Nota: linguagem bagaçada.
Muito bem.
Quem me conhece, sabe que minha relação com os romances de autoras nacionais sempre foi uma bosta.
Qualquer livro que encarei até hoje se revelou uma sucessão de cenas maçantes, ou um troço mal escrito, ou um troço até bem escrito - mas chato, ou um pesadelo em forma de mocinhos dignos de tacar fogo e apagar a sarrafada ou a merda que for.
Enfim, uma putaria.
E juro que sempre persisti de boa, com um espírito alegremente otimista, tentando dar uma força pra literatura tupiniquim, mas tudo sempre ia pro caralho.
Eu na vida: tudo indo pro caralho.
Metaforicamente.
Tá, tá, eu sei que é sacanagem querer abandonar a literatura nacional só pelas pouquíssimas experiências que tive, mas o que posso fazer se sou uma alma traumatizada, maltratada por esses cruéis equívocos literários?
Mas, eis que desencantei com DangeRock.
Nem eu tô acreditando nisso.
Tudo bem que ele não é o livro do ano, do tipo que me faz olhar pro horizonte, balançando a cabeça lenta e suavemente em sinal afirmativo, num estado contemplativo que só os livros mega top favoritos me induzem.
Mas eu gostei.
E isso é muita coisa, já que venho chafurdada numa fase horrorosa, do tipo que me faz aborrecer com quase todo livro que tem a infelicidade de despencar na minha frente.
Mas vamos à DangeRock.
A história é clichê: garota ama amigo que só resolve mijar ao redor dela quando um pegador chega junto.
Bem, como eu sou muitíssimo a favor de um clichê se ele for bem desenvolvido, comprei a ideia.
Até decidi fazer um gracioso resumo, caro leitor, pra que você tenha uma ideia melhor do que estou falando. Porque eu sou assim, legal.
Mocinha conhece mocinho desde criança.
Mocinha é apaixonada por ele desde sempre.
Mocinho é lento e não percebe.
Sonso.
Mocinhos e outros dois amigos se juntam numa banda de rock.
O tempo passa, a banda tem um relativo sucesso.
Mocinho continua tapado.
Burro.
Rola um babado entre os mocinhos.
Mocinha - numa estranha queda de Q.I. - deixa escapar pro mocinho que sempre foi a fim dele.
Leitora quer estapear mocinha pra deixar de ser saliente na hora que não deve.
Mocinho tem ataque de frescura, fala que entre os dois é só amizade e faz cagada.
Leitora cogita a possibilidade de enrolar o saco do mocinho com seu próprio pinto e ir arroxando o bixim até ele necrosar.
Leitora descarta a ideia porque mocinha é gente boa e precisa do pinto do mocinho para projetos futuros.
Aparece um cantor bonitão pra avacalhar.
Mocinho tem crise de ciúme.
Leitora quer entrar na história pra mandar ele se foder porque quem deu mole foi ele mesmo, porra.
Cantor gostosão chega chegando, mostrando pra que veio.
Mocinha dá um leve vacilo.
Leitora quer estapear - de novo - a mocinha pra ela parar de ir a lugar que não deve.
E por aí vai.
Como eu disse, gostei. Li em dois dias, outro feito pra mim, já que atualmente venho agarrando em tudo quanto é livro. E fora que adoro esse negócio de amigos que se apaixonam porque a probabilidade do amor instantâneo é quase nula. E com Brandon e Eve não teve essa merda.
E adorei o fato de começar simpatizando com um determinado personagem e terminar o livro
Desejando que ele morresse seco, arreganhado, depois que seu pinto fosse lentamente carcomido por formigas cabeçudas.
Mas algumas coisas me impediram de dar nota máxima.
Tipo, eu demorei pra me convencer do romance entre os mocinhos. A Eve foi ótima todo o tempo. Ela gostava do cara e não se fala mais nessa porra. Já o Brandon... sei lá. Pouca coisa aconteceu pra que ele passasse de putice absoluta pra te-amo-forever.
Acho que poderia ter tido mais cenas e acontecimentos nesse meio.
Fora que em alguns momentos os personagens foram meio infantis. Ou é impressão minha porque não tem nada disso? Será que tô ficando ranzinza? Hum? Uma luz? Alguém?
Merda.
Mas, ainda que eu descarregue meus esculachos, eu gostei da história.
E fico muito feliz com isso porque esse meu trauma com os nacionais deu uma rachadura. Mérito de DangeRock. Vai que agora eu animo e pego outros pra ler?
É isso.
Pra quem gosta de um livro com um toque meio new adult, ambientado nessa vida loka de roqueiro e não se importa com um porra daqui, um caralho de acolá, ei-lo.
Acho que você pode gostar.
;)