Em 1985, Gilmar de Carvalho pesquisou, obsessivamente, durante um mês e produziu este livro sobre o fazer televisão no Ceará. Era um trabalho pioneiro de aprender enquanto se fazia, com o desafio de que produção era ao vivo. A TV Ceará passou a ser uma referência no imaginário da cidade que ultrapassava a barreira do meio milhão de habitantes (de acordo com o Censo de 1960). Mudaram as formas de sociabilidade: as cadeiras nas calçadas sumiram e quem não podia comprar um televisor ia para casa a vizinho. O novo meio provocou forte impacto sobre a publicidade. Houve uma renovação do repertório visual das pessoas e o reforço de um processo de educação pelo olhar. O imaginário podia passar das novelas de época ao realismo das secas. A cidade ganhou seus ídolos (João Ramos, Emiliano Queiroz, Cleide Holanda, Ayla Maria). O rádio ganhou imagem. O teatro foi para dentro das casas juntamente com gincanas, esportes, notícias, musicais, programas infantis e as palhaçadas do Renato Aragão (que já era Didi) ou do Marcus Praxedinho Miranda. Um dia, veio o equipamento de videoteipe (para centralizar a produção no sudeste) e o sonho acabou. Mas valeu a pena o que foi feito. É o que este livro sustenta em nome de uma memória que não se perdeu no ar.
A televisão no Ceará - Indústria cultural, consumo e lazer
Gilmar de Carvalho
OMNI Editora Associados
2004
138 páginas
4h 36m
ISBN-13: 9788588661059
Português Brasileiro
Edições (2)
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