O Brasil tornou-se, na prepotente perspectiva europeia, o país do futuro no momento em que os portugueses colocaram seus pés em nossas terras. Entretanto, sabemos que a América, espaço indígena por excelência, jamais foi a mesma depois da colonização. Mas o que nos diferencia, em essência, dos Estados Unidos, por exemplo? E se os ingleses tivessem vindo para o Sul e não para o Norte? É sobre essas e outras dúvidas civilizatórias que o economista Eduardo Giannetti guia seus "Trópicos utópicos".
Dividido em quatro partes, os Trópicos Utópicos de Giannetti estão dispostos através de aforismos e em micros e pequenos ensaios sobre a crise na qual a humanidade atualmente se encontra. Recheado de provocações e citações filosóficas, de Adam Smith a Karl Marx, por exemplo, a alma brasileira que vive dentro de Giannetti analisa como está o nosso país perante as convulsões de nosso tempo. A tecnologia desenfreada, o consumismo predatório, a alta concentração de renda em poucas mãos, a temível economia de mercado, a inevitável globalização e o preocupante e inconsequente descaso com as políticas ambientais. Nada escapa, ainda que em poucas palavras, ao radar aguçado do autor. Pincelando pesquisas com opinião e experiências de vida, Giannetti não oferece aos leitores respostas mas sim novas perguntas, pertinentes, que todos devemos fazer: é possível realmente tornar o Brasil o éden do mundo? Como um local tão rico de recursos, culturas e, como ele aponta em alguns dos textos do livro, de felicidade - mesmo que esta se dê em meio a tanto sofrimento - não está no topo das decisões mundiais? Para Giannetti, o Brasil tem muito a oferecer a este mundo que aí está hoje, cambaleante a autodestrutivo.
Como diria Nélida Piñon em uma entrevista ao programa Roda Viva em 1997, o tempo escoa velozmente e por isso os desejos de Giannetti são tão inadiáveis quanto os dos grandes brasileiros que nosso país teve, tem e terá, e cabe a nós, somente a nós, dar conta do desafio.