Quando Beto parou em frente àquela padaria, tudo o que ele queria – um emprego que não conflitasse com seu horário de estudo, e ao mesmo tempo, o ajudasse a se manter, já que estava vivendo sozinho em uma pequena quitinete desde que se mudara para a cidade por conta da universidade. O que ele não sabia é que aquela padaria não era um lugar comum. Coisas muito estranhas passaram a acontecer desde que colocou os pés lá dentro, como se aquele espaço estivesse em uma dimensão paralela. O pior é que a influência do lugar parecia persegui-lo também em sua vida pessoal. Fantasmas e criaturas estranhas desfilavam diante de seus olhos como se sua existência sempre estivesse estado ali, a um piscar de olhos de uma pessoa mais atenta. Os que trabalhavam dentro daquele comércio, também eram criaturas curiosas, cada qual com seu problema. Iniciando pelo misterioso Seu Mauro, o proprietário da padaria, sempre rústico no lidar com os demais, porém, ao mesmo tempo, sendo capaz de proteger e cuidar de todos os que estavam sobre o seu teto. Passando pela bela e espevitada Catarina em seu amor infrutífero por um dos gêmeos e com uma sabedoria e profundidade de sentimentos que só mais tarde Beto descobriu, pertencia aos mais velhos. Ao perceber que cada um dos que ali estavam ali tinham um motivo, o jovem protagonista começou a entender que dentro de sua história havia coisas ainda pendentes, como a perda de um jovem amor que o assombrava e a presença de um perigo real nos arredores de sua casa. A padaria estava lhe dando a experiência necessária para poder enfrentar um grave perigo que ameaçava sua vida. Restava saber se Beto, com sua natureza tão simples e direta, seria capaz de aprender e sobreviver a este novo encontro com a sombra da morte.
Padaria -
Gislene Vieira de Lima
Central de lendas
Veja esta e outras resenhas no Literatura de Cabeça: www.literaturadecabeca.com.br Desde que criei o Literatura de Cabeça, há dois anos, procurei incentivar os leitores a se deleitar e adentrar o mundo dos autores nacionais. Não aqueles que seguem as fórmulas prontas vindas do mercado exterior, mas aqueles que com todo o chamado "jeitinho brasileiro" conseguem transmitir a nossa própria cultura na obra redigida. E, para minha alegria, conheci uma gama excelente de autores propensos a não seguir padrões pré-estabelecidos e fazer aquilo que sua imaginação mandava. Escritores que falam o que verdadeiramente nos apaixona e não aquilo que realmente vende. E isso é bom PRA CARAMBA! Cansado dos escritos filhos de Crepúsculo, conhecer a Padaria de Gislene Vieira de Lima foi um achado. O livro lançado pela Editora Modo faz uma miscelânea divertida entra lendas brasileiras e aqueles contos assombrosos que muita gente ouviu ao pé da fogueira, como a menina fantasma que o mocinho namorador encontra indo pra casa - quem já não ouviu este acontecido?! Bom, o mote principal é bem simples: Roberto é um estudante de Direito que, numa época de perrengue total, descobre uma nova padaria perto da sua casa, com um cartaz oferecendo emprego. É lógico que ele entra à procura da vaga... Aí começa o mistério, já que o gerente da padoca não colocou cartaz nenhum por lá... Bom, o caso é que Beto acaba sendo contratado e logo descobre que ali não é um estabelecimento comum. Além de vender o pão nosso de cada dia, Beto vê passar pelo balcão as mais lindas e cruentas fantasias do nosso Brasil, desde São Pedro, que vai beber todos os golinhos de álcool que a galera oferece para o santo, até a miséria que gruda em nossos pés, querendo sempre mais. De uma visita bem louca ao futuro a um generoso buffet dedicado aos mortos, tudo aparece diante de nossos olhos, encantando cada leitor que adentra por essas páginas em um mundo completamente novo. Mas este livro, que era para ser um sucesso, deixa a desejar em vários pontos. Penso eu, que por ser a primeira obra da autora, faltou uma parceria da editora em tratá-lo com o respeito que a obra merece. A revisão deixou muito a desejar, mantendo na obra desde tremas à trechos em branco, onde deveria haver um complemento de frase. Em certos trechos, personagens trocam de nome e o leitor se pega a pensar quem é aquele que está por ali... Não estou pondo a culpa na equipe somente, porque este trabalho é uma parceria entre autor x equipe e, para mim, faltou o afinco também da escritora quando pegou o texto após a revisão final. Além disso, certas pontas ficaram soltas, assumo, mas a escrita da autora é muito bem fluída e redigida e tenho certeza que ainda vai nos trazer muitas coisas boas. Espero que para a 2ª edição a obra tenha o respeito que merece. Estou extremamente ansioso para ler a segunda obra da Gislene, a Princesa dos Olhos de Gato, que já foi lançado. Espero me divertir e surpreender-me tanto com a outra obra quanto me senti grato por ler esse. E que venham mais obras criativamente brasileiras como essa!
Estatísticas
Avaliações
4.1 / 17- 5 estrelas47%
- 4 estrelas29%
- 3 estrelas18%
- 2 estrelas0%
- 1 estrelas6%



