Preconceito, Orgulho & Café é uma história cujo casal protagonista se baseia no casal Darcy e Elizabeth, do romance Orgulho e Preconceito, de Jane Austen. Se a ideia da autora Moira Bianchi era reescrever um clássico, invertendo a situação do casal protagonista e acrescentando alguns toques bem apimentados e cheios de sensualidade à história, creio que ela conseguiu.
Maria Antonia (Toni) e Maurício Noronha (Mau) possuem um relacionamento muito doido, daquelas histórias em que se conheceram por acaso, começam a sair sem nenhum compromisso, vão se conhecendo e vão se descobrindo e, entre muitas discordâncias e sempre às turras, acabam se entregando a um sentimento de amor.
Neste caso, nosso Mr. Darcy é Maurício, o advogado que conquistou tudo na vida à custa de muito suor e de muito trabalho. Seu estômago chega a queimar (literalmente) todas as vezes em que ele pensa como bancar a jaguatirica Maria Antonia, nossa Elizabeth muito moderna, rica demais, bem de vida, cheia das vontades e com muita personalidade própria.
A narrativa da autora é bem ágil e tem uma estrutura bastante peculiar no sentido de que parece acompanhar o ritmo intenso e corrido do nosso casal. Não há muita separação entre os pensamentos e ações de um ou de outro. Estamos acompanhando a fala de um deles e já no outro parágrafo estamos imersos nos pensamentos do outro. E isso acaba fazendo com que a leitura seja bem ágil e bastante interativa até o final. Além disso, a presença das famílias gera situações muito hilárias, embora a autora deixe claro o sentimento de união e de proteção entre todos eles.
No mais, todo esse cenário de romance apimentado é regado a café. Toni é barista e tem uma escala toda especial de avaliar os homens como comida. Inclusive, a família dela toda faz isso. É mais um toque muito picante e divertido que a autora imprime a nossa história, pois vamos descobrindo se realmente Maurício é tipo o café forte e encorpado, dando conta ou não do recado... Ou se é daqueles que pede arrego ao primeiro sinal de fumaça na estrada. Na verdade, a comparação maior que Toni e sua família fazem é se os homens são simples iscas de fígado ou bife de panela... Acho que prefiro as comparações à base de café... rsrsrsrs
Enfim, uma história muito boa e deliciosa, bastante divertida, que nos apresenta um casal nada padrão, mas que pode, muito bem, representar a força do verdadeiro amor. Vale à pena conhecer e fazer esta leitura de excelente entretenimento. Se puder, põe um cafezinho para acompanhar. Será muito gostoso.