No quente agosto de 1965 uma paixão intensa e avassaladora surge para mudar, para sempre, a vida tranquila de Francesca Jhonson (dona de casa, mãe de dois filhos e esposa de um fazendeiro) na pacata cidadezinha de Winterset, Iowa e do fotógrafo Robert Kincaid de Bellinghan, Washington que chega para registrar as belíssimas pontes do condado de Madison.
No início do livro o autor faz uma breve introdução afirmando que a história do casal lhe foi entregue, para que fosse escrita, pelos dois filhos de Francesca: Michael e Carolyn, mas a história é totalmente fictícia.
A ligação profunda entre Francesca e Robert acontece quase que imediatamente quando Robert para diante da casa de Francesca para pedir informação de como chegar na Ponte Roseman e ela, em um impulso, se oferece para levá-lo até lá.
Os dois sentem como que atingidos por um raio e de forma intensa e profundamente romântica a história deles, que tem a duração de quatro dias, rompe as barreiras da realidade arrancando a ambos de suas respectivas solidões para levá-los a vivenciar o amor mais avassalador e verdadeiro possível.
Pouco antes de se entregarem definitivamente abandonando todas as reservas eles dançam na cozinha da fazenda e o autor, nessa cena, consegue mesclar de forma precisa a inquietação interna de Robert e Francesca com uma leveza singular e uma fluidez suave e harmoniosa na descrição dos pensamentos dos dois nos fazendo ansiar pela explosão apaixonada que está prestes a romper a superfície, aparentemente tranquila, que esconde as emoções quase em ebulição que esperaram impacientemente pelo momento de transbordar.
O autor nos leva pela história de forma serena, mas uma sensação de urgência vai se intensificando, no leitor, a medida que o romance avança e ao atingir o ápice da paixão e chegar ao momento em que a realidade alcança os personagens e o terrível dilema (de, o que farão depois) se aproxima, tudo é conduzido de forma tão sensível e integra que a decisão de Francesca de optar por seguir com suas responsabilidades e a concordância de Robert em assentir com a escolha dela, mesmo sabendo que nunca mais na vida se sentiriam completos novamente, nos arranca lágrimas abundantes.
Essa é simplesmente uma das histórias de amor mais lindas que já li! Tanto no livro quanto na maravilhosa adaptação para o cinema o impacto que senti foi o mesmo.
A profundidade dos personagens, a escolha dolorosa que os dois têm que fazer e a integridade demonstrada por eles só reforça convictamente a verdade e intensidade do amor que sentem.
Na parte final, no momento em que Francesca está no carro com seu marido e cruza com a picape de Robert deixando a cidade debaixo de uma chuva torrencial, meu coração ficou aos saltos enquanto eu torcia loucamente para que ela abrisse a porta do carro e optasse por viver seu grande amor e deixar todo o resto para trás.
O livro é maravilhoso e a história não perde a intensidade nem por um momento, nos deixando o tempo todo fervendo por dentro e carregados de emoção.
Quando terminei a leitura uma única pergunta, sem resposta, ficou voltando à minha mente: será que só um amor incompleto pode ser romântico?
"Ele me deu uma vida inteira, um universo, e transformou minhas partes fracionadas em um todo."
Recomendo.