obra para leitores que não curtem enrolação. Que gostam de ir direto ao ponto, mas mesmo assim, apreciam uma boa trama com muitas idas e vindas.