No segundo volume de antologia dedicado a poesia brasileira, a Editora Matarazzo traz a produção de 37 autores de todo Brasil. Romantismo, amizade, exaltações, saudades e evocações fazem parte das poesias inseridas nesta obra. UM POUCO DE PROSA O que é poesia? Algo que se diz em versos, com ou sem métrica ou rima. Pode ser... mas não é só isso. Poesia é lirismo, ver e ouvir tudo com humanidade, sensibilidade, percepção, atenção a detalhes belos e marcantes que ninguém mais consegue - ou quer - perceber. Fazer poesia não é só falar de flores, estrelas, os olhos da pessoa amada e outros temas sabidamente poéticos. Há poesia onde menos se espera e onde se quer que ela esteja. Dois exemplos antigos de versos altamente poéticos de que me lembro agora são de um rock de Chuck Willis gravado por Elvis Presley e um que li na juventude em um texto sobre poesia sem indicação de autoria do verso que pretendo citar. Confiram o verso que Elvis canta, em tradução livre: “Sinto-me tão mal quanto um jogo de bola num dia de chuva.” E o verso que li é este: “Manhazinha... Os leiteiros dão de mamar aos portões...” Temos também o “causo” de Noel Rosa, um de seus professores ensinava gramática usando rimas e ele mesmo fez toda uma prova de ciências em forma de poesia... E eu mesmo, modestamente, descobri: basta mudar uma palavra ou duas para transformar uma frase banal e rotineira em poesia. A sua chamada Foi encaminhada Pra caixa postal E estará sujeita A cobrança feita Após o sinal Enfim, poetas e poetisas (se ainda pudermos falar em “poetisa” nestes tempos de igualdade entre os sexos, assim como a língua inglesa começou a esconder a palavra “actress” e chamar todo mundo de “actor”) vêm de outro planeta para tornar a Terra um lugar melhor. O Brasil sempre teve boa poesia, e para todo gosto: Castro Alves, Cecília Meirelles, Hilda Hilst,Vinicius de Moraes, Ferreira Gullar... E certamente temos mais poesia boa neste segundo volume de Poesias Contemporâneas lançado pela Editora Matarazzo, assim como no primeiro. Muito bom ter editoras que acreditam no novo e preservam o antigo. Gente nova, gente veterana, gente que merece um lugar na estante, que merece ter sua poesia lida por escrito ou por voz. Sim, a era dos festivais de música pode ter acabado, mas com certeza estamos numa bela era dos saraus de música e/ou poesia, espaços cada vez mais numerosos para pessoas iniciantes e veteranas que podem e devem mostrar sua arte. Este prefácio começou com uma pergunta: o que é poesia? Pois bem, vai terminar com uma boa resposta: este livro Poesia Contemporânea II. Ayrton Mugnaini
