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    O Arcaísmo Como Projeto - mercado atlântico, sociedade agrária e elite mercantil no Rio de Janeiro, c. 1790-c. 1840

    Manolo Florentino

    Civilização Brasileira
    2001
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-10: 8520005349
    Português Brasileiro
    4.1
    31 avaliações
    Leram61Lendo14Querem118Relendo1Abandonos2Resenhas3
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    O Arcaísmo Como Projeto, de João Fragoso e Manolo Florentino, propõe que na passagem do século XVIII para o seguinte (que chamamos aqui de período colonial tardio), os estabelecimentos rurais da colônia, ao não demandarem altos investimentos iniciais, podiam ser expropriados de parcela expressiva de seu excedente pelo capital mercantil e usurário, sem que disso derivasse o seu desaparecimento. Assim, estava dada a pré-condição para, sem maiores riscos, configurar-se uma hierarquia econômico-social cuja base se identificava com os agentes ligados à terra, e o topo com aqueles vinculados às atividades mercantis e prestamistas. Esse é o foco principal de O Arcaísmo Como Projeto. A natureza estrutural do tipo de hierarquia que se instalou no Brasil, é esclarecida em O Arcaísmo Como Projeto quando se observa que o acesso a terras e a homens baratos também permitia ao homem livre pobre tornar-se lavrador. Entretanto, desde o início ele se via expropriado de parte da produção social, estando-lhe vedadas as atividades mais lucrativas - as mercantis, sobretudo as vinculadas ao comércio exterior, as quais, desse modo, erigiam-se à condição de campos exclusivos dos agentes detentores de liquidez. Logo, a mobilidade existia enquanto um mecanismo viabilizador da inserção dos agentes no processo produtivo stricto sensu. Uma vez concretizado, tal movimento ensejava a reprodução da diferenciação excludente.

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    Ariadne Barbosa picture
    Ariadne Barbosa01/06/2021Resenhou um livro
    2.5 (Razoável)

    Importante para pensar o paradigma da colonização brasileira

    Todo historiador que é também estudioso do Brasil colonial já se deparou com a discussão historiográfica entre os partidários do Antigo Sistema Colonial e aqueles do Antigo Regime nos trópicos. Os dois possuem suas diferenças, mas concluem o mesmo: o projeto colonizador era excludente e promovia a desigualdade socioeconômica que afeta o Brasil até os dias de hoje. Com uma economia baseada na exploração, no enriquecimento de poucos, na sustentação e manutenção de privilégios do Antigo Regime - mas não por isso completamente transplantada para a colônia (neste e em outros aspectos discordo dos autores) e em um capital mercantil que serviu para a compra de bens e terras, o projeto era o arcaísmo da sociedade, ou seja, a manutenção da desigualdade econômica desta sociedade para que os privilégios e a exploração da mão-de-obra barata continuasse. O caminho pensado pelos autores se difere dos partidários do ASC ao construirem a tese de que havia aqui uma sociedade não-capitalista que estava mais preocupada em agradar ao rei para ter privilégios e honrarias o que em fazer negócios para obter lucro. Se há, somente, preocupação com a obtenção de honrarias e títulos, para quê dispender tanta mão-de-obra barata e outros esforços? Somente para tomar posse da terra? Sem nenhum outro tipo de exploração? A desigualdade socioeconômica não é causada pela contínua exploração da terra e de negros escravizados? Gerar tanta desigualdade somente para obter títulos parece-me um tanto contraditório. Por outro lado, um frescor trazido por este novo paradigma é o pensar historiográfo pelo viés particular, das famílias donas do capital mercantil para mostrar o monopólio que exerciam na colônia para obter seus negócios junto ao império português. Livro necessário sim, mas bastante contraditório em sua tese, ainda é uma importante leitura que, junto ao ASC acrescenta e colore mais o panorama do Brasil colonial.

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    Manolo Florentino

    Professor do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal Fluminense Especialidade: escravidão Livros publicados: "Em Costas Negras - Uma História do Tráfico Atlântico de Escravos entre a África e o Rio de Janeiro - Séculos 18 e 19" (Companhia das Letras), "A Paz das Senzalas" (Civilização Brasileira), com José Roberto Góes e "O Arcadismo como Projeto", com João Fragoso (Diadorim)

    8 Livros
    5 Seguidores

    Manolo Florentino