"A friagem", de Augusta Faro É um livro escrito por uma mulher, classificaria assim, ainda que eu não tenha paciência para debates sobre literatura “masculina” e “feminina”. As histórias atravessam o corpo feminino expondo uma massa pegajosa de formas, curvas, umidade, sangue, dor, alimento, desejo e sexo. O grotesco e o terno, o real e o fantástico, o anseio e o tédio, o choque dos extremos em um mundo inicialmente marcado pela aridez do quotidiano. O livro tem altos e baixos, achei alguns contos meio lugar-comum demais, a velha fórmula do desejo sexual reprimido transformando-se em algo inusitado, acho que já cansei um pouco, deve ser a idade interferindo na leitura. Em compensação, outros, que pareciam lugar-comum, envolvem e encantam de uma maneira tão doce. Gostei de “A friagem”, “A gaivota” e “As sereias” e muito de “As gêmeas”, uma história que, para mim, não apresentando quase nada, é pura ternura. Parecem simples, e são simples, são contos de fada, como tecido macio acarinhando a pele, aquelas roupas que temos no armário e gostamos de usar em momentos muito pessoais, porque nos recordam o que somos e que o que somos é especial e é nosso, não importa como seja visto pelo resto do mundo.
A Friagem -
Augusta Faro
Global
2000
151 páginas
5h 2m
ISBN-10: 8526007009
Português Brasileiro
Edições (1)
Ver maisResenhas (3)Ver mais
Estatísticas
Avaliações
3.7 / 44- 5 estrelas27%
- 4 estrelas32%
- 3 estrelas18%
- 2 estrelas23%
- 1 estrelas0%

