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    A Educação Sentimental (A Obra-Prima de Cada Autor) -

    Gustave Flaubert

    Martin Claret
    2007
    432 páginas
    14h 24m
    ISBN-13: 9798572327229
    Português Brasileiro
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    Com 'A Educação Sentimental' (1870), Flaubert retorna ao realismo. Inicialmente, a obra foi recebida com pouco interesse; no entanto, foi tida pelos críticos posteriores como modelo de análise dos costumes sociais, e equiparável à obra Madame Bovary. O romance revela um fundo autobiográfico, no qual Frederico Moreau, personagem central, é uma evocação do próprio Flaubert jovem, com um painel social dos anos agitados da 'monarquia de julho' de Luís Filipe que culminaram na revolução de 1848. Mostra o ruir das ilusões românticas, como em Madame Bovary, e, por outro ângulo, o panorama convulsionado da época.

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    Josi Leão20/09/2024Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    "— Por que é que o céu não quis que nos tivéssemos encontrado antes?" Na Paris dos anos 1840, Frederico é um estudante romântico e sonhador. Em uma breve viagem de navio, conhece e se apaixona por Mme Arnoux e faz de tudo para se aproximar de seu marido, na esperança de torná-la sua amante. Mas a honestidade da mulher e o idealismo que envolve esse sentimento dificultam a concretização de seus desejos. A simpatia pelo protagonista durou bem pouco para mim. Logo fica clara a frustração desse jovem impressionável com a vida real e seus desafios. Enquanto força uma aproximação com os Arnoux, adentrando em seu círculo de amizades, Frederico passa a frequentar a alta sociedade e a ser consumido pelos vícios e ambições que circundam aquele meio, negligenciando os estudos e utilizando recursos de que não dispõe para impressionar e ser aceito. O recebimento de uma herança inesperada, ao mesmo tempo que consolida sua posição, compromete de vez sua nobreza de caráter e sentimentos. Conforme revela seu lado fútil e superficial, fica evidente que o rapaz sonha com grandeza e fortuna, mas sem o inconveniente de conquistá-las e mantê-las por meio do trabalho. Assim, põe a perder sua riqueza com ostentações, aproveitadores e luxúria. O ócio e a abundância acabam por corrompê-lo e a arrogância toma o lugar do idealismo. De manipulável, se torna manipulador, especialmente com as mulheres, que usa por interesse e para esquecer a impossibilidade de seu amor por Mme Arnoux. Com longas descrições dos ambientes, o livro tem um ritmo lento, mas vai ganhando vigor conforme ocorre essa degradação do protagonista. Me impressionou muito as mudanças pelas quais ele passa enquanto perde suas ilusões românticas, se transformando em um homem egoísta e insensível. Sem dúvidas, esse foi o ponto que mais me marcou e finalizei a leitura odiando-o. Também achei interessante o forte tom de crítica social, a ambientação, que retrata as turbulências políticas da época, e o aspecto autobiográfico da obra, com vários paralelos entre personagem/autor. Não é fácil de ler, mas vale a pena!

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    Gustave Flaubert

    "Madame Bovary sou eu", disse Gustave Flaubert quando os juízes lhe perguntaram quem teria sido o modelo da sua personagem, durante o seu julgamento, em 1856. Ele foi acusado pelo governo francês de ter escrito uma "obra execrável sob o ponto de vista moral". Mas foi absolvido pela Sexta Corte Correcional do Tribunal do Sena, em Paris, em fevereiro de 1857. Resultado de cinco anos de trabalho, seu romance de estréia, "Madame Bovary", é uma dura depreciação dos valores burgueses. Segundo alguns críticos conservadores, Flaubert ridicularizou sua própria condição social. Afinal, o autor era filho de um médico provinciano rico e vivia de rendas em sua idade adulta na propriedade rural do pai. A história de Emma Bovary, que trai o marido para fugir da vida medíocre, é um retrato da incapacidade mental, emocional e moral das sociedades provincianas. Flaubert se dizia um estudioso da estupidez humana e colecionava episódios de burrice publicados em livros e jornais. Para ele, estupidez era mais freqüente na província. A falta de inteligência também foi o tema de "A Tentação de Santo Antão" (1874). Em 1840, como prêmio por ter concluído os estudos secundários, ganhou uma viagem para os montes Pirineus e para a ilha de Córsega. Ao passar por Marselha, viveu um namoro com Eulália Foucaud de Langlade. O idílio foi inspiração para a obra "A Educação Sentimental" (1869). Entre 1849 e 1851, o autor viajou para a África, onde colheu informações para "Salambô" (1862), sobre a queda de Cartago. Flaubert foi um dos autores mais importantes do Realismo, movimento estético de reação ao Romantismo europeu no século 19, influenciado pelas teorias científicas, a Revolução industrial e a linha filosófica de Augusto Comte (o Positivismo). Ele levou à perfeição o ideal do romance realista de harmonizar a arte e a realidade. Sua obra se caracteriza pelo cuidado na sintaxe, na escolha do vocabulário e na estrutura do enredo. Em 1866, recebeu a Legião de Honra do governo francês. Pouco antes de sua morte, vendeu propriedades para evitar a falência do marido de sua sobrinha. Passou a viver de um salário como conservador da Biblioteca Mazarine. O romance "Bouvard et Pécuchet" foi publicado inacabado, postumamente.

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    Gustave Flaubert