SOB A PONTE REPOUSA O PASSADO
Nesta obra, Leon Nunes nos apresenta a Djosinsclaw ou Jo Vital - também conhecido no mundo da literatura em que vive como André Vital. Um homem assombrado pela perda dos pais e por um dom sobrenatural, que ele denomina de maldição.
A primeira virada de página, antes do capítulo 1, coloca o leitor a par do tom utilizado pelo narrador, como lêssemos um diário pessoal, com memórias nítidas, expostas desde o primeiro até o último capítulo.
Jo - André é um homem perturbado. A perda dos pais inicia este desequilíbrio. O ritmo utilizado por Leon é constante e faz com que se dê sequência à leitura, para conseguirmos entender o sofrimento de Jo - André.
Se não bastasse isto, Jo se vê diante de um psicopata, disposto a tudo para possuir Jo em toda sua essência, através da morte.
O tema o sequestro do escritor foi trabalhado por S. King, na obra Misery, porém Leon surpreende com a maneira como narra os fatos e o que traz o sequestro e “morte" de Jo - André. Ainda seguindo o mestre King, Leon nos coloca diante do sobrenatural, que Jo não entende e parece não se esforçar em entender, preso ao conceito que tem sobre seus dons.
O antagonista mexe com nossas entranhas. É um personagem viceral. Acredito que ele seja o ponto alto da narrativa de Leon.
A linguagem tem peculiaridades, próprias do autor, o que pode trazer certa estranheza no princípio, mas conforme a história avança, vamos nos acostumando com ela.
Um conselho: não leia em dias nublados, nem em dias de tristeza, porque é necessário mergulhar no mundo de Jo a fim de entender sua mente perturbada, o que pode trazer algum desconforto. É preciso se manter atento às idas e vindas no tempo, utilizadas pelo autor para traçar a linha do tempo de Jo.
Com certeza, um livro para ser apreciado.
Boa leitura!