O Mulo: Darcy Ribeiro
Darcy Ribeiro conhecido por sua competência como antropólogo e educador, se aventura nesse seu segundo romance. A história é desenvolvida a partir de uma carta-testamento, onde um típico coronel que foi na vida dono de gados e gentes, se dá conta de que envelhecido e solitário, teme a morte e não tem nem mesmo a quem deixar todos os seus bens. No delírio da velhice aterrorizada, decide por mandar um portador encontrar um padre; a quem pretende se confessar, e, fazer dele, o seu único herdeiro. A saga de vida de horrores e arrependimentos tardios vai sendo narrada aos leitores, que na ausência do confessor, se configuram por únicas testemunhas. Portanto, a herança deixada pelo Mulo é o relato de uma vida dura empobrecida de princípios e rica em valores (des)humanos: violência (in) justificada, latífúndio, homossexualismo, religião, racismo, entre outros temas, são abordados de forma corajosa e sem reservas. Em princípio, a obra assusta pela crueza. O Mulo tem uma peculiaridade interessante; foi escrito durante o exílio do autor e publicado em seu retorno ao país. Momento da reabertura política e conhecimento do câncer que o vitimou em 1997... Enfim. A sugestão é: Leiam o livro e façam suas análises de quanto do autor está em seu principal personagem e do quanto de Brasil está representado pelo sertão do norte de Minas até Goiás!





