Este livro me surpreendeu bastante, e nos apresenta uma premissa muito boa que o autor desenvoveu muito bem. A estória me prendeu e aguçou a minha curiosidade até a última página.
Em o Andróide, Paulo de Castro irá explorar um mundo onde a humanidade foi brutalmente exterminada por robôs, que são liderados por um "vírus" chamado H1N1. No meio desta nova era, alguns andróides são contra este novo governo e se rebelam contra este misterioso líder. Como forma de punição, os mesmos são caçados e exterminados como os humanos outrora foram. Porém, "liderados" por JPC-7938, um enigmático andróide especalista em medicina, outros dois andróides partem em uma jornada para cumprirem uma importante missão.
O livro é bem escrito e a narrativa intercala entre o presente e o passado. No presente, acompanhamos a jornada desses determinados "heróis" robóticos e no passado, acompanhamos a relação desses robôs com os humanos, e o ligação que eles tinham com os mesmos.
Esssa escolha de estrutura narrativa é maravilhosa e foi uma escolha muito acertiva por parte do autor. É graças a esta escolha que os protagonistas são humanizados e que suas atitudes se tornam justificavéis.
O livro tem um viés muitas vezes filosófico, que traz algumas reflexões que acabaram me fazendo ter um monólogo comigo mesmo em diversos momentos durante a leitura. Infelizmente os autores nacionais ainda sofrem certas resistências por parte dos leitores, que consideram muitas vezes seus livros inferiores se comprarados com as famigeradas obras internacionais. Sendo assim, livros bons como esse, acabam sendo ignorados e consequentemente pouco lidos; o que é uma pena!
"Os humanos são bestas que não merecem viver mais neste mundo. Eu fui uma prostituta. Vivia para lhes dar prazer. Eu descobri em poucos dias que eles eram animais sem sentimento, imundos, egoístas, capazes de maiores atrocidades em busca de prazer. Eles batiam, violentavam, estupravam e matavam muitas mulheres. Eu fui criada para que eles pudessem fazer tudo isso e não fossem presos." p. 70
Frases e questionamentos como o paragráfo parafraseado acima, permeiam o tempo interiro o livro e são muito bem inseridos. Mas apesar de ter gostado bastante, algumas coisas soam forçadas demais. Algumas ações chaves para o desenrolar da trama são muito inverossímeis e mal explicadas. Acredito que faltou um pouco de pesquisa por parte do escritor, para que estes momentos não ficassem sem sentido.
O final também é meio confuso e eu terminei sem entender de fato a motivação do grande vilão. As decisões tomadas por ele, não fizeram muito sentido pra mim, principalmente levando em conta o background apresentado deste personagem. Na minha opinião, era para ele ter ficado do lado dos humanos e não tê-los aniquilados. Eu talvez não tenha entendido o final e precise relê-lo? Talvez... Mas acredito que o autor se perdeu nos últimos capítulos.
E o epílogo é mais do mesmo. Um final preguiçoso e que eu já vi em vários outros livros. Mas ele é um bom livro de ficção-científica e o melhor de tudo... escrito por um escritor brasileiro.
Devemos lutar e torcer para o avanço da tecnologia, sempre acreditando que com ela criaremos um mundo melhor para vivermos.. ou devemos temê-la? Será que a criação da inteligência artificial é a solução para alguns de nossos problemas?... Durante a leitura eu confesso que cheguei a ficar confuso sobre quais são as melhores respostas para estas perguntas que a estória levanta de maneira subliminar.
Curti a leitura e obviamente indico... Excelente também pra quem deseja começar a ler ficção-científica. Um livro com problemas, mas ainda assim um bom livro!