O Chalaça - Galantes memórias e admiráveis aventurasdo virtuoso conselheiro Gomes,

    José Roberto Torero

    Companhia das Letras
    1994
    231 páginas
    7h 42m
    ISBN-10: 8533208170
    Português Brasileiro

    É com prazer que apresentamos ao público os diários pessoais do secretário particluar de D. Pedro I, Francisco Gomes da Silva, vulgo Chalaça. Segundo José Roberto Torero, Chalaça, um´pícaro por excelência, havia escrito algumas das páginas mais elegantes e divertidas de que se tem notícia sobre os tempos do Primeiro Império. Apresentada à editora como autênctico documento histórico, na verdade a obra nos parece fruto da mais pura liberdade ficcional. Perdoem-nos os leitores se tal suspeita se origina de um ato de imodétis de nossa parte, pois afinal que mérito teríamos nós em apresentar ao público um novo pesquisador de raridades histórico-literárias? Sem dúvida interessa-nos muito mais bradar a plenos pulmões (como fizeram alguns personagens em famosa cena recontada nesse livro): descobrimos um autor!

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    Waldir Figueiredo Reccanello14/03/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Há quem lhe atribua a pecha de alcoviteiro; outros o caluniam como safardana, canalha, pulha e interesseiro; mas tais acusações não passam de boataria da mais insidiosa. Se conseguiu ascender da condição de filho bastardo e serviçal ao posto de um dos mais influentes homens do Império brasileiro e confidente de Dom Pedro I, tal se deveu exclusivamente à privilegiada inteligência que lhe pesava a cabeça, visto ser, além de violeiro e exímio galanteador, um brilhante filósofo, o que se demonstra por sua teoria acerca da relação havida entre o fluxo sanguíneo e o funcionamento do cérebro na hora da cópula, teoria que explica muito das atitudes masculinas. Presente em todos os grandes acontecimentos da jovem nação brasileira, o Conselheiro Francisco Gomes da Silva gritou às margens do Rio Ipiranga junto com o Imperador, escreveu (dizem) a primeira Constituição e, com bravura indômita, dissolveu a primeira Assembleia Constituinte. Foi, ao fim e ao cabo, um exemplo perfeito e acabado de homem e estadista, constituindo-se num modelo seguido e imitado pelos brasileiros, desde aqueles tempos até os dias de hoje. Se isso é bom, só no-lo dirá o futuro de nossa nação! === Escrito por José Roberto Torero (escritor formado em Letras e Jornalismo pela USP) como se fosse um diário pessoal de memórias, um autêntico documento histórico descoberto por acaso, o livro, além de ter ganhado o Prêmio Jabuti de 1995, é uma obra interessantíssima na qual o narrador, sempre com bom-humor e alternando fatos de sua época com suas memórias mais antigas, traça um paralelo entre o passado e o presente do novel Império Brasileiro, em especial quanto ao meio político e seus meandros.

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