O desenvolvimento de uma cultura pró-vigência dos direitos humanos, no interior da sociedade brasileira, constitui-se numa tarefa gigantesca que exige o concurso e o apoio de todas as forças progressistas que existem em nosso meio. A afirmação dos direitos humanos como um patamar ético que deve mediar o relacionamento entre todos os “sócios” que constituem essa “sociedade” esbarra, no caso brasileiro, no desafio da superação do abismo das desigualdades que separam os grupos sociais privilegiados, da imensa massa dos deserdados dos benefícios que uma sociedade industrial relativamente desenvolvida já torna disponível. Mas, para além dessas dimensões objetivas, que envolvem os elementos estruturais da realidade, a construção de tal cultura pressupõe que se leve em conta, igualmente, os aspectos da subjetividade social que encontram-se abrangidos nesses processos. Tanto naqueles que envolvem a promoção dos direitos humanos, quanto nos que envolvem as suas violações, não podemos descurar da dimensão subjetiva que lhes oferece base de sustentação e de existência no mundo. São valores, idéias, sentimentos e atitudes, cuja direção, para a qual apontam, faz uma grande diferença. Nesse sentido, mais do que assumir, nessa tarefa, aquela parte que a boa cidadania nos recomenda, cabe à Psicologia e aos psicólogos um importante papel, engajando-se no desvelamento dos mecanismos subjetivos através dos quais se produzem as legitimações ou invalidações das práticas sociais, que, como tais, favorecem ou mutilam os direitos humanos.
Os direitos humanos na prática profissional do psicólogo -
não informado
Conselho Federal de Psicologia
2003
26 páginas
52m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
Edições (1)
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