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    LABIRINTO CIRCULAR/ISSO TUDO É MUITO RARO -

    Shiva

    Cogito
    2016
    134 páginas
    4h 28m
    ISBN-13: 9788563037602
    Português Brasileiro
    4.8
    12 avaliações
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    LABIRINTO CIRCULAR / ISSO TUDO É MUITO RARO é um livro duplo de contos estruturados como seis pares de “opostos espelhados”. São ao todo doze histórias que têm como fio condutor a polarização entre o Olhar e a Consciência (representados nas capas do livro como as pupilas sobrepostas e o cérebro, respectivamente) e que abordam, cada uma a seu modo, alguns dos antagonismos essenciais: Amor e Morte, Cotidiano e Fantástico, Concreto e Absurdo. Um exercício literário para mentes inquietas e questionadoras.

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    Fabio Shiva28/12/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A mente é um labirinto circular, de onde não se escapa somente dando voltas

    Fiquei muito feliz por finalmente lançar em e-book esse livro (https://www.amazon.com.br/Labirinto-Circular-Fabio-Shiva-ebook/dp/B09MSVN9GZ), que é uma espécie de Doppelgänger ou “metade sombria” de “Isso Tudo É Muito Raro” (https://www.amazon.com.br/Isso-Tudo-%C3%89-Muito-Raro-ebook/dp/B09MSWTTBP). Os dois livros, hoje digitalmente separados, foram lançados fisicamente juntos em 2016, como um livro duplo ou geminado, com a capa de um sendo a contracapa de outro. Como falei recentemente sobre a ideia por trás da estruturação dos livros dessa forma (https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2021/12/so-ha-duas-maneiras-de-viver-ou-nao.html), hoje quero falar especificamente do processo de escrita dos seis contos de “Labirinto Circular”. Começando pelo título, que ao contrário de “Isso Tudo É Muito Raro” não foi retirado de uma das histórias. Aqui o título se refere à configuração de nosso cérebro, que sugere (ao menos para mim) os intrincados meandros de um labirinto circular. Eu tinha uma vaga noção de que essa imagem de um labirinto circular teria sido retirada de algum dos maravilhosos contos de Jorge Luís Borges. Curiosamente, terminei de ler agora “Nova Antologia Pessoal” do Borges, onde consta “O jardim dos caminhos que se bifurcam”, uma de suas melhores histórias, com muitas referências a labirintos, mas não exatamente a um labirinto circular. Creio que quando li esse conto pela primeira vez, há muitos anos, ele ficou fermentando em meu espírito e acabou trazendo essa imagem da mente como um labirinto sem começo nem fim, de onde só se pode escapar por meio de algum movimento extraordinário e inesperado. O melhor exemplo desse ardiloso e inescapável labirinto é o que acaba de me ocorrer, pois só ao digitar essas linhas acima foi que resgatei uma lembrança soterrada entre os escombros do inconsciente: “Labirinto Circular” é o nome de uma música composta por mim e por meu irmão Fabrício Barretto e gravada pela banda O Plano em 2005. O título da música foi (supostamente) inspirado no conto de Borges, e o título do livro foi retirado da música. Curioso como voltou tudo à minha mente agora, inclusive a letra da música, que acho muito bonita: Quem me dera identificar o que te faz mistério Traduzir, fichar, classificar e estudar a sério Eu saberia como responder O sim e o não do quê e do porquê Quem me dera identificar o que te faz mistério Quem me dera descobrir das cores qual você mais gosta E encontrar no I Ching a pergunta pra qualquer resposta Eu saberia como adivinhar Exatamente o que te faz sonhar Quem me dera descobrir das cores qual você mais gosta Quem me dera o teu rosto tatuado no meu braço O teu cheiro preso em meu pescoço, teu amor no laço Eu saberia como te levar Aonde nós dois temos que chegar Quem me dera o teu rosto tatuado no meu braço Quem me dera encontrar no teu olhar o meu reflexo Tua força no meu ombro, minha calma no teu sexo Eu saberia te fazer sorrir Com tudo aquilo que me faz sorrir Quem me dera encontrar no teu olhar o meu reflexo A música “Labirinto Circular” pode ser ouvida no link abaixo: https://drive.google.com/file/d/1EzJuO4dj8omh-00DBja8zJK858JPDrm2/view?usp=sharing Antes de comentar o processo criativo de cada um dos contos, quero registrar ainda uma surpresa que tive ao reler o livro em 2021, a fim de preparar a edição digital. Quando lancei o livro físico, há cinco anos, eu considerava a metade “luminosa” (representada por “Isso Tudo É Muito Raro”) claramente superior à metade “sombria” (dos contos aqui presentes). Nessa releitura, achei os contos dessa “banda podre” não só mais divertidos, como melhor escritos. Acho que na Literatura a tentativa de ser virtuoso é, por si só, talvez um dos mais graves pecados. Falta dizer ainda que esse livro duplo foi até hoje, e muito provavelmente para sempre, o único de meus livros que dediquei a pessoas. A metade “Labirinto Circular” foi dedicada com muito amor à minha esposa Fabíola Campos. O ARMAZÉM Confesso que senti medo ao descobrir a elevada taxa de suicídio entre escritores, e lidei com esse medo como lido com todos os medos: escrevendo a respeito dele. “O armazém” imaginado por mim é uma espécie de purgatório destinado especialmente aos escritores suicidas. Uma diversão especial que tive com esse conto foi apresentar vários desses escritores (Ernest Hemingway, Virginia Woolf, Camilo Castelo Branco, Torquato Neto e vários outros) sem nomeá-los diretamente, mas fazendo com que falassem apenas citações de suas obras. SOM ALTO Escrevi esse conto como pura catarse para lidar com a raiva causada por uma situação comum a muitos brasileiros: o caso do vizinho mal-educado (ou generoso, conforme o ponto de vista), que adora colocar o som no último volume (compartilhando seu gosto musical com toda a vizinhança, daí a “generosidade”). Uma curiosidade sobre esse conto é que utilizei as letras que fiz para um projeto chamado Ultrapagode, onde eu pretendia chamar a atenção para o grotesco das letras do pagode baiano justamente escrevendo as letras mais grotescas que eu pudesse. Cheguei a escrever três ou quatro, mas felizmente logo caí em mim e vi que não se combate trevas com trevas. Como nada se perde, acabei utilizando essas letras no conto, onde elas de fato deviam ficar. Em 2019 tive a alegria de ver “Som alto” republicado na antologia “O Sopro da Besta” (https://www.verlidelas.com/product-page/o-sopro-da-besta), da Verlidelas Editora. AMOR, ETERNO RETORNO Uma carta de amor… só que não. Escrevi esse conto também como forma de catarse, para lidar com as mentiras e traições que fazem parte de muitas relações de par. Ao reler o conto agora fiquei agradavelmente surpreso ao me ver simpatizando com a mulher adúltera e extremamente cínica que escreve a carta. Espero que os leitores se sintam da mesma forma. DA ARTE DE CHUPAR (O) PICOLÉ Escrito aparentemente como um escrachado esquete de teatro, mas que na verdade foi uma brincadeira com as várias camadas de significado que podem coexistir na linguagem escrita ou falada. A maior inspiração para esse texto foi a cena teatral de “Ulisses”, de James Joyce. Aqui aparece uma personagem que espero encontrar novamente, em outro contexto: Luciana, uma detetive amadora transexual que já foi um professor de antropologia e hoje dirige um badalado salão de beleza, enquanto soluciona mistérios de assassinato que desafiam a polícia. BACKUP Outra catarse, que brinca com um dos maiores temores do universo masculino: a brochada. A ideia básica, que gerou uma história para lá de bizarra, foi colocar um personagem masculino diante do dilema: o que é pior, brochar ou ter que encarar um apocalipse reptiliano? Esse conto adquiriu para mim um insuspeitado valor emocional, pois foi tema de uma conversa hilariante com o querido amigo Thiago Poblan, que desencarnou em 2021 em decorrência de complicações advindas da Covid. É muito gratificante ver como histórias podem se tornar símbolos de coisas muito maiores que elas mesmas. O MINIBARATA Esse conto é certamente um de meus favoritos. O mote do título, preciso confessar, foi um trocadilho infame. Acontece que o maior épico já escrito, e a história da qual derivam todas as histórias, é o “Mahabharata”, colossal narrativa em versos sobre uma grande guerra travada nos primórdios da humanidade. Existem muitas versões da saga, mas recomendo como primeiro contato a admirável adaptação de Peter Brooks (https://youtu.be/yhqkRGISQr8). Pois bem, a palavra sânscrita Mahabharata pode ser traduzida por algo como “A Grande Índia”, onde Maha significa “grande” e Bharata é um dos nomes pelos quais a Índia é conhecida, como terra do legendário Rei Bharata. Só que essa palavra, “Bharata”, para falantes da língua portuguesa, evoca inevitavelmente o inseto que geralmente provoca repulsa, mas que também inspirou uma das obras-primas da Literatura Mundial. Foi só fazer essa ponte entre o “Mahabharata” e “A Metamorfose” de Kafka que se tornou irresistível a ideia de escrever uma saga épica protagonizada por baratas. O recurso dramático que encontrei para viabilizar essa epopeia foi o Apocalipse Zumbi, que em minha história teve o efeito colateral de propiciar uma evolução genética que conferiu inteligência e linguagem às baratas. Outra curiosidade a respeito dessa história foi que criei um sistema numérico baseado no seis, partindo do princípio de que nosso sistema decimal tem a ver com o fato de termos dez dedos nas mãos. Então o sistema numérico de uma raça de seis patas bem poderia ser pautado pelo seis. A Literatura pode ser muitas coisas, e certamente é para mim. Mas antes de tudo ela deve ser divertida! LABIRINTO CIRCULAR https://www.amazon.com.br/Labirinto-Circular-Fabio-Shiva-ebook/dp/B09MSVN9GZ * https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2021/12/a-mente-e-um-labirinto-circular-de-onde.html

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    Fabio Shiva

    Fabio Shiva nasceu em Salvador, Bahia. Aos 8 anos começou a apresentar o programa Chão e Paz na TV Itapoan / TV Aratu. Três anos depois, com a ida da família para o Rio de Janeiro, aposentou-se da carreira de apresentador infantil. No ano seguinte teve sua iniciação literária com a publicação do poema “Terra” em uma antologia. De lá para cá participou de outras coletâneas de contos e poemas. Aos 16 anos tornou-se professor na Escola de Música Santa Cecília e com a mesma idade ingressou na Faculdade de Comunicação da UERJ, onde se formou, tendo cursado também Ciências Sociais na UFRJ e Psicologia na UERJ. Trabalhou como ghost-writer em livros de astrologia e como revisor em diversas publicações. Como alguns de seus escritores favoritos, exerceu diversas outras profissões: camelô, body piercer, analista de RH, corretor imobiliário, diagramador, produtor cultural, secretário social, radialista, compositor de jingles políticos. Essas atividades ocorreram em paralelo à carreira musical, iniciada com a banda Imago Mortis em obras como o aclamado VIDA – The Play of Change, disco que foi considerado um dos melhores lançamentos do rock pesado nacional. Hoje toca baixo nos Mensageiros do Vento (www.mensageirosdovento.com.br), em fase de produção de ANUNNAKI (http://youtu.be/tJhDrVK-BOQ), a primeira ópera-rock em animação brasileira. Fundou a Comunidade Resenhas Literárias (http://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com.br/), que já fez circular mais de 1.500 livros pelo país. É facilitador da Oficina de Violão (http://oficinademuitamusica.blogspot.com.br/)na Casa da Música, APABB e Instituto Daniel Comboni. Já ministrou também a oficina de Meditação para Crianças (http://youtu.be/lHSsHka-k_8), e as duas oficinas estão sendo transformados em livros. Em parceria com Fabricio Barretto escreveu o livro de literatura/filosofia MANIFESTO – Mensageiros do Vento (www.mensageirosdovento.com.br/MANIFESTO_2012__mensageiros_do_vento.pdf). Tem pronto um livro de contos: ISSO TUDO É MUITO RARO.

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    Fabio Shiva