Poeta versus língua
Quantas vezes me peguei rindo diante deste brevíssimo conto de Machado... Bastou-me uma leitura para rir das mais superficiais das coisas, como o nome "Bernardão" ou o fato de que lhe foi feita a comparação a Homero ou a Aníbal de Cartago; bastou-me outra para rir e perceber que por baixo das coisas estúpidas havia a maia sagaz das escritas metalinguísticas e metafóricas; pois o que é Bernardo senão as regras linguísticas que "afligem" o verdadeiro poeta? O que é o verdadeiro poeta senão aquele que, diante das regras que lhes são impostas por Bernardão, consegue, mesmo assim, a mais Bela das musas, Estrelada; a musa que é a inspiração para sua poesia e a própria poesia? Nem mesmo Bernardão, a personificação das vanguardas e da "tirania gramatical", foi suficiente para vencer o poeta amado. Acabou-se, enfim, rendido à Beleza da musa do poeta, à Estrelada.


