# O complexo e longo caminho entre a luta contra o racismo e o sucesso no pódio # O mito Owens # Atletas pioneiras # Entrevista Kátia Rubio # Boicote à África # Galeria de destaques (24 atletas negros que fizeram história em seus países e no mundo)
Aventuras na História Nº 157 (Agosto de 2016 - Especial sobre Olimpíadas) - O Negro nos Jogos Olímpicos
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A edição é voltada à participação olímpica de atletas negros. O tema tem história incríveis, reveladoras de superações heróicas e lendárias. Não apenas nas conquistas esportivas, mas também contra o racismo escancarado e velado, o jogo de interesses por trás da organização do evento e a mentalidade de épocas diversas. Histórias que devem ser lembradas, por trazerem aprendizagens e inspirações para lutas e transformações positivas. Entre as coisas interessantes, uma galeria de campeões ícones no esporte, como: - Wilma Rudolph e Gail Devers: me chamaram a atenção pela biografia de superação contra graves enfermidades antes dos jogos. - Alice Coachman: a primeira mulher negra campeã (americana, salto em altura, 1948, Londres). A revista cometeu um equívoco no ano de seu nascimento (o certo é 1923). - Naftali Temu: o queniano, como muitos, teve uma vida melancólica e esquecida em uma luta solitária e desamparada contra o câncer no final de sua vida. - Jesse Owens: a maior lenda dos jogos olímpicos. Teve também uma vida melancólica. - Carl Lewis: grande nome do atletismo em todos os tempos (com nove ouros em quatro Olimpíadas). Gostaria de conhecer mais sobre esse atleta. Não sei o que acontece, mas ele nunca me inspirou magia (como o Jesse Owens) e torcia contra quando assistia. Acho que era uma fase em que não simpatizava com os Estados Unidos, na minha juventude (Ah, antes mesmo da história de dopping que o envolveu). Tomara que esses canais de esporte mostrem documentário com sua biografia. Gostaria de ver A galeria apresenta também dois brasileiros: - Adhemar Ferreira da Silva: o maior atleta olímpico do país (bicampeão no salto triplo). Tem história incrível e penso que falta um reconhecimento maior. Será que já fizeram, por exemplo, um filme...O cara, além de atleta extraordinário em superar limites em sua geração, era um cidadão muito culto, artista plástico, com ponta em filme premiado e engajado em causas sociais. Se estivesse vivo, seria a pessoa mas adequada para acender a pira olímpica. Não sabia também que as duas estrelas no escudo do São Paulo foram homenagens a ele. - Joaquim Cruz: Ei! Acompanhei ao vivo na tv as duas conquistas olímpicas (ouro e prata em 1984 e 1988). Gente boa, mas lembro de um mico que pagou em 1988 por conta de uma declaração sobre a velocista, e musa da época, Florence Griffith Joyner. KKK! O JN anunciou que ele tinha até vergonha de sair na vila olímpica porque pegou mau. Quem quiser saber (que negócio foi esse?) que procure na net. - Apesar de não ter conquistado o ouro (e sim dois bronzes) o João do Pulo merece um adendo nessa galeria. Af! Segundo informações, os soviéticos roubaram seu ouro certo em 1980 (os saltos invalidados garantiriam a conquista e recorde mundial. Manipulação como até hoje existe). "Quatro X Quatro" mostra a tenacidade e superação de quatro atletas negras do Brasil. As histórias para participação olímpica foram contra seus limites, falta de investimentos e preconceitos. São elas: Melânia Luz (a primeira atleta negra do país, 1948), Wanda dos Santos (talentosa no atletismo e basquete, poderia ter despontado na Olimpíada com maior apoio), Aída dos Santos (fantástica a biografia de superação por suas buscas) e Silvina das Graças (mesma coisa). Todas foram destacadas em suas modalidades no país e tiveram em comum a luta contra a falta de apoio e contra preconceitos. "Jesse Owens": uma reportagem que apresenta o herói e o homem por trás. Lembramos da sua representatividade contra o nazismo na Olimpíada de 1936, mas foi também emblemático contra a segregação racial existentente nos Estados Unidos. Por conta disso, mesmo sendo um herói, teve uma vida com vários caminhos melancólicos e até bizarros. Essa reportagem descreve também o contexto histórico daquela Olimpíada. Vale uma conferida. "Continente sem Olimpíadas" aborda a participação de nações africanas no início. A primeira Olimpíada foi em 1896, mas os atletas africanos só começaram a participar em 1908. Vemos o jogo de interesses dos organizadores, pois a África estava mergulhada em colonialismo europeu. A projeçao dos atletas não era vista com bons olhos. Buscava-se a construção de uma imagem de miséria e necessidade de intervenção estrangeira para desenvolvimento. Só malandragem e interesses escusos, né? Ainda diziam que os atletas não reuniam condições "adequadas" pelo amadorismo e pobreza que interferiria em seus rendimentos. Af! Vivas à Abebe Bikita, Naftali Temu e tantos outros... Outra reportagem interessante é a entrevista com Katia Rubio, pesquisadora sobre a presença do negro no esporte brasileiro. Ela aborda pontos como o amadorismo dos atletas negros no início por conta de preconceitos (Jânio Quadros, por exemplo, demitiu o Adhemar Ferreira da Silva da prefeitura e o chamou de vagabundo, por conta da vocação e busca de participação nos jogos). Também pela mentalidade vinda das poucas décadas de abolição (onde os negros não eram valorizados como os imigrantes europeus e praticamente não tinham apoio e oportunidades). O amadorismo continua por falta de iniciativas governamentais em nível escolar e comunitário, como acontece nos EUA. Outras questões são tratadas, mas em recortes menores, como: a história de Eric Moussambani, da Guiné Equatorial (aquele do nado cachorrinho na piscina no ano 2000). Diz aí se não tem interesse nos jogos: o presidente do COI não gostou e o país nunca mais foi convidado para enviar nadadores. Pena! Pois na Olimpíada seguinte o nadador teria dado outro exemplo de superação, pois vinha reduzindo seu tempo de maneira extraordinária (a custo de muito empenho). Outro recorte instigante foi sobre a participação de vários povos nativos do mundo na Olimpíada de 1904. Uma exibição de suas artes em manobra para acentuar uma mentalidade de subdesenvolvimento e necessidade de "ajuda" (nada mais, nada menos que as políticas de colonização). Assim, foram ridicularizados e estereotipados. Usados... A edição tem isso e outros atrativos. Finalizando, deixo em registro "Herói por Nós - Adhemar Ferreira da Silva - O Ouro Negro Brasileiro", de Tânia Mara Siviero, como boa dica para leitura. A obra é ricamente ilustrada em vários aspectos sobre o atleta e cidadão. Queria muito ler também.
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