Poesias Completas (Coleção Prestígio) - Broquéis, Fárois, Últimos Sonetos

    Cruz e Sousa

    Ediouro / Tecnoprint S. A.
    1990
    118 páginas
    3h 56m
    ISBN-13: 9788500112133
    Português Brasileiro

    Broquéis, Fárois e Últimos Sonetos constituem o precioso legado que João da Cruz e Sousa, o infeliz poeta negro, deixou às letras em pleno apogeu do Simbolismo. São poesias em que sob colorida diafaneidade brilham riquíssimos tesouros. No dizer de Antônio Soares Amora, "a arte simbolista impôs finalmente uma nova concepção do mundo objetivo, o mundo das coisas e dos seres, que então perdem o sentido que o Realismo fez supor terem por si mesmos, e adquirem o sentido, ou melhor, o significado que lhes dá o espírito ou a alma de cada indivíduo."

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    Ivana Mayrink29/09/2024Resenhou um livro
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    Cruz e Sousa é um dos nomes mais emblemáticos do simbolismo brasileiro, marcando a literatura nacional com uma produção poética carregada de riqueza estética e profundidade psicológica. Sua poesia é permeada por uma linguagem singular que evoca a transcendência, o mistério e o subjetivismo, elementos característicos do simbolismo. Essa escola literária, que emerge em resposta ao racionalismo e ao materialismo predominantes no final do século XIX, encontra em Cruz e Sousa um dos seus representantes mais autênticos e inovadores. A linguagem poética de Cruz e Sousa é composta por uma simbiose de sensações que atravessam os versos, criando um universo onírico e etéreo. Sua escolha vocabular é vasta e sofisticada, com palavras que carregam múltiplos sentidos e se entrelaçam em imagens sinestésicas que envolvem o leitor em um ambiente quase espiritual. Termos como "névoas", "abismos", "luz", "trevas" e "fantasmas" são recorrentes em sua obra, e sua utilização não é casual; cada um desses elementos é meticulosamente selecionado para construir uma atmosfera carregada de simbolismo e mistério. Em poemas como "Violões que Choram" e "Região Azulada", observa-se a habilidade do autor em transformar as sensações e percepções mais sutis em uma linguagem repleta de musicalidade e lirismo. O uso de aliterações e assonâncias, além da escolha de ritmos fluidos e cadenciados, faz com que os versos ressoem como verdadeiras melodias. Assim, a poesia de Cruz e Sousa não apenas comunica uma ideia ou emoção, mas cria um ambiente sensorial que permite ao leitor "sentir" cada palavra. Cruz e Sousa também se destaca pela exploração do inconsciente e das profundezas da alma, fazendo de sua poesia uma espécie de mergulho no mundo interior do ser humano. Seu vocabulário é frequentemente associado a sentimentos de angústia, êxtase e êxtase místico, buscando expressar aquilo que não pode ser dito em termos racionais. Esse movimento para o interior, essa busca pelo desconhecido e o inefável, faz com que sua poesia seja um reflexo do anseio por compreender o próprio ser e o universo. O impacto de Cruz e Sousa no simbolismo brasileiro é inegável. Ele não apenas trouxe para o Brasil a estética e os valores dessa corrente literária, mas também soube adaptar tais elementos ao contexto local, explorando temas como a opressão, o preconceito racial e a busca por liberdade, de maneira profunda e sensível. Filho de escravos, Cruz e Sousa viveu e sentiu na pele as injustiças sociais de seu tempo, e sua poesia muitas vezes reflete essa angústia e a busca por transcendência em meio à dor. Sua contribuição vai além da técnica literária; é uma afirmação da voz marginalizada e uma expressão de resistência por meio da arte. Assim, a poesia de Cruz e Sousa é uma viagem pelas emoções humanas, pelo sensível e pelo etéreo. Sua linguagem rica, complexa e carregada de simbolismo contribuiu de forma significativa para a evolução da literatura brasileira, não apenas pela inovação formal, mas também pela profundidade das temáticas que abordou. Cruz e Sousa é, sem dúvida, um pilar do simbolismo, cuja obra permanece relevante por sua beleza estética e pela força de sua mensagem. Sua poesia é um convite a desvendar os mistérios da alma, a buscar significados ocultos e a encontrar beleza mesmo nas sombras mais profundas.

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