Achei muito bacana o modo que o livro foi estruturado e dividido, foi muito bem pensado, o livro fala sempre na dimensão de política públicas sobre a produção e publicação de livro, bibliotecas, ambiente escolar e muito mais, eu sendo apenas uma leitora que não está envolvida em nenhum destes espaços consegui compreender todo o livro devido a linguagem acessível que eles usaram, isso significa que qualquer pessoa pode ler e entender o que o livro defende e propõem.
O livro traz muitos exemplos de bibliotecas comunitárias, algo que me deixou bem contente, o mais bacana é que são os próprios criadores destes projetos que falaram sobre os seus projetos, são iniciativas de bibliotecas que estão dentro de um bar, de biblioteca que ajudou a estruturar o SLAM que ocupa com vida a praça da favela. No final dos capítulos ele expõe muitas dicas e sugestões no campo da política pública.
Outro ponto que ele toca é sobre a literatura no âmbito escolar, desde o porquê a literatura afro-brasileira ou literatura negra ou literatura negro-brasileira não está presente na grade curricular, mesmos com uma lei que decreta o ensino da cultura afro brasileira, até como é possível mudar para que esta literatura adentre as salas e corredores da escola. Toda terminologia que eles usam eles explicam os conceitos sempre demonstrando para a leitora o porquê de estarem usando tais termos e nomeações, achei bem cuidadoso da parte de todas que construíram o livro.
Um dos assuntos que eles explanaram e que nunca tinha passado por minha cabeça é sobre a literatura no sistema prisional. Todos os assuntos que eles apresentam são tratados de uma forma bem realista, o que me fez ficar admirada por esta produção, eles não apresentam a literatura no sistema prisional como a salvadora da pátria e que irá transformar aquele território em um castelo de contos de fada, ele revela a verdade daquele espaço e de como a literatura pode contribuir para uma ideologia de vida que ultrapassa os muros da penitenciária.
No livro também tem uma grande presença do Cadernos Negro do Quilombhoje, que falou sobre os 37 anos de luta, sobre a divulgação e produção dos livros Cadernos Negros e também pelas diversas citações de Cuti (pseudônimo de Luiz Silva). Mais uma vez isto demonstra a força e importância deste projeto para a literatura negra no nosso país, e mais uma vez fico imensamente admirada do poder e resistência deste coletivo de escritoras e escritores negros. Vida longa aos Cadernos Negros!
O livro termina com chave de ouro, o último capitulo é um presente para as leitoras, o capitulo é intitulado - Uma Canção para Duas Escritoras de Sobrenome Jesus: Maria Tereza e Carolina Maria, o primeiro texto é de Cidinha da Silva que faz uma bela homenagem a Maria Tereza Moreira de Jesus, que inclusive é a linda mulher que está na capa. O outro texto é sobre Carolina Maria de Jesus o qual também fala sobre o centenário de nascimento da autora.
No livro tem muito, muito, muito mais do que eu estou dizendo aqui, pincelei alguns pontos que mais me tocaram e chamaram a atenção, o livro é de uma riqueza imensa, recomendo a todas a leitura.