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    O livro da divina consolação (Clássicos da Espiritualidade) -

    Mestre Eckhart

    Editora Vozes
    2016
    52 páginas
    1h 44m
    ISBN-13: 9788532652065
    Português Brasileiro
    3.4
    13 avaliações
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    O livro da divina consolação é uma das joias da literatura espiritual do Ocidente. Nele o Mestre Eckhart mostra todo o vigor e a madureza de seu gênio religioso. Esta obra é uma das joias da literatura espiritual do Ocidente. Nela Mestre Eckhart mostra todo o vigor e a madureza de seu gênio religioso e escreve seu pequeno tratado sobre a consolação divina. Longe de exaltar o sofrimento pelo sofrimento, procura ressaltar as chances de crescimento que propicia. Ele despoja a pessoa das fixações terrenas e a abre para a única Realidade que realmente plenifica o coração: Deus.

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    Denis Caldas13/09/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    D-us, o Sumo Bem.

    Mais um livreto do Mestre Eckhart que, mesmo com suas poucas 52 páginas, demanda atenção redobrada para entendermos o que o autor nos quer passar. Sinceramente, para mim em particular, foi uma leitura difícil mas, diferente de outras também difíceis, não pretendo reler. Conforme na primeira orelha da capa, o texto foi escrito para a Rainha Inês da Hungria. Seu marido, o Rei André, morreu em 1301. Deixada só e desprezada, a rainha teve que empenhar suas próprias joias para poder comer. Foi recolhida por seu pai, imperador da Áustria, que foi assassinado em 1308. Neste contexto de desconsolo, Eckhart escreve seu pequeno tratado sobre a consolação divina. Em suma, o livreto trata de que, a única forma de não sofrermos desconsoladamente, é focar a nossa atenção a D-eus, Sumo Bem que nos criou e não nos decepciona. Que, quando baseamos nossas vidas em outras criaturas, em bens materiais ou outras coisas deste mundo passageiro, só encontraremos dor, desconsolo e sofrimento. O autor cita outros autores, como Santo Agostinho, Sócrates e Sêneca, a fim de justificar a sua tese. Uma boa leitura, mas confesso em sinceridade que, embora autores como Mestre Eckhart dizem "que devemos seguir a vontade de D-us para sermos felizes", para mim é tão difícil saber qual a vontade de D-us para a minha vida particular, pois desconfio das religiões institucionais.

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    Eckhart von Hochheim profile picture

    Eckhart von Hochheim

    Mestre Eckhart nasceu em 1260, em Hochheim, perto de Gotha, na Turíngia, região que hoje se situa no centro-oeste da Alemanha; muito jovem ele entrou para Ordem dos Dominicanos, e já em 1277, aos 17 anos, ele está em Paris estudando artes, que na época incluía lógica, gramática, retórica, música, astrologia, geometria e aritmética. Em 1280 ele vai para Colônia, onde estuda teologia no Studium Generale da Ordem dos Pregadores. Nesta época ele foi aluno de Alberto Magno, cientista, filósofo e teólogo aristotélico. Em 1303 passa a ser provincial da Saxônia, região que incluía todo o norte da Alemanha e Holanda, onde existiam 47 conventos de frades e 9 de religiosas dominicanas. Assume grande responsabilidade, incluindo a fundação de novos conventos, a direção espiritual dos irmãos e irmãs e a condução dos negócios e acertos com os senhores feudais. Em 1310, em Estrasburgo, Eckhart é eleito vigário geral, que vem a ser o substituto do superior-geral dos Dominicanos. De 1314 a 1322 ele fica em Estrasburgo ocupando o cargo de vigário geral da Ordem, com a função principal de realizar a pastoral das religiosas dos conventos e sua direção espiritual. Por isso ele viaja bastante e faz pregações ao povo, na língua alemã. Em 1323 é enviado a Colônia como diretor do Studium Generale; ensina teologia, faz pregações ao povo e dedica-se à produção intelectual. Em 1326 tem início um processo inquisitorial contra Eckhart, por supostas doutrinas heréticas. Foi designada uma comissão que seleciona 120 proposições de Eckhart, tiradas do livro Da Divina Consolação, das obras latinas e dos sermões em alemão. Ele protesta contra este método de selecionar frases dentro de uma imensa obra, tirando-as do contexto em que foram escritas e pede o privilégio de isenção conseguido por dominicanos e franciscanos, que era o de ser julgado pela Sé Apostólica ou pela Universidade de Paris. Termina sendo julgado em Avignon, onde estava o Papa, e antes de se dirigir para lá, no dia 13 de fevereiro de 1327, diante de todo o povo, faz a seguinte profissão de ortodoxia, ou seja, afirma concordar com as regras e preceitos da Igreja: “Eu, Meste Eckhart, doutor na sagrada teologia, protesto diante de todas as coisas, tomando a Deus como testemunha, que eu sempre reprovei todo erro sobre a fé e toda corrupção dos costumes, tanto quanto pude, já que tais erros seriam e são contrários à minha condição de mestre e contrários também à minha Ordem. Se, portanto, se encontrar alguma proposição errônea em fé e moral que eu tenha por acaso escrito, dito ou pregado, em privado em público, em qualquer tempo ou lugar, direta ou indiretamente, expondo uma doutrina menos sã e até falsa, então eu a revoco aqui explícita e publicamente diante de todos e de cada um dos que aqui estão presentes, como não escrita ou não dita”. Logo após Eckhart segue para Avignon, a fim de acompanhar o julgamento de sua doutrina por uma comissão. As 120 proposições em que era acusado de heresia foram reduzidas para 28, e ele tentou explicar-se junto à comissão mas não conseguiu bons resultados, porque no dia 27 de março de 1329, com a Constituição In Agro Dominico, o papa João XXII condenou todas as 28 proposições de Eckhart. O texto da constituição começa considerando Eckhart um inimigo que "semeia abrolhos na seara do Senhor" e continua dizendo o seguinte: “Com dor comunicamos que, neste tempo, alguém das terras alemãs, Eckhart de nome, doutor e professor da Sagrada Escritura, da Ordem dos Pregadores, quis saber mais do que era necessário, em dissonância com a sensatez e com as diretrizes da fé, porque afastou seu ouvido da verdade e voltou-se às fabulações.” “Nós...expressamente condenamos e reprovamos os quinze primeiros artigos e os dois últimos como heréticos e os outros onze citados, como mal soantes, temerários e suspeitos de heresia, igualmente os livros e opúsculos do mesmo Eckhart que contenham os referidos artigos ou alguns deles”. Mestre Eckhart não assistiu à sua condenação, pois morre em abril de 1328, em Avignon, e o documento papal já o dá como morto. A retratação de Eckhart antes de sua morte pouco valeu à sua obra, pois um grande silêncio sobre ambos reinou entre os católicos por causa de sua condenação. Mas apesar disto seu pensamento influenciou muitos outros místicos, entre os quais Julian de Norwich, Teresa de Avila, São João da Cruz, Nicolau de Cusa e Hegel. E a partir do século XIX, com a descoberta dos seus manuscritos e o afrouxamento da perseguição por parte da Igreja sua obra foi sendo redescoberta e sua imagem foi se refazendo a ponto de hoje ele ser reconhecido e venerado como um dos mais legítimos e importantes representantes do misticismo cristão. (Essa biografia de Mestre Eckhart é um excerto daquela apresentada no livro "A Mística do Ser e de não Ter", coordenado por Leonardo Boff, com traduções de textos de Mestre Eckhart, editado pela Editora Vozes - Petropólis, 1983).

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    Thüringen, Alemanha

    Eckhart von Hochheim