O livro se desenrola em quatro partes, recheadas de densas informações e atualizadas discussões teóricas e bibliográficas. Vasto contingente de fontes documentais, de crônicas de viajantes estrangeiros a denúncias da Inquisição, teses de medicina, livros de higienistas e criminalistas alimentam robustos capítulos. A primeira trata das monstruosidades, das resgatadas dos relatos de viagem do Renascimento à teratologia, ciência dos monstros e dos degenerados, que, no século XIX passa a discutir estragos na espécie humana. Na segunda, a autora explora o material produzido pelas Visitas do Santo Ofício analisando casos tão surpreendentes quanto o de Brites Fernandes de Camaragipe, aleijada e mentecapta, perseguida e condenada por deficiência mental. A idiotia, nesses tempos, era vista como um defeito moral. Mais eloqüente do que a Inquisição foi outro tribunal: o da eugenia. Esse perseguia “negros tolos”, onanistas, pederastas, cegos, surdos-mudos, prostitutas e jovens delinqüentes. A utopia de uma sociedade organizada e produtiva, constituída só por exemplares perfeitos da espécie humana, estava em curso com o apoio de renomados médicos do século XIX. Os remédios? Esterilização, extermínio, embranquecimento. Na terceira parte, Lilia se debruça sobre as marcas da deficiência no corpo de escravos, parcela dos que os teóricos chamavam de “humanidade inferior”. E conta a trajetória dos descartados, dependentes da caridade pública e das redes de solidariedade montadas pelos próprios cativos. Doenças, mutilações, suicídio, fome e castigos eram ao mesmo tempo causa e conseqüência da existência destes “fardos sociais”. E o que dizer de sua inserção no mundo do rendimento e da cidade? Na última parte deste alentado trabalho, excelente é sua contribuição sobre os estabelecimentos especializados como o Imperial Instituto dos Meninos Cegos, o Instituto dos Surdos-Mudos e o Pavilhão-Escola Bournevelle para crianças, ainda tão pouco estudados. O último, substituiu o hospício que na pena de Olavo Bilac era a “Casa do Sofrimento”: habitada por alucinações, ali tudo respirava miséria e abandono, e as crianças viviam pelo chão, gritando e se arrastando como “animais malfazejos”. O único alimento, além da ração diária que recebiam, era o carinho de certa Tia Ana, uma Cabocla louca e segundo o poeta, doida de amor pelos filhos que não tivera.
OA INFAMES DA HISTÓRIA, POBRES, - ESCRAVOS E PESSOAS COM DEFICIÊNCIA NO BRASIL
LILIA FERREIRA LOBO
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Ver maisTotalmente fichamento, nada resenha! desculpa colegas, leitores (as)
• O inicio do livro trás uma serie de fotos que tem como personagens além de seres humanos, prédios e estruturas do Brasil que estavam intrinsicamente ligados aos personagens em destaque, os escravos (as), deficientes e pobres. 1) Prefácio: Logo se vê a analise Focaultina da autora, além da citação de Deleuze ao iniciar. Os figurantes da narrativa e analise de Lilia são pessoas que foram representadas desde o século XV como monstros, espectros e etc., passando para os controles sociais em relação aos loucos, idiotas, surdo-mudo etc., não atoa, há em Lilia uma clara menção a metodologia e reiteração da critica Foucoultiana sobre a lógica das filantropias, casas de misericórdias, hospícios etc., instituições que criaram o ''controle'' para aqueles que não estão aptos a escrever a História. • Para a genealogia, é preciso sempre recorrer as práticas, inúmeras práticas, mais ou menos metódicas, mais ou menos intencionais, modos simultâneos de agir e pensar, que provem a chave da integibilidade entre o sujeito e o objeto. • 0BS: Antes de finalizar a leitura para apresentar o seminário, e ao longo do livro, reler a apresentação para de fato compreender novamente tudo que está sendo proposto. • Capítulo I. Monstros e degenerados. Pg.23 - 70; • 1.1 - A terra descoberta: Monstros, maravilhas e seu avesso; § O capítulo inicia alegando que o exótico ocupou um lugar singular à época dos descobrimentos, no entanto, no caso portugues, essa atenção foi dada apenas após os 50 primeiros anos de ocupação, em virtude da preocupação e comércios no Oriente. § O imaginário medieval foi um terreno fértil para todas essas idealizações que causavam vertigem nos renascentistas. É claro que, ao decorrer e passado então o período transitório, o renascimento flertou com o concreto, com as representações, o que mesmo assim não impede que o século XVI tivesse naturalistas e relatores de viagens como Taunay em ''monstros e monstrengos'' relatando animais como os (anuns, pássaros sem sangue, ostras que menstruam como as mulheres, cagambás que fedem e podem até ser usados como armas de guerra), isso tudo dentro da lógica brasílica. § Autores como Ambrósio Fernandes Brandão, Frei Vicente de Salvador, Simão de Vasconcelos tem relatos sobre as salubridade dos ares, a floresta verde, a fauna exótica, o gentio (ora dócil, ora perverso), assim como também: Pero Magalhães de Gandavo um grande propagandista da ocupação do Brasil, assim como ele, outro propagandista foi Ambrósio Fernandes Brandão. § Além é claro, das menções as riquezas não como as dos castelhanos, mas a raridade das doenças, a fortuna alimentar que em muito se parecia com a Europa segundos os relatos, e ainda, algumas pedras preciosas que eram encontradas léguas sertões a dentro, como é citado algumas esmeraldas trazidas pelos indios. • 1.2 - O índio: monstro canibal § Os canibais ocuparam os escritos em grande medida, o índio de maneira era descrito ora sob uma perspectiva detratora, ora edênica, prevalecendo a edênica, além das conformidades as quais os europeus se enquadraram no Brasil assim que chegaram. De qualquer forma, tudo isso, não impediu que os indios fossem postos na berlinda do genocídio ameríndios ou do trabalho escravo como sabe-se. § Exposição dos indios na Europa, é destacado aqui, como os indios eram suscetíveis a embarcar nas naus portuguesas, holandesas de (Nassau) e assim por diante, sendo expostos em feiras, ou em festar brasileiras de exposição como a da França em 1550 com 50 indígenas. § A ideia do bom selvagem para os franceses. Jean de Léri e Jaboatão; § OBS: PARA EXPLICAR ESSE CAPÍTULO NO SEMINÁRIO, USAR O LIVRO ''O DIABO E A TERRA DE SANTA CRUZ '' DA LAURA DE MELLO E SOUZA. § Vale mencionar o processo de catequização que houve em cima desses ''seres bestiais'' além de alguns relatos do Padre Anchieta, chegando a se comparar a um veterinário, onde ele tratava dos indios a semelhança de um cavalo. :( § Gandavo e Anchieta ainda falam das dinâmicas internas do indios, como os filhos, os vícios, os costumes, a não vontade de acumulação e bens, assim como o fato de não terem nem L, F e R de acordo com Gandavo, o que os colocava como homens sem doutrina e razão. § Por fim, sem duvida nenhuma o que ocupava em grande maioria os relatos europeus, dos padres, naturalistas e todos os que escreviam sobre o Brasil (como HANS STADEN) falam das praticas canibais, o que recentemente gerou um intenso debate a cerca do aumento sobre tais relatos, o que não pode se saber. De qualquer forma, os indios e sua antropofagia pela lógica da vingança ganharam as linhas dos relatos e foi o alvo maior de todo o período. • 1.3 - Monstros: do mundo das similitudes ao das representações § Deus criou o homem perfeito, suas marcas e problemas são desvios da criação. O diabo é mau, porque se transforma, logo, a imitação de um desvio (como a surdo-mudez) é maligno. § Classificação: Os 4 tipos de monstros. Séc. XVI: Os dois tipos de monstros; Santo Agostinho > Medievalidade > Espécies monstruosas e monstros individuais; Os primeiros como defende Foucault são as variações criacionais, já os segundos foi um intermédio criado por Deus; Logo, o 1º grupo (espécies monstruosas...) são intencionais, uma forma de equilibrar a criação; Criações intermediarias para garantir a homeostase criacional. Já o 2° grupo é um resultado da ira de Deus, a depravação humana tem consequências: deficiências, deformidades, aspectos animalescos, tudo isso é uma demonstração da ira de Deus, a natureza se encarrega de lembrar ao casal transgressor que a criatura gerada carrega a advertência divina; § Só a título de ilustração, essas categorias de monstros aplicou-se veemente ao Brasil, inicialmente aos aspectos e características indígenas, aos seus hábitos, os ritos, as formas de culto, e outras dinâmicas internas, assim como, mais tarde viria a ser com os negros e os revoltosos das provinciais como a de Vila Rica, a monstruosidade era uma categoria que ESCAPOU A RACIALIZAÇÃO QUE O BRASIL VIVENCIOU, pois como podemos perceber os monstros de Vila Rica eram assim por transgredirem, revoltar-se e assim por diante. § OBS: Vale ressaltar, que como a teoria usada é a de Foucault, segundo o autor, o século XVII vivenciou a mudança de epísteme, quando a linguagem, a regra vigente do saber, ganha uma nova configuração, portanto, as representações a partir de então açabarcam maiores possibilidades e descrições minuciosas. § D Horta e o caso Ana Maria (deformidade); pág. 37. • 1.4 - A biologia dos monstros: degenerescência da espécie; § Agora no século XIX com novos paradigmas, novas ciências surgindo, os desvios e animalidades sofrem um deslocamento de eixo que antes se concentrava em Deus e seus mandamentos para a ciência. É ela quem explica as transgressões do mundo animal. § E G Saint Hilaire > Estudos biológicos e leis naturais da anatomia monstruosa. § E até que ponto o advento da biologia, do Lamarquismo, Darwinismo e o século XIX contribuíram para pensar isso tudo? □ A hereditariedade (ou leis dos caracteres adquiridos). • 1.4.1 - A hereditariedade e monstruosidade; § José dos Santos Correa Pinto e a tese de doutoramente em Medicina. Sua tese defendida na faculdade de medicina da Bahia em 1855, de titulo '' Influencias fisicas e morais do pais sobre a prole '' colocava a embriaguez, a imoralidade na hora do ato e outros aspectos como crucias para o filho nascer idiota, lesado, fraco de corpo e espirito etc., § Um exemplo de como essas influencias de espirito ou de corpo podiam influenciar segundo eles no nascimento de alguém, esta em uma afirmação do médico em que: '' se acredita que o espirito dos bastardos é melhor e mais enérgico pelo ato de transgressão que é enérgico, logo o espirito do bastardo (a) é brilhante... § Roza, um outro individuo que se formou em Medicina só que pela Faculdade do RJ formulou que a consciencia moral da mãe na hora de conceber e de formulação do feto era um fator de primazia para as irregularidades ou não do bebe. E ele cita várias exemplos de como isso se dava. § Os vícios, a carnalidade, as viscitudes de maneira geral eram mais fáceis de serem transmitidas pelo lado materno, já que acreditava-se que a hereditariedade dessa sobre era muito maior. § Pág. 45: Descrições das formas de transmissão e quais as doenças. § Carvalho em 1872 faz um a classificação dessas formas de transmissão (pág.46) • 1.4.2 - Moral e Degenerescência: § Tratado das degenerescencias, Benedicte Auguste Morel; • 1.5 - Espelhos da alma: os estigmas da degenerescência; § Precisava criar uma identificação desses degenerados, logo, as marcas físicas fizeram-se presentes nesse objetivo. No entanto, mas importante que esse aspecto físico dado as degenerescencias, o livro de Morel '' tratado sobre as degenerescencias '' não foi o suficiente, queriam saber da alma. Pg 51. § A frenologia de Gall. No século XIX e no Brasil, estavam tentanto explicar como a hereditariedade e os desejos da alma se reproduzem fisicamente, ou seja, estão tentando mostrar as ligações entre o campo do invisivel e do visivel, mas tentando provar que o corpo é uma extensão da alma. Por isso existe a primazia para estudar o cerébro, já que dele vem os comandos humaos e atitudes de maneira geral. § Aristocracia natural: Domingo Marinho de Azevedo Americano, formado pela faculdade de Medicina do RJ no século XIX alega na pág 52, cinco elementos que falam sobre esse assunto, o primeiro elemento são: as ideias inatas. Portanto, para ele, alguns nascem inteligente e outros imbecis, isso é a aristocracia natural. □ Em meio a todas essas proposições, os frenologistas estudavam os tamanhos de cérebro, suas protuberâncias, encaixes do crânio etc., logo, um cérebro maior a pessoa seria mais inteligente. □ O Ângulo facial: Usado após estudos envolvendo animais pelos frenologistas de que: quanto mais desviante daquilo tratado como não inteligente, a pessoa recaia na categoria,, imbecil, burro, indigno de ser estudado ou mencionado como negro de reduzida inteligencia. A frenologia foi muito aceita na Europa do século XIX e prometia desvendar os reconditos da alma, institntos, desejos, fetiches, enfim... Seria uma quase pré-psicanalise. De acordo com Lilian Schawrcz o brasil viveu isso na Bahia e teve um papel preponderante no séceulo XIX a craniologia. § A frenologia foi associada a degenerescencia, eugenia e criminalidade. Vale lembrar que a eugenia era uma teoria racial branca a ser atingida com desejavam alguns, e a criminalidade associada era com os '' problemas '' fisicos da pessoa, segundo a época, tinha como saber que um criminoso era criminoso por alguns detalhes que o livro cita, entre eles, chegasse ao final tendo várias caracteristicas dos negros presentes na descriçao. § PESQUISAR SOBRE CESARE LOMBROSO: • 1.6 - O idiota: O monstro completo; § As relações feitas entre o louco x idiota; idiota x imbecil; e idiota x demente. Todos eles tendem a colocar o idiota como algo incurável, determinada, sua pobreza já veio de maneira imutável, enquanto que as outras categorias são passiveis de mudança porque foram adquiridas ou sofreram outro tipo de problema que conduziu a este estágio. § O idiota segundo a teoria de Morel era o idiota definitivo, sem qualquer compostura moral e intelectual § , a degenerescia que dentro do quadro das imperfeições era aquilo que não podia ser corrigido. § OBS: Aqui não importa os autores estrangeiros que influenciaram o nascimento do embrião ''analítico'' dessas categorias no Brasil, importa para nós a altura dos estudos em que a classe médica resolveu que essas categorias, que o louco, o idiota por exemplo, era qualificado para habitar um hospício e ofertava riscos para a sociabilidade dos demais, ou seja, ofertava um risco, periculosidade por não ter suas faculdades mentais ajustadas e aptas para a vida ''normal''. § Idiotismo: Um estudo que ia do grau mais passivo dessa categoria até a mais perigosa, que era a instabilidade mental e física perante o coletivo, os riscos que apresentava. § Por fim, vale salientar que o idiota era igual o animal, portanto, a ala do hospício que não promovia nenhum estudo, nenhuma recuperação e auxilio aos desviantes era deles, somente dos idiotas. • 1.7 - Surdo-mudo: Forma teratológica parcial; § Independente de consanguinidade ou não, esta categoria estava logo abaixo da idiotice, pois demonstrava degenerescência mental e logo física também. § A imagem lomrbosiana, do surdo-mudo imbecil, violento e sem as faculdades mentais era pintada nesse periodo. § A comparação existente nas degenerescencias eram muitas, o surdo-mudo colocado como uma monstruosidade parcial, mas ainda sim monstruosa ocupa um ligar de constrante ao cego de nascenca, que nesse caso é apontado como dócil, inteligente pois se vira desde o nascimento e naturalmente está em gau qualifcativo da época acima do surdo-mudo. • 1.8 - Monstros das feiras, monstros infames da ciência; § Os circos fizeram sucesso até 1930 nos EUA, com todos os estereótipos ''bizarros'' que agradavam o público e erram a perdição dos psiquiatras do período. Anões, obesidade extrema, mulher barbada, encantador de serpentes, idiotas-úteis enfim.. Essa dinâmica do circo nada mais era que uma exposição das ''monstruosidades'' humanas e que para os '' normais '' agradou um bom tempo. § A arte de ganhar dinheiro com sua diferença física ou moral era socialmente aceita nesse período, as feiras, circos e espaços em geral que continham essas pessoas não era lugar de pena, caridade, compaixão e sim de aperfeiçoar sua anomalia do ponto de vista da pessoa portadora de tal deficiência ou ainda, de ver o novo, o diferente para o publico. § William Henry Johnsson e o menino com rabo (paginas 67-68) apresentar esses exemplos para a turma. OBS: BRILHANTE > Lilia Lobo fala da piedade filantrópica que nasce com os desvios mentais e físicos, com as deficiências de outrem, isso tudo com o fim lucrativo, ou seja, a deficiência também fez seu rearranjo capitalista. Capítulo II. Os tribunais: Inquisição e Eugenia. Pg.70-120; • 2.1 - Da Inquisição moderna à medicina social; § Ao contrário do que muitos historiadores (as) pensam, a Inquisição deixou seus impactos no Brasil, sua diferença consiste na não permanência desse tribunal. Nesse contexto moderno, e não mais medieval das Inquisições, o que ocorria na península ibérica, as vezes se estendia para suas colônias, como foi o caso do Brasil, um refugio para os judeus (ou como chama-se na época, cristão novo). § A data de 1391 é o do massacre que forçou os judeus a se converterem ao cristianismo para evitar o massacre. Mas é no século XVI, com os reis católicos da Espanha que a Inquisição ganha forma, a fim de castrar todo avanço que os judeus vinham realizando, ameaçando a nobreza regional, a burguesia já existente, eram letrados e afins. § É importante destacar que Portugal, depois do Rei dom Manuel, vai ter em Dom João III uma negociação com o papa e Roma para agir em seu território sem interferência. A nomeação dos inquisidores daria mais poder do que os bispos tinham, daria direitos de confisco, perseguir e rastrear os novos ''comerciantes'' que controlavam o que sobrava das ações da coroa referente ao comércio e politica. § No Brasil já se sabe que o primeiro tribunal inquisitorial foi instalado em 1591-1593, na Bahia, logo em Pernambuco, de novo na Bahia e Grão Para no século XVIII. Aqui, a perseguição não era apenas contra os corpos e a carne daqueles que podiam irromper com a ordem vigente estabelecida na colônia pelos cristãos velhos, mas as leituras heréticas, outras práticas que podiam desvirtuar e conduzir ao pecado geral. § Saindo da Inquisição e sobrevoando o cenário higienista, alienista e dos que se formaram nas duas escolas de Medicina do pais, Bahia e RJ, vemos que o século XIX e XX proporcionou o estudo dos desvios físicos e mentais, isso tudo aliado a eugenia e sanitização em prol da elite. □ O caso de Brites Fernandes, como destaca a autora Lilia Lobo e os higienistas do século XX exemplificam muito bem isso. Fazia-se apologia a esterilização das pessoas que claramente tivessem alguma ''degenerescência'' pois, assim conseguia-se evitar uma reprodução contagiosa. Ou seja, os tribunais e o controle dos corpos somente fez um rearranjo, mas estava operacionalizando a sociedade da mesma forma, imiscuindo-se nela e moldando os sujeitos. • 2.2 - A peste e o poeta: a história de Brites Fernandes de Camaragibe. § Obs.: Narrar a História para os colegas entenderem • 2.3 - Brites: Personagem do controle inquistorial. • 2.4 - Mentecaptos, cegos e surdos: Outros casos inquisitoriais. § Aqui, basicamente a autora atem-se ao fato da Inquisição não perdoar essas categorias de deficiências, o controle se dava e aplicava a todos. No caso do Brasil, os casos relatos nessa 1pg/meia mostram que cegos, surdos, mentecaptos etc., eram julgados, torturados e se aplicavam a lógica inquistorial, nem mesmo os octogenários escapavam a essas práticas lusitanas. • 2.5 - A inquisição e a colônia. § Aqui nada foi como mais tarde no século XIX, onde as pessoas eram analisadas pelos higienistas, na colonia a ordem vigente para uma ação inquisitorial era o: ''Ouvi por assim dizer '' e confissões, denúncias etc., a Inquisição teve outras formas de controle. Suas poucas vindas podia estar revelando algo, ou não, só veio poucas vezes pela distancia mesmo e pela despreoocupação com a colonia em grande medida. • 2.6 - Confissões: Sexo anormal dos anormais; § O SEXO ANORMAL DOS ANORMAIS, faz menção aos mentecaptos, imbecis, idiotas, defeituosos físicos e mentais de outras natureza que não tiveram muita ênfase dada pela Igreja católica, mas que também não eram isentos e tratado diferentemente, vimos no caso da Brites que o tratamento era o outro. O que paira sobre o século XIX diferente da Inquisição é controle pela lógica eugênica da população. § A confissão se tornou uma categoria, e em muitos casos adiante obrigatória, mas teve inicio enquanto um apêndice da Igreja em 1215 no tratado de São João Latrão. Essa prática serviu muito na colônia, uma vez que, o relator, aquele quem confessa é expurgado de todo o mal dos seus pecados, levando consigo até mesmo seus próximos. § É importante destacar como a categoria do século permeou e adentrou o público e o privado. Foucault retoma a tese de que, a humanidade viu o sexo pairar a boca de seus confitentes. A forma como a igreja se apoderou dos corpos pela lógica de certo ou errado envolvendo a carne, os prazeres e a imaginação foi uma forma que durou até o sexo ser separado de todas essas relações e categorias no século XIX. § A igreja, que na realidade estava vendo que quem ofertava a Inquisição em grande medida era o corpo estatal, começou a conjurar uma série de restrições e nasce portanto, o controle dos corpos, além dos julgamentos a respeito das pecaminosidades como: onanismo, pederastia, masturbação, homossexualidade. § Aqui o julgamento do século XVIII e XIX se encaixa ao grupo dos ''normais'' e ''anormais''. Pois, no meio dos inteligentes havia também as viscitudes, os desejos, a mente inclinado ao caos... Cita-se que homem poeta e notável - onanismo; outro não menos notável, artista e pederasta e assim por diante, ou seja, os gênios não escapavam a mesma regra que enquadrava os degenerados: imbecis, idiota, prostitutas, débeis etc. • 2.7 - Movimento eugênico: tribunal de todos os desvios. • 2.7.1 - utopia eugênica: em defesa da espécie e da ordem social. § A eugenia tornou-se a tônica do século XIX, no meio social também além do cientifico. Isso começou com Galton e Darwin, a hereditariedade dos caracteres era vigente como a elaboração do momento, a diferença é o racismo e preconceitos presentes em Galton, uma vez que este colocou como categoria hereditária a mentalidade. § O Darwinismo social foi a tônica até mesmo no ''livre mercado'' inglês e americano, a tese da evolução humana começou a ser confrontada pela tese da degenerescência fatal; § Engana-se quem pensa que as transformações socioeconômicas como o trabalho, por exemplo, não mudaram as concepções acerca do apto e do inapto, do normal e do anormal, agora a exigência são sujeitos e corpos aptos e que podem dar continuidade no novo regime de trabalho. O perigo social que já era vigente e foi retomado no XIX agora se une ao fardo social, aquele que não trabalha no mundo industrializado e agora faz com que haja uma dependência do Estado para com esse (a). Não atoa, vemos que século XIX foi um excelente propagador das esterilizações e outras formas de evitar as uniões e procriações. • 2.7.2 - Medidas regeneradoras: Proibição de casamentos, esterilização e extermínio. § A proibição dos casamentos nasce no século XIX em grande medida pelo que já se vinha analisando, a consanguinidade, os casamentos interaciais. § 1918> Criação da sociedade eugênica de SP; Brasil-médico > propagador de tese eugênicas como as que são citadas na página 111. § Páginas 113-114 são legais porque comparavam a eugenia alemã nazista com o período vigente no brasil e como isso se deu dos dois lados, quais as diferenças. • 2.7.3 - Medidas profiláticas: Prevenção e educação. § LBHM e as medidas eugênicas do Brasil • 2.8 - Retrato da tristeza brasileira: o doente cantor da misericórdia. Cap. III. Corpo cativo e corpo assujeitado: As marcas da deficiência. Pág.121 - 232. • 3.1 - Os fantasmas reais da escravidão. § Antonil: '' O Brasil é o inferno dos negros '' § Aqui estamos tratando basicamente dos 388 de escravidão brasileira e como o fenômeno mais duradouro da História da humanidade continuou a posteriori. Como é que ficou a questão deles (as) após a ''alforria''? Sabemos essa resposta, e não é boa; • 3.2 - Corpo cativo e seus destinos: apresamento, viagem e exposição nos mercados. § Sabemos que a escravidão moderna começou antes da invasão ibérica na América do Sul. O caso com os indios e os escambos do inicio não podem ser categorizados como escravidão à rigor se colocamos em parâmetro o genocídio africano. Mas acontece que a lógica do europeu de plantar e ser sedentário para produzir não agradou os indígenas, logo, a forma de segura-los foi a escravidão e apreamentos indígena. • 3.3 - Escravos, escravizáveis e fardos sociais. § Sabemos que a diferença de um negro (a) escravo no Brasil em relação a uma vaca, é que a segunda era tratada melhor e tinha mais direitos jurídicos que o próprio escravo. Os escravos só eram vistos como humanos pela primeira vez na hora de serem julgados por uma penalidade. Essa justiça brasileira, normalmente era segura quando o escravo estava em julgo mas apoiado por seu senhor que não queria o perder, ao mesmo tempo que era muito dura e implacável quando o senhor era atacado, isso raras vezes, pq nas demais o senhor mesmo resolvia. Ou seja, a justiça brasileira do período era muito boa em garantir direitos de propriedade branca senhorial. § A questão dos escravizáveis que a Lilia trás é pensar nas diversas formas que existia de um negro (a) serem sujeitados novamente ao regime de trabalho forçado. Por exemplo, a região do Amazonas que comportou espaços de refúgios para esses escravos refratários ao trabalho forçado, esses normalmente se achado eram recolocados na condição de escravos, podiam ir a leilão, o tratamento dado era o mesmo que o dado a um animal achado perdido, um boi por exemplo. § O negro (a) no brasil eram colocados em regimes extenuantes de trabalho. No caso do RJ que tinha o maior centro de comércio de escravo, na rua do Ourives com Ouvidor. Ali rolava até escravo branco. Nessa época o trabalho braçal era desonroso, e aliado a isso existia a questão de que alguns senhores, como o que a Lilia traz, tinha por volta de 300 escravos de ganho: negas quitandeiras, prostitutas, escravos de aluguel e afins. Esses, normalmente tinha uma taxa diária a ser cumprida, em caso de cumprimento, o excedente era deles o que permitia comprar sua alforria a longo prazo, e também apanhar em caso de não cumprimento. § Vale lembrar que a escravidão foi tão avassalarado, implacável etc. Que os negros alforriados ou libertos compravam outros escravos, ou seja, a dinâmica escravista do Brasil era poderosa. § Eram usados também para esmolar, ou seja, pedir esmolar se aproveitando de uma possível doença que lhe afligiu, o senhor na maioria das vezes se aproveitava disso. § Devemos ter em mente que essa dinâmica de possuir escravos no Brasil era a ordem vigente e obrigatória por assim dizer, brancos, forros, negros, todo mundo tinha um. § Mas agora, no fim do século XIX, depois de atravessar quase 4 séculos de uma prática ininterrupta, o corpo de antiescravistas cresce em 1880. A partir da abolição, o corpo negro é descartável. Claro, as teses raciais colocam agora o negro e não mais o índio como bestiais, seres aptos aos trabalhos menos nobre, a convivência com a raça branca era permitido mas não igualitária. Logo, após tudo isso viu-se nascer o fardo social, afinal, o trabalho era sua única função e o motivo por estar aqui, com o trabalho forçado sendo abolido em grande medida (não foi completamente) e a vinda da raça branca com objetivo de atingir o que se pregava a época, um embraquecimento, tudo isso culminou com uma estrutura criada para segregar, esquecer, diminuir, colocar a reles existência por si só. § A imagem de vagabundo, erótico, libertino e apto para contravenções em oposição ao imigrante branco disciplinado, trabalhador, alinhado com o ideal burguês da industrialização pulsante do século XIX vai colocar o negro e sua existência como pífia, desnecessária, como diz o subcapítulo: Fardos sociais. • 3.4 - Pau, pão e pano: a escrita no corpo. § Antonil escreve: ''Para os escravos são necessários 3p's ... '' § ''Manumissão''. Conceito usada para trabalhar com a lógica que era muito recorrente aqui e não nos EUA, por exemplo, que era a mobilidade escravagista. Portanto, aqui a liberdade e a possibilidade de se ganhar a alforria ou compra-la era considerável, algo que não existiu nos EUA. § Além disso tudo, nessa pequena 1pág/meia viu-se práticas através de autores-observadores dessa escravaria brasileira que comprovam a inumanidade desses atos vis. • 3.4.1 - '' os 3 p's : mortalidade, suicídio e doenças. § Além da MORTALIDADE> ter sido alta entre os escravos, haviam algumas categorias e motivos para isso ter ocorrido em demasia, adjunto a questão das grandes importações. Primeiro que, haviam poucas mulheres e muitos homens, a perspectiva de vida confessam os relatos senhoriais da época de que, os senhores não acreditavam conseguir fazer um escravo viver 12 anos, claro que estamos falando do trabalho externo, a grande lavoura e o extenuante trabalho braçal, pois dentro da casa, os escravos (as) domésticas tinham mais chance de prolongar sua vida. § O segundo fator era a vontade do senhor, pois esse evitava casamento legais, escolhi em alguns casos os casais e de maneira geral complicava essas uniões pois era mais barato importar negros do que tratar crianças pretas. § E por fim, os casais que já eram casais e que foram separados da senzala por vários motivos evitavam ter filhos, para que esse não nascesse na condição de escravo (a), portanto, o aborto era algo naturalizado entre os negrxs. § OBS: Talvez uma forma de se entender o que permeava o Brasil era comparar com a escravidão norte americana. Lá, os por volta de 300 mil negros foram crescendo ao ponto de as véspera da guerra civil serem 4 milhões. Já no Brasil o sistema escravista era tão moedor de carne, que nunca se superou esse numero de escravos aqui, mesmo a superioridade da importação terem sido 10 vezes maior. § O SUICIDIO> este não ocorria só nas naus que vinham da África ocidental. O sistema escravista foi tão forte na área rural com os grandes latifúndios e na cidade, com os escravos de ganho. Tanto os braçais quanto os de ganho se matavam de várias formas, se jogando contra as fornalhas como o exemplo do engenho da Bahia mostra do século XVII, assim como asfixia, estrangulamento, comer terra e greve de fome, essas eram as práticas escolhidas. § Febre amarela, cólera, várias doenças afligia os cativos pois ambientes insalubres, falta de higiene e etc. afetaram gravemente. • 3.4.2 - Pão e pano: Alojamento, vestimenta e alimentação; § As senzalas eram insalubres como já destacado, não tinham ventilação, alguns engenhos tinham cômodos e divisórias que podiam abrigar um casal de escravos. A mobília desse casal era constituída por algumas peças de barro. § A vestimenta era saias, camisetas e calças feitas com algodão grossa que não permitia evitar o frio, até pq o trabalho de sol a sol em pouco tempo se tornavam a roupa um farrapo, dificultando ainda mais a sobrevivência no frio, ambientes insalubres e afins... Nos casos dos escravos libertos, a compra de roupa e joias era uma maneira de se provar liberto e superior, aqui entra o que falamos sobre a dinâmica avassaladora do Brasil escravocrata. Xs escravxs de casa normalmente se vestiam melhor, pela proximidade com o senhor e a sinhá. § A alimentação variava de região para região assim como o alojamento, mas consistia num consumo advindo da roça escrava. Uma parte de terra destinada pelo senhor para que fosse feito um plantio p/ subsistência. Isso era realizado no domingo, dia de descansar para a Igreja, mas que era a única data cedida pelos senhores, isso quando não eram proibidos o que gerava a fome naturalmente. • 3.4.3 - Pau: as marcas do corpo. § De todos os p's, o mais importante para manter o sistema foi o pau. Esse garantiu por séculos o mantenimento daquilo que Antonil chama de mãos e pés dos senhores. Qualquer infração, penalidade de maneira geral era castigada com o açoite, isso servia de castigo e também de exemplo, não podemos esquecer que o senhor significava poder, a PEDAGOGIA DO TEMOR foi uma ferramenta muito bem quista pelos senhores. § Desses castigos vertiam as inovações pensadas pelos senhores para aplicar as penas: açoite, cortar o tendão de Aquiles, coleto de couro (usado no RS), folha de flandres, cortar orelhas, seios, extrair olhos, dentes, roda das navalhas, exposição a fornalhas (eles vivxs) e afins... § Segundo Katia Mattoso o castigo não era uma prática diária, mas há teses e relatos que contradizem essa perspectiva analítica da autora. A obediência e fidelidade estavam sempre presentes, o que não podemos esquecer é que: o senhor agia pela lógica do paternalismo em alguns casos e regiões, afinal isso promovia a tal obediência num primeiro momento, mas logo que havia dissidências era inevitável o castigo corpóreo. § 1830 e o cenário europeu influencia o Brasil a criar o código criminal que vai proibir os castigos públicos e demais formas de castigo ou torturas ao livres, estrangeiros etc., como era legitimada pelas ordenações filipinas que vigoraram aqui até a independência, mas esse código criminal não alcançava os negrxs. O que vale ressaltar é que escravos, libertos ou não, estavam do lado de fora do circulo de direitos, para eles somente os deveres, e na falta ou descumprimento destes... § Lugares de punição: O pelourinho, como observa Debret, era um espaço destinado a esses castigos, era algo público, para todo verem... Era uma penalidade publica, ou seja, normalmente aquela infração era uma demonstração de medo, temor mas por uma pedagogia da opressão inconsciente... ''não faça, porque o mesmo se aplicará a você em caso de transgressão''. Por isso o senhor aparecia poucas vezes para seus escravos, assim como aplicava castigos esporádicos, para mostrar seu poder simbológico. § As marcas do corpo do cativo: No inicio eram problemáticas ao escravo, pois essas marcas era sua carteira de identidade frente ao mundo escravocrata, mas com o passar das décadas no século XIX e as tentativas de se amparar esses escravos esses castigo tanto públicos como privados reiteraram a crueldade do feitor e do senhor. § Os padres eram encaixados na mesma lógica dos senhores, pois detinham escravos e punia-los, isso não significa que fossem julgados. § Página 153-54 contém descrições dos instrumentos usados até a fortificação do movimento abolicionista, assim como contém uma descrição de casos. • 3.5 - Corpo cativo: saberes, resistências e rebeldias; • 3.5.1 - Rebeldias e rebeliões; § Aqui há a exposição sobre o cativo e o furto, seja ele de qualquer natureza e para qualquer fim, desde o auge que seria sua alforria ou compra de roupas, alimentos e outros itens que podiam facilitar sua vida dentro do regime escravista. A liberdade por alforria espontânea no Brasil assim como os alfabetizados era algo raro, normalmente, afim de evitar anos e anos de espera para no fim não alcançar a liberdade, os escravos optavam pelo trabalho e venda nas cidades, do excedente do seu pedaço de terra, de algumas categorias que nem sempre surgia efeito, por isso, o roubo se fez muito presente, a começar pelos furtos nas Minas. § As datas de ouro ou diamante e que operavam esses escravos era entranhada por práticas de como esconder uma pepita de 20 quilates ou mais, as páginas 167-68 descreve como eles faziam para esconder e como faziam para pega-la novamente e ir em busca da alforria. § As revoltas não eram raras, os escravos não agiam apelas no consenso, no paternalismo e bondade do senhor branco que o recompensava em caso de obediência constante, ininterrupta. Eles agiam na contenda também, tomavam tumbeiros (navios negreiros), formavam quilombos, agiam em rebeliões citadinas e tomavam espaços assim como barganhavam melhores condições em caso de voltarem ao trabalho, não podemos nos iludir que os escravxs apenas aceitaram sua condição. Claro que, em grande medida, havia uma aceitação forçada e ''pedagógica'' sobre sua condição, o que após muito tempo era aceita, assim como o castigo corporal, os negros aceitável até o limite, depois disso era muito provável que se rebelassem, assim como a pagina 159 nos revela na Bahia. § Quilombo os palmares > tática de guerrilhas > seminomadismo > durou 98 anos. É um clássico exemplo de como a ação dos escravos era sim contrária ao regime em que estava submetido. Mas normalmente todos eram recapturados, uma pelas delações econômicas, ou pela simples caguetagem de brancos, padres etc., uma vez que a escravidão era tido como unanime no Brasil, todos aceitavam. • 3.5.2: Outras resistências: vida comunitária, família e redes de solidariedade. § É consenso de que a vida dos escravxs aqui era mais pública do que privada, primeiro pelas condições de vida que aqui se depararam, segundo que pelo fato da família na maiorias as vezes se destruir ao longo de todo o processo de apreamentos litoral africano até o desembarque no Brasil. § A escravidão no Brasil foi tão violenta que desde que chegavam aqui havia o ''malungo'' uma ajuda mutua entre os que aqui estavam, independente da região e rivalidade. A ajuda deveria ser mutua. § O Brasil detinha uma complexidade no seio dessa sociedade escravocrata que jamais foi vista. Um negro (a) ao desembarcar no Brasil se deparava com brancos pobres, negros alforriados, e outras categorias estamentais. Além de ter que entender a hierarquia que existia entre eles e o feitor e o senhor, havia ainda as rixas hierárquicas negras que na maioria da vezes quando formava um núcleo conflituoso podia ser tão forte quando a antilogia escravxs x senhor. § Sem contar que, além dessa rede comunitária que se formou entre os negros na tentativa de conseguir mediar a inumana escravidão brasileira, filhos e uniões eram categorias nada amparadas ou estimuladas pelos senhores, diferente dos EUA que claramente estão inseridos na lógica da reprodução pensando num viés econômico. Diferente do Brasil, uma vez que aqui a importação acontecia de maneira exagerada, cuidar de uma criança que vai demorar 10-15 anos para começar a dar lucro através do seu trabalho braçal não era algo bem visto pelos senhores. PORTANTO, ERA RARO UMA FAMILIA ''NUCLEAR'' como concebemos hoje. § A difícil vida de um pai e uma mãe que tentavam alforriar seus filhos já que até 8 anos vivia livremente pela fazenda, senzala e casa grande, mas logo em seguida começa a sofrer com a hierarquia racial institucionalizada, assim como a hierarquia negra, entre os artesões e escravxs da casa grande e os braçais que eram tidos como inferiores, além das brigas entre as rivalidades já existentes. § A rivalidade entre senhores, dividas por poucos metros entre um canavial e outro era suplantada pelas trocas de informações que aconteciam entre os grupos mesmo os senhores elaborando táticas de mantê-los longe e não organizarem grupos rebeldes. § As confrarias ou irmandades religiosas negras realizadas por escravos e libertos na região das Minas existiu, onde a cobiça e os escravos estavam mais vulneráveis na mão dos senhor que sabiam mediar essa relação escravista, que sabia das tentativas dos escravos nas datas de diamantes e ouro. • 3.6 - Corpo descartável e trabalho industrial. • 3.6.1 - Divisão do trabalho: do canavial as funções especializadas da fábrica do engenho; § Quem melhor descreve desde o plantio até o refino do açúcar de uma maneira primorosa é Stuart... Já que as industrias modernas podem aparentemente ter sido prescindida por esses engenhos, vistos na época como grandes complexos que envolviam fases muito bem dividas e distribuídas entre os escravos. § Por muito tempo se pensou que para essa pratica escravista que durou mais que 3 séculos não havia a possibilidade de ter existido uma escravidão aliada ao capitalismo, mas houve. Foi o braço negro que permitiu o acumulo e produtos em toda a Europa por todo o tempo que conhecemos, ou seja, elas não são pensáveis hoje, mas já foram até mesmo praticadas. § No tocante a esse subcapitulo, há por parte de Katia Mattoso uma descrição em que a autora alega que senhores e feitores não andavam no meio dos seus escravos com chicote na mão, o que é mentira, uma vez que sabe-se ser impossível um canavial ter negros retirando de 2.400 a 4.200 feixes de cana sozinhos ou com um feitor brando que não mostrasse medo ou punisse-os. Claro, dentro das fábricas de açúcar nos engenhos não havia mesmo. § No que concerne a divisão do trabalho dentro do engenho, ou seja, já no fabrico, vale ressaltar antes de mais nada que o trabalho diário (diurno) era sempre até a moenda entrar em ação, depois da retirada dos feixes eram sempre horas de trabalho a mais, principalmente no fabrico do melaço que através da luz e calor da fornalha permitia estender até 17horas de trabalho. § Já dentro do engenho, os sexos eram definidos para tal tarefa, como numa fábrica fordista do século XX. § O processo complicado de fabrico do açúcar exigia especialização em alguns setores, como é o caso do mestre do açúcar, ocupado por um homem livre ou negro que era remunerado e prometido de ser alforriado. Além do responsável pela casa de purgar que era o local determinante para a qualidade do açúcar, as mulheres ficavam responsáveis pelas tarefas mais árduas e menos recompensadas ou favorecidas, como descreve Lilia. □ OBS: COLOCAR UM QUADRO DESDE O PLANTIO ATÉ O AÇUCAR FINALIZADO PARA A GALERA ENTENDER, SEJA NO QUADRO QUANDO TUDO VOLTAR, SEJA NO POWER POINT. ALÉM DE ESPECIFICAR AS FUNÇÕES. § O que interessa Marx são as divisões do trabalho que estiveram presentes nas fazendas de açúcar do nordeste. § É importante ressaltar, que não havia bondade dentro das fábricas, só era tolerado algumas coisas em prol da finalização da safra. Logo, um escravo que recebia cotas diárias em açúcar, as vezes remuneramento e por ai vai, era em grande medida como incentivo no trato e no fabrico, uma vez que estes, se trabalhassem sob pressão e chibata como nos canaviais podiam sabotar um fabrico inteiro de açúcar, o que era prejuízo. • 3.6.2 - As mutilações do trabalho: Teresa de Cabinda, a rainha escrava do Engenho de Sebiró. § Vilhena e Padre Antônio Vieira não deixaram de falar sob julgo das suas penas como era extenuante, um martírio, próximo a estar no inferno em trabalhar na casa de caldeiras. Esta, ficava a todo vapor, com os metedores alimentando-a com lenha para que o processo de fabrico não parasse. Nela sempre estavam o mestre do acucar, supervisionando... Mas era um lugar de penitencia aos escravos desobedientes ou de outra natureza, seu trabalho portanto era ficar ali, passando calor já que eram fornalhas poderosas em pleno espaço nordestino. § Além das comparações das fornalhas com o Vesúvio e outros vulcões, trabalhar na moenda sim, era de fato um grande problema, já que era uma tarefa feminina e portanto, era comum que mulheres e homens acabassem perdendo membros do corpo ou ainda, morrendo decepados, como é o caso de Teresa de Cabinda. • 3.6.3 - trabalho escravo: deformidades e doenças. § O que pairou no sistema escravista, seja ele na cidade, engenhos etc., era a submissão dos escravos (as) ao senhor de engenho por uma série de questões, a manumissão, os prêmios em dinheiro o que parece contraditório para o sistema escravista, mas não, era a tônica que colocava adjunto a outras categorias, como o paternalismo, por exemplo, o escravo na condição de sempre obediente, submisso. § Assim como Vilhena, outros senhores eruditos, embora todas as ressalvas inumanas deles devam ser feitas, estes pensaram em como economizar, em trocar as lenhas da floresta, em como suavizar o trabalho escravo e etc., o que era incomum nos senhores de engenho do Brasil, principalmente anterior ao século XIX que era em grande medida um corpo estruturante ainda mais analfabeto. § Na página 175 há uma menção aos escravos que morreram nas minas, não somente nos engenhos (ler p/ fazer uma descrição maior). § O inglês Ewbank ao passar pelo Brasil e pelo RJ, observa e relata em seu livro e na passagem da página 176 que muitos escravos e escravas ficavam deformados devido o extenuante e repetitivo trabalho, assim, quando já não serviam ou apresentavam uma invalidez laboral eram ''alforriados'' para ficarem a própria sorte, não atoa, era comum se ver pelas estradas pedintes, escravos que era deformados, não conseguiam mais trabalhar pela deformidade e corpo calejado a partir de então, o que naturalmente... Os colocava na condição de escravos, pobres e por ai vai... § É chamado a atenção para a quantidade de doenças adquiridas pela falta de tudo, pelo regime de trabalho, além da ênfase dada a cegueira algo realmente perturbador para o período, já que alguns trabalhos conduziam a uma doença inicial mas como não era tratada e muito menos pensada para ser tratada os escravos (as) ficavam cegos. • 3.6.4 Escravo: o corpo descartável do poder medico. § É importante ressaltar antes de mais nada que a medicina social do século XIX não abrangia os escravos, fossem ele citadinos ou da área rural. Médicos no Brasil foi escasso até o século XIX, logo, quando vieram em uma maior quantidade acabaram criando as duas escolas de Medicina (Bahia e RJ). Portanto, podemos perceber que a escassez de médicos, não inclusão desses escravos no atendimento, mesmo que com a sífilis e a tuberculose dizimando famílias, brancas e negras, mas essas ultimas eram enviadas a casa de misericórdias onde gratuitamente ficavam para morrer. § O escravo concentrava em sua pessoa todos os males físicos, mentais e claro que poderiam ser transmissíveis, portanto, era natural que a figura destes fosse de alerta. As admoestações tanto de escravos da cidade, mas principalmente da área rural, serviam como modelos do que se evitar. A medicina social do século XIX vai criticar muito a estrutura da escravidão doméstica e nisso, inclui as amas de leite pela transmissão de algo pelo leite. § Os discursos médicos do século XIX, as teses das duas faculdades de medicina que aqui existiram e falavam do escravo, da sua higiene, do trato no trabalho por parte dos senhores, as condições da senzala e afins... Tudo isso foi pouco teorizado, com exceções dos dois senhores que são citados e a tese de Duarte, o corpo do cativo estava a mercê do destino. • 3.7 - As teorias do racismo: domesticação e disciplina. • 3.7.1 - Estatuto da pureza de sangue e a exclusão do gentio. § Ambrósio Fernandes Brandão, cristão-novo, escreveu o livro (diário das grandezas do Brasil). Foi o primeiro, através deste livro de 1618 a teorizar o que hoje conhecemos por racismo, na época o livro teve o intento de traçar as diferenças entre brancos, negros e indios. Era um conhecedor das ciências naturais, como era cristãos novo, ou seja, judeu ibérico recem convertido, não surpreende que fosse culto e letrado, já que na época somente o clero possui instrução formativa e escolar''. § Como nos atenta Foucault, o racismo, essa racialização iniciada no século XIX é uma demonstra as tecnicas, tecnologias e novas formas de poder, não é mentalidade, ideologia etc., uma vez que isso era impensável para o século XVII, existentes as diferenças desde que o mundo existe, mas esse debate detrator da raça negra, diferenciativos-exclusivo começa no XIX. • 3.7.2 - A emergência da noção de raça: o racismo cientifico. § Sempre válido ressaltar que a cientificidade do séc. .XIX estava aliada a uma questão primordial para entender esse debate. Ao decorrer do processo de abolição, as elites e outros grupos precisavam garantir a hegemonia branca, por isso, surge nesse contexto uma legitimação cientifica para essa ''inferioridade negra''. § Fica claro que o Darwinismo social que nasce a partir da obra de Darwin em 1859 é um exemplo do que se acreditava à época, ou seja, que existiu apenas uma raça a branca e que dela verteram as mestiçagens por fatores externos ou não, ela devia ser evitada, e por isso, era natural que algumas civilizações e raças fossem mais ''civilizadas'' que outras. § Vale ressaltar que as teses monogenistas e poligenistas desse período estavam corroborando para esse debate acerca da origem humana e porque as diferenças entre as raças eram detratoras e degenerativas através do processos e mestiçagem que ocorria. § Evolucionismo social e determinismo geográfico > monogenistas. § A hierarquia de raças fosse ela cultural, racial ou econômica existiu como fatores de legitimar isso tudo. • 3.7.3: Conde Goubianeau no Brasil: § Diplomata na corte do segundo império, era um católico defensor do determinismo biológico, mais tarde darwinismo social. Era um poligenistas que acreditava na superioridade branca, os arianos e teutos que deram origem as grandes civilizações da humanidade, para isso, ele vai contra os processos de mestiçagem, já que para ele havia uma degradação nesta prática, que colocaria os produtos disso em uma escala inferior aos negros e indígenas. § Morel o teorizador das degenerescências, foi antecipado por Goubianeau pela ideia de degeneração das raças. Como já ressaltado, o quadro hierárquico de Goubianeau tinha os brancos como ápice da civilização inteligentes e fortes, enquanto os negros eram a degradação humana. Essas ideias tiveram muitos adeptos no Brasil, já que sabemos que a nossa população na época era composta por uma maioria negra e mestiça, ou seja, duas categorias que o autor colocava como empecilho para o progresso de todas as esferas. • 3.7.4: Imagens leigas dos negros e saberes competentes: o darwinismo social de Nina Rodrigues; § Os relatos dos viajantes no Brasil a respeito do negro no século XIX em sua ampla maioria foram detratoras, falando da submissão negra, do fato de serem débeis mentais, inclinados aos vícios, fáceis de adquirir doenças etc., mesmo quando comparado aos naturais da terra eram colocados como errantes do ponto de vista biológico, os escritos de Gardner reiteram isso. § Mas diferente deste, uma lady inglesa, Graham, ao visitar o Brasil e te um negro marceneiro guiando-a disse que, eles não faziam jus a inferioridade pregada e tampouco eram lerdos, eram uma raça bela e forte, mais do que qualquer outra já vista. § O preconceito estava entranhado no Brasil e seu cotidiano, na Igreja, nas ruas, no salão, até mesmo na constituição do Império que retirava os direitos eletivos ao alforriados. Schwarcz pesquisa a imagem dos negros no jornais pós abolição e se depara com a dicotomia clássica escancarada, entre o serviçal dócil e o degenerado. § Nina Rodrigues que aos moldes de Machado de Assis negava sua condição de mestiço ou negro, colocava a inferioridade e degenerescência ainda maior sobre os mestiços, ao se doutorar em 1888 na faculdade de Medicina da Bahia, e hoje considerado o fundador da antropologia brasileira, à época era um defensor nato do darwinismo social e das teses eugênicas, reiterando portanto, que em grande medida a defesa do abolicionismo brasileiro se dava para fins econômicos, eram raros os defensores da perspectiva do humanismo. • 3.7.5: O negro: Objeto da ciência de Henrique de Brito Belford Roxo. § As '' perturbações mentais dos negros no Brasil '', após a abolição o negro não tinha mais serventia alguma, nem como mão de obra nem como cidadão, alguns defendiam a ideia de inutilidade e fardo social, mas alguns usaram a desculpa de tudo isso para usufruir disso na ciência. § Belford Roxo trabalha basicamente com a perspectiva de que os negros são vulneráveis a moléstias e que com isso, naturalmente vertem os problemas sociais, a imbecilidade, idiotia, problemas de ordem moral, alcoolismo, burrice, descompaçamento social de maneira geral. § Franco da Rocha é quem corrobora com os pressupostos de Roxo. Franco da Rocha relata em um dos seus livros que os negros tinham um cheiro naturalmente podre, no hospício um negro maníaco ao falar com o médico exala um fedor intolerável que evidencia a podridão da sua raça. • 3.7.6: Miscigenação, consanguinidade e embraquecimento § Tanto o antropólogo Nina Rodrigues, como o psiquiatra Belford Roxo não ofereceram teorias em que a raça negra atingia nacionalidade, cidadania e era incorporada nesse mundo heterogêneo por natureza, mas sim ressaltaram as diferenças ''evolutivas'' que para o período eram catalisadores nesse tipo de pensamento. § O que eu depreendi ao longo do livro, até aqui, em certa medida está concentrada na continua insistência em afirmar que o ser hibrido é problemático, promiscuo, degenerativo, que a raça branca e suas qualidades desapareceram, dando lugar a degradação da raça negra, por isso não há como uma país evoluir contendo 3 raças, e ainda ter os mestiços como agentes dessa ''degradação''. § Dentro desse debate sobre a mestiçagem da população herdeira da colônia, entrou o debate sobre consanguinidade, muito debatido na cadeira higienista da faculdade de medicina do RJ. Agora, coloca-se: □ Consaguinistas e anticonsanguinistas. Isso tudo, para colocar em prática o ideal eugênico de população, cogitou-se portanto, o casamento entre parentes, para conservar a brancura racial, e no segundo plano aparecia a possibilidade através dos cruzamentos de raças. □ Nesse debate todo ainda tem o embraquecimento de Batista Lacerda. § Mas desse hibridismo verteu os mulatos e mulatas, mestiçagem entre o senhor branco ou branco pobre com uma escrava, o que normalmente colocava na prole uma cor que conduziria ela a ocupações de cargos especializados, a maioria dos feitores dos Engenhos do século XVIII eram mulatos, apenas 6% da população desse período era mulata, os crioulos ocupavam a mesma posição dos africanos, eram preferidos apenas para o trabalho domestico, mas aqui, e na frase de Antonil: '' O Brasil é o inferno dos negros, o purgatório dos brancos e o paraíso dos mulatos'' evidencia não só a diferença social/racial, mas como a hierarquia das raças no Brasil se dava de uma maneira complexa. Uma vez que os mulatos eram híbridos e portanto ascendiam facilmente se comparados aos negros (as). § Mas segundo a constituição portuguesa e contrariando Antonil, os mulatos não detinham todo esses poderes e direitos, se comparados aos caboclos (mistura de branco com índio) eram negros normais. § Caboclos, mamelucos e indios tinham uma rigidez constitucional menor, enquanto os negros continuavam degradando a raça; • 3.7.7: O elogio ao mestiço: um racismo à brasileira. § Do pessimismo de Nina Rodrigues a Lacerda, o século XIX viu no darwinismo social, determinismo biológico, antropologia, medicina e afins uma tentativa de provar a superioridade entre raças. § Mas é da faculdade de direito de Recife em 1880 que sai uma contraposição, aonde o mestiço seria um complemento, uma melhora que ocorreu devido ao cruzamento de raças e devia se prezar por isso, afinal, estariam mais aptos para o período em questão, assim como o meio selecionador de Darwin, Silvio Romero defende essa tese, ainda sim racista, pois leva em conta o poligenismo e do determinismo biológico. § A antropologia contribui para esse debate argumentando que, num cruzamento de raças a superior englobaria e faria a partir da 4ºgeração que a inferior desaparece por completo, levando consigo as degenerescências e moléstias. § A evolução e progresso das raças é quem coloca em contradição a argumentação de Silvio Romero ao defender uma mestiçagem sem limites, afinal, são coisas antagônicas. § Esse racismo a brasileira, de Silvio Romero teve seus continuadores como Basílio de Magalhães, G. Freyre e por ultimo Darcy Ribeiro. § Por fim, Magalhães, sem deixar d elado o determinismo e superioridade racial, atenta assim como Euclides da Cunha para a escola europeia no Brasil, uma vez que, foi pensada para um clima, uma raça e aqui, diferente da criança europeia que é lenta, a latino-americana é sem dúvidas apta a destreza, a laboriosidade mental, etc., • 3.7.8: Racismo: Domesticação para o negro, disciplina para o imigrante. § O auge das teorias raciais, por incrível que pareça foi após a Lei do ventre livre (1871), quando o negro já estando a olhar para o fim do sistema escravocrata continua sendo assimilado como algo a se repelir, ou seja, os parâmetros de cidadania estavam ligados a questão racial e nesse mundo o negro/crioulo não iria adentrar, precisava-se de uma colonização futura para o trabalho que apresentasse vantagens, não atoa, o desejo era de uma colonização como defende Faustino doutorando de medicina que fosse feita por anglo-saxões e eslavos, a fim de melhorar as raças inseridas no Brasil. § O discurso imigrantista já presente em 1870, como atesta os documentos da assembleia legislativa do período, estava contra a figura do negro novamente, era eles quem deveriam ser superados por uma mão de obra lucrativa, branca e etc., mas o grande problema que se apresenta no tocante ao imigrante é que: diferente dos negros, o temor por parte dos deputados e isso fica claro nos seus discursos é de que haja uma leva de trabalhadores que irão causar o caos social, pois trazem reinvindicações, abusos contra a exploração do trabalho, instrumentos que promovem o confronto, navalhas, serrotes, armas e afins, então começa-se a gerar um debate nesse sentido. E é importante se atentar para SP, que na época vinha recebendo para as plantações de café os negros do nordeste, ou seja, havia uma preocupação com negros (as) em demasia entrando e com a possiblidade de caos social oferecido pela insubmissão do branco europeu assalariado. § Ou seja, os deputados imigrantistas de SP, com fins de embranquecer a população começam a pensar em formas até criar a lei de 9 de março de 1894 que coloca os negros em lugar em que não mais atrapalhe a vinda assalariada e tributada do branco europeu, além de tudo, essa lei subsidiou através dos ganhos que renderia uma ajuda de custo ao imigrantes. Mas para o trabalhador nacional que já estava aqui não foi gestado nada, pois havia da parte dos elaboradores da lei um desperdício de dinheiro e tempo com revoltosos e insubmissos ao relógio laboral do mundo burguês. § Mas na realidade, os imigrantes trouxeram o seu racismo europeu, quanto mais acendiam socialmente mais repudiavam a convivência com negros e mestiços, afinal, o Zoológico de Berlim deixa claro a ideia de como os europeus concebiam a América Latina, África, Ásia e Oceania como espaços que estão parindo gentes exóticas. § Da parte do Brasil, havia uma preocupação com as vicissitudes, insubordinação, revolta e outras coisas que pelo convívio com os nacionais os europeus podiam adquirir. § Mas a partir de 1888, começa a se discutir na câmara de deputados leis coercitivas que contenham a gangrena da vadiagem negra, era preciso coloca-los sob a ótica do trabalho burguês, com hora e metas a serem batidas, portanto, a policia e os demais dispositivos práticos de repressão vieram colocar a parcela nacional já adaptada sobre outro prisma de funcionamento. § Motivo de discursos ofensivos e inflamados pelos deputados estavam os pobres, libertos e outros que eram acometidos pela pobreza natural do despreparo governamental, falta de auxilio e logística, a ociosidade e o vicio eram para os deputados o mal não só deles, mas da nação, uma vez que ''esse tipo de gente, é a mais abundante em todo e qualquer nação''. § O branco insubmisso ao trabalho tinha como pena máxima a expulsão, além dos castigos iniciais, a expulsão era em caso de reincidência. Já o negro, sempre tido como insucesso laboral, refratário ao trabalho, ainda mais livre que daria condições de não seguir o regramento das normais tinha as leis contra ele, a policia para lembra-lo de cumprir e terminar o processo de assujeitamento dos corpos ao trabalho. Isso se vê até hoje, os resquícios desse período ainda são sentidos. • 3.8: Do trabalhador livre ao operário higienizado: corpo deficiente e fardo social. § Já vimos que é muito fácil se atribuir ao negro pós abolição a categoria de fardo social, corpo inábil e afins, uma porque o negro era indesejado como parte constituinte da nação, outra porque era tido como insubmisso ao trabalho regrado e portanto, gerador de despesas, e por fim, porque naturalmente ocupava um lugar que podia ser ocupado por outro grupo, os imigrantes. § Mas ouve ainda no Brasil, a ramificação do imigrante frustrado, que não teve sucesso e portanto vivia a margem da realidade, promoviam arruaças em grupos, bebiam nos botecos, prostitutas, mendigos eram esses as funções. Nem por isso, quando viviam isolados deixavam de ser maltrapilhos e aparentemente repugnante como o subcapitulo apresenta sob os olhos de uma criança assustada vendo alguns vindo do trabalho manual e extirpantes das fabricas de SP e RJ que eram maiores no transpasse do século XIX para o XX. • 3.8.1: Formas de trabalho assalariado e o trabalhador indígena. § Não é porque pelos 388 anos de escravidão no Brasil foi intenso e coletivo que não houve outras formas de trabalho assalariado, esse contingente cresceu ainda mais com as leis e o término do sistema escravocrata se aproximando, por isso, os engenhos de açúcar foram os primeiros a ver seus alicerces se modificando a uma nova forma de trabalho, portanto, o tráfico externo já proibido e o interno que se deslocava para as fazenda de café do Sudeste afetaram diretamente essa estrutura vigente até então. § A fronteira entre a liberdade e a escravidão quando existente era muito tênue, basta ver a hierarquia rígida do Brasil, que no topo tinham os senhores de engenho, em sua maioria portugueses, os reinóis (esses, exclusivamente donos do comércio brasileiro), e por sua longa data de chegada impossibilitava a outros ocuparem essa profissão, seguidos de mestiços, negros crioulos e a base (negros africanos e indígenas). § Escravos, negros da terra, se referindo aos indígenas foram os mais usados no começo açucareira da colônia, logo depois chegaram com Tomé de Souza os negros da Guiné. • 3.8.2: Desclassificados, desocupados e vadios. § Até 1870 mesmo com o tráfico interno que obrigou as fazendas de açúcar a trabalhar com os braços livres, houve uma lenta e gradual transformação disso tudo, mesmo com o deslocamento do eixo nordeste para o sudeste. § De todas as classes de desclassificados que perambulavam pelo Brasil escravocrata, seja ele cafeeiro sejam açucareiro restavam os vadios, normalmente muitos, entre brancos e negros, os primeiros ligados a vinda de Portugal a partir do século XVI e sem uma ocupação efetiva ou as vezes transitória. E claro, os escravos que eram sempre colocados como degenerados por terem predileção a ociosidade, os VADIOS portanto, eram os mais abomináveis da colônia. § Entre esses vadios se econtravam crianças abandonadas, mendigos, aleijados e por ai vai, havia até uma explicação para serem indesejados, pois não trabalhavam, ficam a merce do público, contribuiam para uma infestação de SP que é o mau exemplo. § Vilhena vai propor uam série de medidas para tratar desses ociosos da colonia, envolvendo-os em constituição de familia, seguimento das ordens, expurgar o nomadismo que era um forte aspecto que gerava rebeldia (quilombos) e assim por diante, esses ''desrragados'' fossem dos campos ou das cidades, deviam comprovar em caso de libertos/alforriados, qual era sua função produtiva e laboral, e em caso de não cumprimento dessas propostas devia ser mandado para algum local de trabalho, normalmente no campo. Vale ressaltar que isso não se aplicava somente a negros, brancos e mulatos também estavam na berlinda. § Era uma reclamação do Vice Rei do Brasil, Luiz de Vaconcelos em 1789, ao falar da ociosidade e da grande camada de vagabundos que operam na cidade e no campo. O maior problema do Brasil colonia não foi o assujeitamento do trabalho, mas tornou-se no Império mais escancaradamente a insubordinação do cativo, ou seja, era preciso domesticá-lo, surge portanto a policia para fazer o trabalho de contenção, de adestramento e servir como um dispositivo prático de repressão. § Mas na realidade, o motivo para tal ociosidade para Lilia era o mal remuneramento do trabalho livre, o braçal era vexatório, mas em contra medida não se procurava criar um mercado produtivo rentável , incentivos, medidas e assim por diante, o trabalhador rural preferia a ociosidade e o voto de pobreza compulsório devido as medidas da colonia e do Império também. § ''A passagem do trabalho escravo para o livre no Brasil pós abolição em nada ou pouco modificou, individual e coletivamente a vida no pais '' economicamente falando. Uma vez que a liberdade do trabalho escravo e os castigos foram suprimidos. § No Brasil tudo dava o ano inteiro, portanto, a ociosidade que antes era um categoria exclusiva dos senhores agora faz parte do Brasil, já que na Europa se precisava trabalhar para ter, aqui não, frutas, raízes, caças e peixes o ano inteiro colocavam na mentalidade indigena e em grande medida negra uma logica de subsistência tranquila, frente ao mal remuneramento do trabalho braçal, portanto, algumas de poucas explicações possíveis para esses vadios, desocupados que passaram a ser sinonimo de fardo social no pós abolição podem se concentrar nessas. • 3.8.3: As classes perigosas: naturalização do perigo social na pobreza. § Essa menção e conceito classes perigosas surge na Inglaterra pré industrial, do nascimento do burgos onde havia pessoas que já haviam sido presas ou que estavam a margem da lei, claramente tinham feito a escolhas de sustentas sua família ou a si mesma pelo crime. § A pobreza como atenta Morel sempre foi o principal catalisador das degenerescências e das improbidades sociais que assolavam qualquer tentativa de contrapeso aos maus instintos humanos. § A relação se dava ociosidade - pobreza, pobreza-criminalidade. § A represssão nesse periodo tinha um carater ''educativo'' por mais pradoxal que pareça, em 1888 tramitou leis que queriam transofmar a ociosidade dos vagabundos e vadios em utilidade cidadã. Portanto, o controle das horasd de folgas eram feitos para se evitar badernas e ajuntamentos, normalmente associdados aos pobres e negros. § Era uma questão que pairou no Brasil capitialista burgues após o sistema escravocrata, como contornar ou melhor, fazer a ociosidade e o trabalho a mais do trabalhador nas lavouras fixas ser o objeto de acumulo sem que se saiba disso? Ná pagina 220-221 tem umas questões que nos levam, indagam a refletir sobre essa nova sociedade. • 3.8.4: Corpos úteis e inúteis: eficiencia e deficiencia no trabalho. § O discurso da eficiencia liberal industrial, o discurso médico de higiene e preservação sobre esse corpo industrial que se intesificava a partir da decada de 1920 foi dominatne como se viu no subcapitulo anterior (pgns. 226,27,28) § O cropo do operario não foi espontaneo, foi preciso educa-lo, redireciona-lo para o sistema que agora não era mais extirpante sob a perpsectiva da escravidão negra. Essa educação do trabalhador que termian vendendo sua força de trabalhio na fábrica começa na escola, com a educação primária que é o inicio da grande esteira do capitalismo que retira toda e qualquer identidade singular humana e coloca todos sob o prisma da indigência e produtividade economica ao grande burgues. § O pagamento por respirar, ser livre e por ai vai, deve ser apgo ininteruptamente pelo trabalho, a começar pela escolar e lar, que auxiliam diratemente no adestramento dos corpos ao futuro trabalho, e em caso de contravençoes, insubmissão social e laboral torna-se um peso morto, facultando o trabalho e perpetuando a ociosidade, essa é o germe do crime, das infrações e afins, portanto, foi comum no pós abolição e até 1920-30 existirem discursos que tinham uma finalidade repressiva e de educação ao novo sistema industrial livre assalariado mais nascente. § E a ótica utilitarista dos corpos, principalmente nessa indústria nascente vai tender a hostilizar os menos aptos, ambiciosos, inteligentes, eficazes e etc., naturalmente estes viram o plantel da deficiência. Esse é o contrato social moderno, onde voce só é importante na medida que colabora com a produção coletiva e também individual, a lógica biblica de que o trabalho edifica o homem. § Capítulo IV: A exclusão colonial • 4.1: A terra descoberta: O reino da exclusão. § O Brasil, região recém-descoberta abrigou todo tipo de pessoas indesejadas, os resíduos sociais de Portugal, além dos que ficavam por algum motivo. '' Gente da mais vil e perversa do reino'' essa foi a frase de Antonil referente aos habitantes que aqui estavam e o núcleo populacional iniciante que se formou. Vejam, desde a gênese o Brasil tem explicações para que entendamos as redes de descaminhos, o funcionamento público contrabandista e por ai vai... Claro que não podem ser tomadas como deterministas, mas resquícios desse inicio em que o Brasil recebeu até uma ''corte de vadios e ladrões de bolsa de Portugal, além dos degradados, náufragos, aventureiros etc., ficaram para sempre. § Duarte Coelho em 1546, com sua capitania e o encorporamento de uma nova Lusitânia no espaço do Brasil, escreve para o rei pedindo que não mande esse tipo de gente, degredados para cá, pois fazem mil males e povoam a terra de maneira pobre e nu, logo tirando vantagem. § Os degredados entraram em bando no Brasil, só Duarte Coelho em 1549 com a função de construir Pernambuco ou habitar a região da Bahia trouxe 400 deles para atividades gerais. • 4.1.1: Marranos no reino da exclusão. § Cristãos novos, ou antigos judeus. Para cá vieram desde o inicio da colonização, embora a legislação portuguesa fosse especifica em atentar que só cristãos podiam ocupar cargos e outros privilégios, mas no caso do judeus, ocuparam esses espaços de norte a sul do Brasil, tornando-se senhores de engenho, mestres disso ou daquilo e operando economicamente. § Falando de judeus, Lilia Lobo alega que: ''pode se dizer que os judeus foram os primeiros brancos a tomar gosto pela terra''. Isso em grande medida baseado no que ela expos anteriormente, de que os consórcios formados na indústria açucareira, o de 1501 de Fernandes Brandão para habitar e extrair daqui o que podia ser extraído mostra que a habitação dessa parcela no Brasil é longínqua. • 4.1.2: O grande internamento sem muros: purgatório dos brancos, ergástulo dos delinquentes. § Um dos grandes problemas da Europa era no tocante a pobreza/miséria. No começo ela estava ligada ao modo de vida inclinado a caridade, um voto de pobreza enfim, mas aos poucos ela perde esse misticismo e vira sinônimo de: ' a ser combatido ', tanto na Europa quanto no Brasil e demais espaços coloniais. § Muitas medidas foram concentradas em forma de leis, mas a crise que assolou a Europa continental no século XVII fez o numero de pobres e miseráveis crescer. § O leproso que antes devia ser isolado e afastado agora se concentrava na figura de um '' novo leproso '' o miserável e pobre que começou a ser retirado da metrópole e dos espaços europeus ao decorrer e avanço da modernidade, agora uma categoria santificada era o motivo para exclusão e ser jogado, como foram aqui no Brasil e demais espaços. § O brasil era o deposito para aqueles que feriam a lei da mãe-pátria ou eram indesejados, o asilo-albergue-prisão que nasce no século XVII em 1656 SEGUNDO FOUCAULT é algo mais inicial nesse projeto de retirar de circulação os desvalidos, indesejáveis e etc., tudo apoiado nas redes capilares de poderes nascentes que colocam em pleno funcionamento a repressão, o que esses espaços concentravam mostra que era aplicado diferentes tratamentos, asilo para os idosos desvalidos, albergue aos pobres e prisão com grandes e instrumentos de repressão para os transgressor e refratários de maneira geral. O brasil nesse caso e seguindo Foucault seria ''um grande asilo'' pelas florestas e o mar intrasponivel para fora do local de degredo. O Brasil era o purgatório dos brancos, mas passado o choque inicial haviam possibilidades de negócios e uma maior tranquilidade no que concerne as perseguições, intensas no Velho Continente. • 4.1.3: Novos contornos da exclusão: caridade e pobreza. § A população do Brasil se estendia pelas fazendas, pelo interior, essa massa que aqui havia e nós tratamos os desvalidos são sem sombra de dúvidas uma parcela que foram despejados aqui, ciganos, cristãos novos, judeus, prostitutas, escravos e afins. § Os pecados e heresias nesse grade espaço, mesmo que a população no século XVI fosse muito pequena foi intensa. EM 1591 uma visitação do Santo Oficio na Bahia e Pernambuco mostrou que os pecados da carne, as heresias, os padres transgressores (pederastas e outros tipos) estavam minando a colônia de pecados e para isso veio um tribunal. • 4.14: O jogo complementar entre exclusão e inclusão § Os rearranjos do século, as formas de controle como aplicáveis estavam concentrados na figura da policia, e em menor medida e mais sútil, com um discurso caridoso mas sem o fundo religioso, a filantropia surge nesse mesmo período, a marca piedosa fosse individual ou coletiva e a herança colonial de caridade ainda continuariam sob outra face. § Não há como resumir o século XIX como fértil para as institucionalizações com o hospício, o caráter medico dos hospitais etc., mas houve também uma divisão dos saberes, o medico-psiquiatra. Mas vamos perceber que essa caráter individualizante, as classi e sub classi... Entre loucos e idiotas estavam nascendo como maneira de estimular o pensamento de que o lixo humano e indesejável deveria ser retirado das ruas. § Mas entre a institucionalização e a assistência prática há um rio de diferenças, já que mesmo havendo um caráter individualizante dessas formas de tratamento não houve uma práxis. § O mais louco é que pensamos que as sociedades contemporâneas vieram de um processo-modelo de exclusão, mas não. Há sem dúvidas uma tendência em atribuirmos naturalmente as exclusões, mas a normalização do discurso médico-pedagógico nascente corrobora essa ideia. Mas por que e como então houve esse processo de inclusão, não significa bondade institucional, mas vejam: □ No brasil, a relevância de subjetividades, de identidades, dos indivíduos tem o objetivo de: ''INTEGRAR''. □ Nesse integrar entram tudo aquilo que nós conhecemos como dispositivo prático de poder, o que em grande medida podem ser vistos ao longo da nossa vida, cada faixa etária da nossa vida há pelo menos um dispositivo de controle de poder, na maternidade-hospital e isso depois passa para o cartório que registra, a vacina que vai para a carteirinha super rígida dos órgãos de saúde, a escola mais tarde, a policia na juventude para conter o ímpeto da algazarra jovial, o trabalho, a policia ainda, o Estado e o exercito a cima dos 18 anos pois o alistamento e possível serviço, a burocracia e os documentos (RG, CPF, TITULO D ELEITOR...) isso pensando superfluamente, há muitas coisas que podemos discutir. ] □ Mas sobre o controle dos indesejáveis, eles agora não são mais retirados do interior da comunidade e colocado a margem, agora há espaços delimitados e especializados de controle médico-pedagógico. □ Todos estamos institucionalizados, nem o gueto foge disso, há uma serie de instituições que nos rodeiam, que sabem da gente. □ Essa integração é violenta e mesmo assim valorizamos e até lutamos pelo aperfeiçoamento desse sistema integrante das malhas institucionais, alias, nada pode ficar fora delas, o preso fora da prisão, as crianças da escola... Não há como ser excluído totalmente, há em alguma parte um registro sobre nós, desde um simples ficheiro de maternidade até RG, CPF e titulo de eleitor. • 4.2: Urgências do controle sobre a colônia: Instrumentos de caridade. § 4.2.1: Vilas coloniais: Cenário do movimento da caridade. § Vilas com casas de taipas, estradas estreitas de terra e pedra, era isso que permitia compartilhar da vida alheia e disseminar na praça ou para o Santo Oficio. Mais ao alto, na colina ficavam as familias melhores postas, no terreo uma pequena loja ou cocheira e logo ao lado a senzala. § A cidade de Pernambuco evidencia bema divisão de dois mundos, o de baixo e o de cima. No alto da colina ficavam as casas dos mais ricos, a igreja, a prefeitura, a praça, o convento etc., os escravos moravam em baixo proximos as suas senzalas. Poucos vestígios sobraram dessa dinâmica citadina do século XVI. § As vilas de algumas regiões do Brasil se formaram a partir da busca por riqueza ou de alguma outra motivação, eram acampamentos permanentes que tinha o objetivo de durar algum tempo e acabavam se transformando. § Diferente do que tentou Felipe II quando estavam os dominios portugueses sobre sua coroa nãod eram certo, a arquietura das colonias espanhols diferia muito das portuguesas, essas ultimas literalmente medievais, construções e uma arquietetura de maneira geral muito representada pela medievalidade europeia. As vilas eram pobres, como as de Olinda, ao alto. Não atoa, os holandeses quando aqui estiveram fundaram Recife, já que as ladeiras acima e a arquietetura não dava para eles. O mais doido é os tigres, ou barris de excrementos que quando cheios e levados pelos escravos para algum lugar mais afastado por estar na parte de cima da cidade, onde moravam os mais abastados, quando chovia esses dejetos eram levados para baixo e putrefavam ao sol, tornando tudo muito dificil, o ar, as ruas, a higiene etc., pensando num periodo que o PÚBLICO NÃO EXISTIA, o patrimonio de uso coletivo não era cuidado, o que interessava era a propriedade privada. § Exceto a igreja, esta era bem zelada, edificação solida no cume do morro e centralizada. § Várias vilas, mesmo que com muros delimtiados, prestava um deserviço no caso de ataques indigenas e outros, além do mais, essa divisão não contribuiu para algo interno, as vilas nasciam dividas, os lugares mais ao centro para os religiosos, os mais ricos, brancos e portugueses homens bons, enquanto a periferia era destinada a ladrões, fujoes, pardos e negros alforriados. Era sempre muito tentador desertar da cidade, da vila colonial ainda pequena, de dificil vivencia e migrar para os sertões, as fazendas que continham riqueza, populaçao tao grande quanto as das vilas, a diferença é que as do campo, incluindo escravos ia a vila nas festividades religiosas e procissões. § O Brasil das vilas jamais chegou aos ''-pés '' dos potentados rurais, esses baseados no trabalho negro e num produto aceito externamente, enquanto nas vilas havia uma certa limitação, pois as cidades importantes eram as portuárias, nem mesmo os interiores auriferos no seu auge alcancaram tal importancia. § DETALHE: NÃO ERA SÓ O ESCRAVO MISERAVEL E DESUMANIZADO QUE PODERIA DEIXAR DE CONSUMIR O QUE PODIA PRODUZIR SOMENTE NO SEU ESPAÇO E QUE AS VEZES A NATUREZA TAMBEM CONTRIBUIA PARA DEIXAR ESCASSO, OS BRANCOS LIVRES, ESCRAVOS FORROS NÃO PODIAM PRODUZIR, A MANUFATURA INTERNA ERA PROIBIDA E TUDO QUE A CASTA BRANCA E RICA PRECISAVA ERA TRAZIDAD DE FORA, OU SEJA, A PRODUÇÃO DE SOMENTE AÇÚCAR ESTERILIZOU O MERCADO BRASILEIRO DE PESSOAS PRODUTORAS LIVRES. § A primogenitura que durou até 1835 e a consaguinidade nos casamentos para manter a propriedade familiar e latifundiaria foi uma prática. § Como os cargos publicos estavam destinados a puros de sangue e que comprovassem isso, foi natural que os mais aptos da colonia a ocupar esses cargos do ponto de vista da coroa eram os mesmos barões e donos dos engenhos de açucar, ou seja, uma extensão do seu poder que agora era publico/privado e dominado. Não atoa, ve se na Bahia os Guedes Britto da casa da ponte e os Gárcia D'ávila na casa da torre ambos na Bahia disputando e travando disputas sangrentas para ocupar esses espaços de poder que daria condições sem limites para uma atuação escravocrata. • 4.2.2: Doentes, defeituosos e vadios: os males da miséria na colônia. § Esse era os que compunham a sociedade colonial assim como hoje, mas estamos pensando nos modelos transvestidos ou incorporados com novos arranjos, como foi o medieval de caridade, o discurso medico-filantropico e o atual da previdencia social. § Conceito de 'universais inexistentes' - Paul Veyne. § Até o séuculo XVIII os hospitais foram depositorios para os moribundos e desassistidos morrerem, mas há algo a mais, era um espaço de enclausuramento, não assistiu-se nesses espaços somente uma morte cristã, onde ali não tinha como finalidade a cura, mas o preparo para a morte, não foi somente isso, houve o enclausurar. § NO BRASIL, podia-se circular livremente desde que sob as regras da medievalidade, não pertubasse a ordem, com isso, pderia frequentar qualquer espaço. § NA PÁGINA 262 e 63 há um relato do padre GRAHAM em passagem ao Brasil falando sobre duas surdas-mudas que eram imrãs de uma casa e que sabiam conversar, criavam sinais e afins. § Mas o discurso sorbe a ociosidade, a baixa idade média e a mudança sob a figura do vadio, vagabundo mudou drasticamente, uma porque não era somente a figura do vadio, mas a POBREZA PERDEU SEU CARATER DIVINO, advindo de Cristo, era preciso categorizar essa pobreza, entre os invalidos por velhice ou doença, aqueles que não se sustenatavam pois não tinha mais senhor e os vagabundos, válidos para o trabalho mas ociosos, os desalentados de Michel Temer. § TUDO ISSO em torno da vadiagem, do vadio, dos açoites a quem se recusa a trabalhar, principalmente em Portugal, é em grande medida devido ao medo que a categoria pobreza começou a representar, a ociosidade e a misérie constituam uma linha tenue na visao da epoca com a malandragem, perigo, subversão social e afins. § Paragrado lindo da pagina 266. § A pobreza no Brasil veio não como um problema de desiguldade, como é pensado hoje, algo não coletivo na época, mas sim como aliado a ociosidade, a vagabundagem e as contravenções possiveis por parte destes (as), não atoa, vemos que Vila Rica no censo de 1804 com uma parcela pequena rica dominante, os mendigos e a ampla maioria pobre vivia dessas esmolas, o que evidencia em grande medida que o modelo europeu de cidade transladou para cá. Mais adiante teremos essa cosntrução do pobre como ordeiro, pacato e obediente ao regime vigente. • 4.2.3: As misericórdias: instrumento de controle da colonia. § As santas casas de misericórdia ao final da idade media e por serem citadinas concentraram uma maior caridade nesse novo arranjo de controle e de piedade/caridade cristã. § Foram fundadas, ou tiveram inicio em Portugal a partir de 1498, subistituiram as confraria leigas do século XII e XIII. § Santos em 1543, Ilheus, Bahia, Porto Seguro e São vicente em outros espaços comportaram casas de misercordia, um fenomeno que atingiu rotas de comercio e a Africa § Eram de carater leigo, se espalharam aos poucos as outras provincias do Bbrasil, não sofriam interferencia do Clero, fosse ele secular ou reguar, nem mesmo da CIA DE JESUS, os padres e demais podiam ajudar, mas não faziam parte do quadro autonomo dessas casas. A benevolencia do Brasil passou a ser vista nessas casas, um lugar que recebia muitas esmolas, doações e afins e era regida por pessoas completamente fora dos limites religiosos, pessoas da colonia de maneira geral. § Em grande medida os regimentos das casas de misericordias ultramarinas, comandadas por Lisboa tiveram como linha mestre de atuação a suma teológica de Aqui, ou seja, a ajuda, caridade, cuidado com os pobres, questões relativas a fome, sede e morte eram todas julgos das casas de misericordia e do primeiro regimento de 1518 que vigou até 1614, sendo portanto, a partir de então ampliado. Funções morais, religiosas, represssivas, assiststencias era tudo isso que se fazia. § Mesmo socorrendo indigentes por quase 3 séculos, essas casas reuniam a elite, eram dividos em dois grupos, os proprietarios fidalgos e os de menor expressão, comerciantes abastados e outros oficios, não recebiam subdisidios da coroa mas receberam monopolio em várias areas, como a do sepultamento. É importante entender o papel das santas casas de misericordia, uma estrutura única que concedeu no seu bojo até emrpestimos como é o caso da Bahia, ou seja, era um receptaculo de ajuda de toda e qualquer ordem, moral, fisica e economica. § Infelizmente chegou pouco documento sobre esse assunto até os dias de hoje, principalmente pensando no século XVII, mas é importante que tenhamos em mente que a pobreza de algumas misericórdias, como a de SP num período que a escolarização não era obrigatória tampouco desejado, era natural que os documentos fossem escassos. § Fundos públicos de dinheiro, como as câmaras eram de pouca ou nenhuma ajuda, a coroa em muitos momentos ajudou com o que não era nem suficiente, ou seja, a maioria das doações eram privadas ou de particulares. § Os hospitais de misericórdia; □ Segundo a tese de Foucault, os hospitais nascem da disciplina na prática que havia em curar os feridos de guerra, soldados. É isso que legitimaria mais tarde a institucionalização e o discurso médico como referencial. Com a invenção do fuzil, se tornou caro mante-lo e treina-lo, era mais barato portanto, pagar o tratamento de algum soldado. Na Bahia do século XVII se dava conta com apenas dois médicos e um padre para os enfermos do hospital, mas em 1711 e 1732 há contratações que evidenciam o crescimento demográfico e naturalmente de internados. □ Nesses espaços eram tratados todos os tipos de pessoas, somente os escravos que deviam ter seus serviços pagos pelos senhores, o que até a proibição do tráfico e a escassez de mao de obra era raro, mas depois começou a ser práticado. Não podemos esquecer que era o único espaço de tratamento que houve por muito tempo no Brasil, portanto, havia toda uma simbologia criada ao longo dos seculos sobre a santa casa e ao hospital de misericordia, a ideia de quem para lá ia, estava perto da morte. Errado não estava, devido a condições inumanas, insalubres e de falta de tudo, medicos, estruturas, leitos e por ai vai, só a titulo de ilustração isso ocorreu na Bahia (reconcavo), em São Vicente isso tambem se aplicou. □ Os leprosários eram diferentes, afastados e tratados por outros em alguns casos, como na Bahia, que quem cuidava dos leprosos era a casa de São Lazaro, diferente de São Vicente que pegou para si a responsabilidade de cuidar dos leprosos adjunto ao hospital comum. Mas percebe-se em alguns desses leprosários que as celas eram para os doentes, ou seja, eles eram encarcerados ou colocados em isolamento, não há portanto, uma ideia distinta de que celas são para a cadeia e o hospital é para tratar e não isolar até a morte chegar, é claro que essa distinção vai ser feito mais tarde, um processo que nasce com os soldados, sofre uma fusão de funções sociais, clinico-pedagógicas e depois de controle, de poder sobre os corpos assujeitado. § O abandono de crianças e a roda dos expostos. □ Tanto na alta idade media quanto mais tarde no Brasil, um reflexo dessas práticas, os enjeitados, filhos de estupros de senhores brancos em índias ou negras era absorvido para o trabalho paramilitar, para capitão do mato ou agregado de espaços religiosos, como na Europa, naquela época em virtude da mortalidade e de outros aspectos próprios da Europa medieval. □ Os enjeitados no Brasil estavam sob responsabilidade das câmaras, que contratavam amas que cuidariam e executariam esse processo de cuidado. Crianças negras, jamais eram abandonadas, eram criadas por outras mães e pais escravos que concebiam como filho, já que a natalidade entre escravos no Brasil era baixa se comparada as 13 coloniais. □ No século depois a partir de 1720 criou-se na Bahia e em SP as rodas dos expostos, uma pratica que tinha como objetivo ser mais discreta ao deixar um enjeitado, que antes era pelas ruas e assim por diante. Havia um pacto em algumas regiões entre as casas de misercordia e as câmaras, essa ultima devia custear o cuidado de todas crianças expostas, o que nem sempre acontecia. • 4.2.4: Irmandades de ajuda mutua: • 4.3: Novas vigilâncias: Aliança medicó-filatrópica • 4.3.1: Desordem social e segurança nas cidades. § Todos os espaços do Brasil tinham sua milícia paramilitar sendo formada por desclassificados. • A invenção do urbano: § O novo objeto de saber era a questão urbana, regenerar e civilizar os desordeiros, os vadios que não foram incorporados na disciplina dos pequenos exércitos que se formaram no Brasil a partir do século XVIII. § É nítido que o mundo a partir do século XIX cria o espaço urbano, dotado de centralidade, de algumas questões que tangiam antes a área rural agora deslocou-se para o centro, um local de modelagem do tecido social, MAS NÃO NECESSARIAMENTE URBANO SEJA A CONTRAPOSIÇÃO DE RURAL, nem onde há cidade significa que seja urbano e vice versa. § O centro, a cidade, a urbanização foi um processo pensado para o controle dos corpos assujeitado ao trabalho, não atoa, todos os dispositivos e configurações de ordenamento físico das construções e edifícios (asilos, prisão, escolas, hospitais), tudo isso se dará de uma forma pensada, organizada para que tudo funcionasse, controlando as exceções, adestrando o corpo ao trabalho regrado e retirando do corpo orgânico aqueles que pesam demais. • 4.3.2:Familia e normalização da infância § A mudança da corte não trouxe somente as medidas restritivas para o zelo e a proteção da corte que aportou no Brasil com 15 mil pessoas, mas foram pensadas as construções de lugares como a biblioteca real, o jardim botânico, abertura dos portos e de uma impressa, uma policia militar ou guarda real efetiva protegia o RJ, mas de qualquer forma, tais mudanças como atenta Lilia ficava apenas no RJ e Bahia, o resto continuava com o caráter de vila e fétidas, como é descrito na paginas 293-294 e as práticas das famílias, a vestimenta, os modos a mesa e fora dela... § Essa institucionalização bem pensada e com categorias estritas da infância não foi algo universal e desde sempre, até o século XVI/XVII e só mais tarde com reflexo no Brasil é que se acaba com as formas de tratamento infantil semelhantes ou próximas dos adultos, antes, durante a Idade Média era comum crianças se vestirem como os adultos, estarem aos moldes deles, pois não havia distinção de papeis sociais, além de algo extremamente problemático para o período, a mortalidade infantil fazia a veneração por crianças ser alta, claro que pesava a questão econômica, de bens, de sobrenome e afins. s • A escolarização de pobres e ricos: • 4.3.3: Limpeza urbana e proteção. § Além das iniciativas caridosas, os pobres começaram a fazer parte a partir de 1809 de um controle repressivo da policia e da filantropia. É que a segunda começou a ganhar espaço a partir do XIX e a guarda real, foi criada para proteger o RJ e onde estava a família real, mas a população era negra em sua maioria, escrava, portanto, era natural que as ruas estivesse cheia de escravos, alforriadas, libertos e afins. § O corpo municipal de permanentes criado por Diogo Feijó, regente do Brasil nesse momento, demonstra uma clara tentativa de sanar os problemas que a urbanidade estava ofertando, os arruaceiros e desocupados precisavam ser contidos sob os lampiões com óleo de baleia nas estreitas ruas do RJ. § Houve na figura do negro uma intolerância maior, é descrito (pg.303) um espancamento de um negro que ficou inválido, cartas inclusive de Feijó repudiando essa falta de limites da policia existiu, mas não existiu a intolerância com a policia, esses tinha na burguesia e nos adeptos das práticas repressivas um ''fechamento dos olhos'' e ainda, uma tolerância além do esperado, afinal, o espancamento era o procedimento a ser realizado, o problema era o limite. A ideia de ''terror saudável'' contra os negros da rua em favor da burguesia é um rearranjo da ''pedagogia do temor'' uma vez que violência se concentra na policia que as vezes '' passa dos limites com um claro intuito de não só ''conter a ordem citadina'' mas também de impor o seu domínio e monopólio da força. • 4.3.4. O Hospital: Apropriação do corpo doente pelo poder médico. § Os pobres e escravos não foram o foco central do discurso médico que nasce e já se consolida no século XIX, os médicos estavam inclinados ao controle do corpo doente e morto, esses serviriam para o progresso desse domínio cientifico, não atoa, eles participaram da arquitetura e logística do espaço que daria total autonomia e domínio sobre esses corpos, hospitais. • 4.3.5: Filantropia e racionalidade empresarial: O controle da miséria. § LER ESTAS 7 PÁGINAS AO FIM DO LIVRO NOVAMENTE. Capítulo V. A inclusão institucional • 5.1. A higienização da criança pobre: prevenir fardos e perigos sociais. § A despreocupação com o pobre, com aquilo que permeava a vida desses desfavorecidos não foi pensada, não era primazia dos higienistas e de quem pensava o desenvolvimento, foi só a partir de 1854 e 1856 que se criou espaços para surdos-mudos e cegos no RJ, assim como um asilo que tratava de pessoas em condições como a dos expostos, mas aos 14 anos saia e naturalmente voltava a mendicância. A preocupação com a criança, o pobre novo/velho foi algo tardio e engrenagem do sistema que se desenvolvia, não foi por vontade espontânea. § Prevenção e recuperação, categorias desse novo discurso médico-filantrópico não abarcavam pobres, crianças pobres e em geral os fardos sociais como são apresentados inicialmente. § Carlos Arthur Moncorvo Filho, um higienista/médico da época é um dos que defende a negligencia do Estado para com a infância, é ele quem concentra a culpa pelo alto índice de mortalidade infantil ainda no século XIX. Ele e mais um grupo saiu realizando conselhos e ''palestras'' sobre como ter higiene, o trato com as crianças, o papel da mulher e mãe e o que fazer, como fazer, afins. § Em 1901 fundou o instituto de Proteção e assistência na Infância no RJ. Assistiu-se a partir de então a gravidez, o parto e o aleitamento das mães cariocas para focar em duas prevenções, o nascimento de crianças defeituosas e prematuras, isso demonstra claramente uma tentativa EUGENICA DE OCUPAÇÃO DO SOLO BRASILEIRO, não tanto no sentido do discurso racializado mas de aperfeiçoamento da época. § O que deve-se frisar aqui é o descaso com o deficiente, o problemático esses os quais o relato da (pg.323) demonstra bem. • 5.2. Assistência mal praticada e caridade irrefletida: a naturalização da pobreza. § Foi só no século XX que a elite brasileira, avessa as greves, paralisações e arruaças dos conjuntos populares (cortiços), que ela vai começar a pensar na insalubridade e condições péssimas das industrias e dos trabalhadores (as). § Desde 1860 houve greves ou paralisações de algumas profissões no Brasil Imperial, até que ao adentrar o século XX começou a logística de preservação dos corpos, não só um assujeitamento, mas um interferência na ordem doméstica, higiene dos filhos e das mães e todo um aparato pensado para que Estado e policia combatessem a desordem, insalubridade publica e privada e guiasse o rebanho ao trabalho. § Para muitos da época, a assistência, a caridade foi algo que naturalizou a pobreza no Brasil, assim como outras doenças, a miséria e a pobreza se alastravam para todo e qualquer canto. O Estado tinha um dever moral com os mais desfavorecidos e a esfera particular um dever social, não atoa é defendido por grupos da época que a filantropia, caridade e tal deviam necessariamente agir com essas duas facetas, a publica e a privada. § O Estado liberal é isso, a exemplo do americano, intervenção estatal no gerenciamento do bem estar publico é nulo, a iniciativa privada subsidiada e incentivada pelo governo realizada tais ações, e isso ao mesmo tempo é uma prática que vai induzir ao trabalho de uma ampla maioria e naturalmente a riqueza do país é o que é hoje. No Brasil, esse discurso liberal é o mesmo só que com o discurso do equilíbrio harmônico entre ricos e pobres, o que é sempre mantido através da caridade elitista, essa por sua vez, é ressarcida financeiramente com os incentivos e subsídios. • 5.3. Biopoder e controle censitário para os corpos irrecuperáveis ao trabalho. § O discurso liberal do Brasil, tardio em relação a Europa já do XVIII, aqui no despontar do XIX e depois de 1822 vai se consolidar em detrimento de vários sustentáculos, o principal, sem duvidas o médico. § Governamentalização (O que Foucault diz ser a facultatividade do Estado dizer o que é de sua jurisdição ou não) □ O primeiro exemplo das leis de censo e contagem ou (recenseamento) foi a de 1851 que agitou o nordeste em virtude da tentativa atraves desses números de (re)escravizar homens livre de cor. □ O primeiro censo de 1872 levava em conta as 4 cores (branca, negra, parda e cabocla) e os defeitos físicos, surdo-mudez, cego e afins. Mais tarde, 1890, 1900 e 1920 foram realizados outros e com as tentativas de inclusão de outras categorias. □ O que deve-se ter em mente é que nesse período, esses recenseamentos e controles é uma tentativa de rastrear os corpos aptos para o trabalho, nada mais, não era benevolência estatal. □ Idiotas e loucos formaram categorias antes degenerativas, agora mudaram nos censos da tabela 2. e demonstram que idiota é passível de cura e louco não é mais inválido ao trabalho. □ OBS: Através de duas/três informações nós vemos que é natural o discurso médico estar adjunto ao econômico-liberal, a insistência no que antes era causa perdida demonstra que todos estes agora estão aptos para o trabalho das fábricas, regrados ao relógio e a produção fabril. □ Aleijados continuaram sem ajuda publica ou privada, paralíticos, decepados, mutilados etc., e surdo mudez e cegos continuaram a registrar inabilidade para o trabalho industrial. • 5.4. Institucionalizações da psiquiatria e os discursos médico-pedagógicos: a criança anormal. § Somente um explicação densa do que seria a ideia de institucionalização e instituições, além de uma explicação sobre a inclusão e exclusão. • 5.4.1. A inclusão do idiota '' nas diversas espécies de alienados '': distinções e assimilações. § A institucionalização do idiota pela psiquiatria nascente e dominante na área que concerne o mental, fez rende mais tarde no século XX a ideia de criança anormal.
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