O Ceifador de Anjos – A Coleção de Fetos é um romance policial/psicológico que se caracteriza por uma coisa muito importante. Desde o início, sabemos quem é o assassino, o que não tira a graça da história. Temos como narrador alguém onisciente e onipresente, mas que se esconde em determinados momentos para nos revelar algumas informações apenas mais para a frente.
De um lado, temos Vincent Hughes, um serial killer filho da mãe que não tem dificuldade para atuar. Ele atua tão bem que tem amigos, é um angelino-modelo, e tem Donna, sua esposa, com quem divide todos — ou quase — os seus sentimentos. Eu li em um livro que os serial killers geralmente sabem mentir, e, nessa categoria, Vincent deve ser um prodígio. Ele vive uma vida de fachada, ou melhor, ele vive nessa vida porque precisa, mas, a meu ver, ele acaba gostando de quem tenta ser. Ou seja: é assim porque precisa, mas também porque gosta.
De outro lado, vemos a história de Donna (esqueci o sobrenome), que é uma professora dedicada e que tem uma melhor amiga que aparece muito na história. Essa melhor amiga se chama Adelle e ela está tentando engravidar. Não quer marido, mas sim ser mãe solteira. Apesar da onda de assassinatos na cidade, onde grávidas têm os fetos brutalmente arrancados de suas barrigas (por Vincent), ela conserva o sonho de ser mãe.
Outros personagens importantes são Ramona e Christopher, os detetives que cuidam do caso d’O Ceifador de Anjos, mas, independentemente do que fazem, parece que andam em círculos. Sou apaixonado por histórias de detetives, mas esses deixaram um pouquinho a desejar, porque não tinham o ar de experiência que os detetives de casos importantes realmente têm na ficção.
Agora vamos falar da capa e afins? A capa do livro não tem nada de especial, mas é bastante agradável, e a diagramação é muito boa, deixando o leitor confortável na leitura do livro. Não posso falar como é o livro físico, pois esta resenha é de acordo com minha leitura digital da obra. A história é muito bem escrita mas às vezes parecia que dava muitas voltas, além de dar um ar de repetição até certo ponto.
E é nesse certo ponto que as mesas se chacoalham e você tem que se proteger, porque eu, pelo menos, fiquei muito chocado com os acontecimentos a partir de determinada página. E, quanto à escrita, a da Juliete Vasconcelos não é ruim, mas acho que uma revisão feita por um outro alguém cairia melhor, uma vez que temos uma certa dificuldade em encontrar os erros das nossas próprias histórias. Alguns erros eram simples, mas outros eram chocantes: palavras escritas de forma errada e falta de pesquisa quanto à cidade onde se passa o livro, Los Angeles.
Entretanto, apesar de eu achar que isso tudo estragaria minha experiência, não estragou, pois fui me acostumando até não incomodar mais. O livro é uma boa diversão para quem gosta de histórias que têm um alto teor psicológico na trama, principalmente pela composição da família de Vincent.
Sobre o final, eu realmente estava esperando uma coisa chocante que não aconteceu, mas não foi ruim. O final do livro é um bom término de primeiro livro de uma trilogia. É quase certo que o próximo vai trabalhar com questões importantes que não foram tratadas nesse, como o passado do Vincent e que tipo de serial killer ele é. Nota 4 de 5.