Maquiavel encarna o Homem Renascentista: culto, elegante com as palavras, pensa antes de agir, busca a verdade em detrimento das vãs ilusões... enfim, vários adjetivos poderiam ser utilizados para descrevê-lo.
Sua “Magnus Opus” é certamente ‘O Príncipe’, obra tão criticada quanto estudada nos círculos acadêmicos, cujo papel e importância rendem ao leitor atento informações e estratégias que continuam a reverberar na mente, mesmo muito tempo após a leitura.
O que Maquiavel ensina, ante de mais nada, é o olhar atento à História, buscando compreender como acertaram os grandes homens públicos, e também onde erraram (para que não se cometa os mesmos erros).
Após terminar o livro, é impossível compreender o mundo da mesma forma, passa-se a observar os homens públicos com certo ceticismo, passamos a compreender a política como um jogo de aparências.
A aparência é um artifício do poder, escondendo a verdadeira face. Usam esses artifícios várias personas, vide os personagens: Feliciano, Bolsonaro, Dória e outros... todos eles utilizam anseios da população para se promoverem, quando na verdade estão apenas buscando seus projetos pessoais.
Maquiavel ensina, portanto, a compreender a construção do poder como algo intrínseco ao jogo político, convém ao povo absorver tais artimanhas e não se deixar enganar.
Enfim, é um livro cujas reflexões são tão extensas que não cabem em uma simples resenha, devendo ser debatido e estudado, como documento histórico e como mensagem de alerta aos verdadeiros objetivos de certas classes sociais.
Compreendo que uma das mensagens que o livro deixa é a incitação para a ação, jogando no colo do leitor a responsabilidade por sua situação, afinal, a sociedade é construída com base no desejo de mudança e não fruto do arbítrio do destino.
Concluindo, Maquiavel não formula a célebre frase “os fins justificam os meios”, o que o autor escreve é “cuida al fine”, ou seja, guiando o leitor para que planeje seus atos e ações visando o fim, antevendo as possíveis complicações e buscando as soluções possíveis.
Obra obrigatória na coleção!