Que coisas como o Medo e a Morte existem, é impossível negar. O que é difícil de acreditar, na verdade, é que algo tão comum ao cotidiano humano tenha suas versões de carne e osso andando aí, do seu lado nas ruas abarrotadas, bebendo vinho rose no bar da esquina, ou ensinando inglês em um curso de idiomas com um charme estritamente britânico. Emma e os Monstros é a prova de que fantasia não existe apenas nas grandes capitais mundiais, e que o sobrenatural pode estar escondido até mesmo nas pequenas cidades do interior do Rio Grande do Sul. A diretora da filial de Cruz Alta da Blue!Idiomas, Emma Blumenthal, vê monstros desde que se compreende por ser humano. Pequenos animais sem consistência ou tato, como fantasmas em aquarela, que andam ao lado de seu humano designado. Por vinte e cinco anos, sua grande jornada tem envolvido descobrir o motivo por trás da existência dessas criaturas, assim como o porquê de apenas ela poder enxerga-los. A chegada do professor britânico James pode começar a explicar toda essa história, já que o homem é o único, em toda sua vida, que não possui monstro algum.
Emma e os Monstros (Jogo da Vida #1) -
Maureen Heinrich
Edições (1)
Ver mais3,5? Eu demorei bastante pra pegar o ritmo dessa história e, em alguns momentos, até mesmo pensei em largar a leitura - mas eu odeio largar livros pela metade e esse em específico se passa no Rio Grande do Sul, no Brasil, então eu tinha que dar uma chance mesmo que o estilo meio rebuscado demais misturado com mil referências não estivesse me ajudando muito. Não que isso seja algo ruim - foi bem divertido ler um livro inteiro com os maneirismos gaúchos e é sempre bom reconhecer as referências que o autor joga pra gente (Desde cantores nacionais até nomes de grandes franquias como Marvel e Star Wars), mas, ao mesmo tempo, achei estranho que o estilo que me pareceu tão rebuscado e dramático fosse todo permeado por, sei lá, Crepúsculo. Apesar disso, Emma e os Monstros funcionou bem como o primeiro livro de uma trilogia, apresentando os personagens e a trama principais, deixando aberta a possibilidade de aparecer gente nova, explicando a mitologia básica da coisa e formando o casal principal - uma relação que foi de ódio ao amor em um tempo relativamente curto, mas que funciona bem e faz sentido. Além da Emma e do James, o tal casal, a gente também é apresentado a outros personagens interessantes, entre eles a melhor amiga dos dois, Catarina, que é uma mulher trans. Apesar do foco da Cati ter sido o romance dela com o ex que acabou de forma terrível, dá pra ver que ela é tão bem desenvolvida como os outros e que a Maureen Heinrich se preocupou com isso e não só jogou a personagem ali. Eu adorei essa personagem e queria que ela aparecesse mais do que ela já apareceu :') No geral, esse é um daqueles livros que pega uma pessoa normal (ou, no caso da Emma, não tão normal assim, já que ela vê animais que mais ninguém vê) e apresenta ela a um mundo novo que poucas pessoas conhecem e, surpresa, do qual ela faz parte. A própria Emma tem noção da ironia e brinca com essa premissa, o que é divertido, e a coisa toda acontece, principalmente, em uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, o que, pra mim, já é um bônus. Mas não rolou aquele AMOR, sabe? Eu gostei do livro, sim, sei que ele pode ser mais amado por outras pessoas e vou ficar de olho pro lançamento dos dois próximos, mas não tão desesperada quanto eu estou por outras continuações.
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