Em Fedro, Sócrates discute sobre o a amor sensual. Para ele, o amor é um desejo. Muitas vezes, o desejo inato por prazeres não corresponde com a opinião adquirida do que é o melhor. Nesse sentido, é necessário aprender a arte da moderação em relação aos nossos prazeres. Só assim teríamos controle de nós mesmos.
Entretanto, o Eros, por ser divino, não pode ser mau. Sócrates assume o mesmo raciocínio acerca da loucura. A loucura, mesmo que seja um estado que nos tira de nós mesmos, nos transmite dádivas divinas.
Também encontramos em Fredo o início da discussão sobre a imortalidade da alma, que irá se estender por todo o volume. Principalmente em Fédon, diálogo que descreve a morte de Sócrates e como ele convence os amigos de que a morte é boa.
"Todo corpo que recebe movimento de uma fonte externa não possui alma, enquanto o que tem seu movimento dentro de si possui alma" (p. 62). A conclusão disso é que a alma é não gerada e imortal. Ela só assume um corpo terrestre quando perde suas asas, dando a esse corpo vida e movimento. Ou seja, o corpo é mortal, mas a alma não. Ela assume a forma corpo, mas não se encerra nele. É necessário reencontrar essas asas perdida, já que é são elas que darão a possibilidade de nos juntarmos ao que é divino. O caminho para que esse reencontro seja possível é o descortinamento da verdade. Portanto, é apenas a alma do amante da sabedoria, a saber, o filósofo, que terá asas.
É por isso que em Fédon, Sócrates constrói todo um discurso para acalmar seus amigos diante de sua morte iminente e demonstrar que ela é o que melhor poderia lhe acontecer. Para ele, a alma se assemelha ao divino e o corpo ao mortal. Nesse sentido, não deveríamos ficar tão apegados ao que depende dos nossos sentidos.
Também é do diálogo de Fedro que vem a máxima de que o corpo é prisão da alma. Para mim, é uma discussão interessante, já que ela se tornou fundamental para o pensamento foucaultiano.
.
Na apologia de Sócrates, monólogo em que Sócrates tenta se defender das acusações que lhe são imputadas pelo Tribunal Ateniense, Sócrates refaz o caminho de Querefonte ao oráculo de Delfos. Querefonte, ao indagar o oráculo se avia outra pessoa mais sábia do que Sócrates, escuta que não ninguém mais sábio que ele. Sabemos que o oráculo, muitas vezes, fala em formas de enigmas e é assim que Sócrates irá receber a mensagem. Do que se trata quando o oráculo afirma que não há ninguém mais sábio que Sócrates? Ele, então, resolve investigar entre os profetas, artesãos e poetas se não existe alguém mais sábio do que ele.
Ao se defrontar com os poetas, o filósofo grego percebe que os expectadores conseguem explicar os poemas melhor do que seu próprio autor. Ou seja, os poetas não compõem seus poemas com base na sabedoria, mas por algum talento natural ou por força de inspiração. Damesma forma, os profetas faziam suas profecias sem o menor entendimento do que estavam enunciando. Os artesãos também seguiam o mesmo caminho. Sua investigação leva à duas conclusões. Primeiro, o oráculo queria dizer que a sabedoria vale muito pouco. Segundo, é preciso saber que não se sabe de tudo. Ele percebeu que o que o diferencia desses poetas, profetas e artesãos, considerados por todos como pessoas sábias, é que ele consegue reconhecer que não tendo o conhecimento apropriado de algo, não pensa que tem. É isso que o torna mais sábio do que todos.
Achei curioso que em nenhum momento Sócrates pronuncia a máxima imputada a ele de que "só sei que nada sei". Apesar de isso estar implícito como sentido no texto, ela em nenhum momento é falada.