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    Caetés (Mestres da Literatura Brasileira e Portuguesa) -

    Graciliano Ramos

    Editora Record
    1933
    239 páginas
    7h 58m
    ISBN-10: 8501159433
    Português Brasileiro
    4.5
    2 avaliações
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    João Valério, o personagem principal, introvertido e fantasioso, apaixona-se por Luisa, mulher de Adrião, dono da firma comercial em que trabalha. O caso amoroso é denunciado por uma carta anônima, levando o marido traído ao suicídio. Arrependido, João Valério, afasta-se de Luisa, continuando, porém, como sócio da firma. Neste romance em primeira pessoa, aparecem duas instâncias de narração, diferentes entre si: o livro que o narrador-personagem João Valério escreve (cujo título é também Caetés) não se assemelha ao romance Caetés que Graciliano está escrevendo, entretanto, o narrador personagem acaba por se inscrever entre essas duas linhas, colocando-se ele próprio e toda a sociedade de Palmeira dos índios analogicamente como índios caetés. No romance homônimo escrito pelo personagem, o tema principal é a deglutição do bispo Sardinha pelos índios, episódio presente no Manifesto antropófago de Oswald de Andrade enquanto no romance de Gracialiano, o índio deixa de ser um ícone do processo constitutivo da nação, para se transformar em um personagem. Benjamin Abdala Júnior diz que "na interação dos caracteres, como ocorrem em relação ao João Valério, de Caetés, afirmam-se as marcas do autor implícito."[

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    Elifas Lira24/11/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Romance inicial de Graciliano

    Graciliano pública o livro em 1933, no auge de um novo Brasil iniciado pela revolução de 30. Novas expectativas quanto a esse Brasil corria o imaginário de nossos patrícios da época. Não era diferente para o autor. Essa obra, embora, e de certa forma desprezada por Graciliano, deve ser lida por todo aquele que adora uma boa narrativa. Desde o leitor comum ao especialista. O leitor comum vai se divertir com as mentiras de Nicolau Varejão. Combinar seu sentimentos com os do personagem principal, João Valério. Se apaixonar indiretamente por Luiza. E se irritar com as exigências de D. Engrácia. O leitor especialista, i.e., o leitor que tem um foco mais para a crítica literária vai se debruçar sobre o estilo do alagoano já nesse primeiro romance. Há uma clara influência de Eça de Queiroz na obra, mas isso não desmerece a qualidade criacionista do autor. Como Wilson Martins destaca, Caetés apresenta a estética de Graciliano, bem com o foco que preocupa o autor: o ser humano. Há uma brilhante preocupação aos aspectos psicológicos dos personagens. O problema não é o mundo, é o ser humano. Este confundiu o Bem com o Mal, logo não sabe definir o que certo e errado. Pensa está fazendo o bem fazendo o mal. Se prejudica fazendo o bem, tem lucro fazendo o mal. Dessa forma, embora o autor tenha uma consciência ideológica bem definida, não há influência desta em sua obra, pelo contrário, há uma aproximação mais do interesse no individual do que ao coletivo. O livro parece ter sido encerrado as pressas. Poderia ser melhor finalizado. Da a mesma impressão de quando os autores das novelas televisivas precisam encerrar a obra porque o tempo já está no fim. O desfecho sem um final feliz é prova do que escrevi acima, sobre a confusão do bem com o mal. Há algo de metaliterário quando o personagem fala sobre a criação do seu livro: Caetés. Adorei o livro e sempre que puder estarei relendo.

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